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Afrika Krankenhaus - Kongo - Symbolbild
Foto ilustrativaFoto: Imago/UIG/P. Deloche Godong

Unidades sanitárias sem material para cuidar de pacientes

António Domingos
17 de março de 2022

Os hospitais e os centros de saúde da província angolana do Kwanza Norte estão à beira do colapso. Os utentes queixam-se da falta de medicamentos, sangue, alimentação e material de apoio técnico.

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Os hospitais e os centros de saúde da província angolana do Kwanza estão a ter dificuldade em responder às necessidades das populações. Os utentes queixam-se da falta de material e de apoio nas unidades hospitalares.

O Hospital Sanatório do Kwanza Norte, a 11 quilómetros da cidade de Ndalatando, capital da província, não tem medicamentos, alimentação para os pacientes, oxigénio, ambulâncias ou meios rolantes para apoio técnico. Falta também dinheiro para suportar as despesas administrativas.

Marinho Afonso, acompanhante de um familiar que está internado há 16 dias neste hospital, mostra-se angustiado com a situação.

"É preciso ir comprar tudo à cidade. O hospital não tem os meios necessários para atender o doente, temos de ser nós a suportar as despesas”, lamenta.

Falta de medicamentos 

De acordo com Joaquim Raúl, psicólogo clínico no referido hospital, as principais dificuldades assentam na obtenção de medicamentos. "Infelizmente, muitos dos pacientes e dos seus familiares têm alguma dificuldade financeira, o que dificulta a obtenção de medicamentos que não estão disponíveis no hospital”.

Blutabnahme und Blutspende
​​​​A falta de sangue é um dos maiores problemas das unidades sanitárias angolanasFoto: picture-alliance/Eibner/D. Fleig

Gil Kudiongina, diretor do Hospital Sanatório do Kwanza Norte, admite que falta quase tudo.

"A maior dificuldade com que nos temos deparado é a falta de medicamentos e alimentação. Há pacientes que não comem nada desde de manhã”, reconhece.

Acusação de maus-tratos e favorecimentos

Vários utentes que têm procurado serviços de consultas externas, acusam a equipa médica do Hospital Provincial do Kwanza Norte de alegados maus-tratos e supostos favorecimentos.

O utente Domingos Kissanga, visivelmente angustiado com a situação, refere que é lamentável que o hospital só possa atender 30 pacientes por dia. Para o utente António Cabral, o hospital, que devia ajudar a melhorar a saúde dos pacientes, só está a deteriorá-la.

Apesar da queixas dos pacientes e das suas famílias, a equipa médica nega as acusações.

"Embora lá em casa esteja a soar que o hospital só atende 30 pessoas por dia, isso não é verdade. Tirando os serviços de oftalmologia que estão a atender 15 pacientes por dia, as outras consultas, sobretudo as de medicina e estomatologia são diárias”, garante Catarina Manico, supervisora de enfermagem do Hospital Provincial do Kwanza Norte.

Angola | Mutter-Kind-Zentrum von Bela Vista
Centro Materno-Infantil da Bela Vista. ​​​​As enchentes nas unidades sanitárias são uma realidade antiga em AngolaFoto: Daniel Vasconcelos

Falta de material também no hospital materno-infantil

A dificuldade em responder às necessidades dos pacientes também se verifica no hospital materno-infantil. Acompanhantes das crianças pacientes deploram o atual estado da falta de sangue e medicamentos.

Manuel Afonso, que tem uma filha internada há dois dias no hospital, lamenta a venda de sangue. "É uma tristeza ter conhecimento de que, por vezes, o sangue que doamos é vendido sem o nosso consentimento. Esperemos que o hospital mude este comportamento”.

O diretor clínico do hospital materno-infantil do Kwanza Norte, Gilberto Kanda, admite que há falta de sangue em stock. "Estamos mesmo com uma rotura de stock, temos menos de cinco bolsas de sangue, conseguimos contrapor as situações de transfusões sanguíneas através de doações de familiares de pacientes".

A DW África soube de fonte oficial que o hospital regional de Kahinza, na vila de Camabatela, não tem ordem para comprar medicamentos e materiais desde novembro do ano passado. 

Também o centro de saúde do município do Bolongongo regista a falta de materiais, de uma sala específica para o raio X e de uma ambulância, disse à DW, Faria António, diretor administrativo daquele centro de saúde.

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