Guineenses usam criatividade para lucrar com falta de energia | MEDIATECA | DW | 09.08.2013

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MEDIATECA

Guineenses usam criatividade para lucrar com falta de energia

A falta de energia elétrica na Guiné-Bissau gera transtorno para a imensa maioria da população. Uma minoria, entretanto, lucra fornecendo eletricidade a vizinhos e recarregando baterias de telemóveis e computadores.

São pequenos geradores que iluminam as casas da capital guineense há décadas. Perante a incapacidade dos sucessivos governos em resolver a crônica falta de luz e água na Guiné-Bissau, cidadãos recorrem aos vizinhos com pequenos grupos de geradores para serem abastecidos.

Os proprietários da alternativa cobram semanalmente uma taxa mais alta do que a de empresa estatal, a Empresa de Eletricidade e Água da Guiné-Bissau (EAGB).

Conhecido pelo rigor na cobrança que faz todas as sextas à tarde de casa em casa da vizinhança, Almamo Ba liga seu gerador todos os dias, das quatro da tarde às sete da manhã. Fornece energia aos mais de 190 clientes, cujos nomes estão cuidadosamente registrados à esferográfica no seu bloco de notas.

A parte dos fundos de sua residência funciona como uma empresa que fornece energia eléctrica aos bairros de Bissau. Ele disse à reportagem da DW África que não pára de receber solicitações de novos potenciais clientes.

"Não há luz do Estado. O meu telemóvel não para de tocar. Todos querem a corrente elétrica do meu gerador por ser mais segura, mas não posso responder todas as solicitações porque o meu gerador é demasiado pequeno. Isto é um negócio muito rentável", diz Almamo.

Falta de luz afeta outros serviços

Bissau ficou às escuras há cinco semanas. Sãozinha Costa não conseguiu comunicar-se com o irmão emigrante na Alemanha. Ele iria passar a ela o código para levantar o dinheiro numa empresa de transferências bancárias, porque levou dias sem poder recarregar a bateria do seu telemóvel.

"Estou com o telemóvel há dois dias sem carga porque não há luz. O meu irmão que está na Alemanha está a tentar ligar-me, mas não pode porque não há luz elétrica. Isso é inaceitável. Uma pessoa não pode ficar sem energia elétrica. É lamentável!", reclamou Sãozinha.

A Verdade é que quanto pior for à crise de energia elétrica publica, melhor para Carlitos Sá, que instalou o seu pequeno negócio num quarto de um metro e meio quadrado, onde recarrega durante 24 horas, cerca 300 telemóveis e computadores portáteis.

"Este negócio funciona desde 2009. Recebo por dia cerca de 300 telemóveis para recarregar as baterias. Computadores portáteis, Ipods, Ipads, mp3 e outros", disse Sá.

Apesar do barulho que os geradores fazem diariamente, o gerador de Carlitos Sá é a única alternativa para quem não quer ficar sem telemóvel nos arredores de sua casa. Zico Gomes, com a senha 36, aguardava pacientemente a sua vez de entregar o seu velho telemóvel cuja bateria já tem problemas em demora a carregar.

"Normalmente quando se chega cá para carregar, se consegue fazer facilmente. Há tanta gente. Há muita aglomeração de pessoas para carregar o telemóvel", afirmou Zico.

Garantia do sustento

O Negocio bem-sucedido mudou a vida do jovem Carlitos de 27 anos de idade, que agora assume a responsabilidade da família. "A verdade é que consigo fazer manutenção da casa, pagar os estudos do meu irmão mais novo no Brasil e tenho cerca de 12 pessoas aqui em casa que dou pequeno almoço, almoço e jantar", esclarece Carlitos.

Neste momento, a EAGB diz que está tecnicamente falida numa altura em que seus clientes reclamam mais do que nunca da falta de luz e água regular em Bissau.

Os consumidores alegam que tiram dos bolsos o pouco que têm para comprar cartões de recarga pré-pagos para ter luz e água e acabam ficando às escuras. Augusto Yálá, porta-voz dos clientes, acusa os ministros de roubarem consumidores.

"Isto que está a passar é uma vergonha porque compramos cartões pré-pagos com garantia que teremos energia em casa. Mas ficamos sem energia mais de seis semanas. E vocês [ministros], nas vossas casas, têm luz de gerador com o dinheiro que pagamos o cartão pré-pago", desabafa Yalá, reproduzindo o que disse aos ministros.

Tão grave quanto a falta de energia elétrica é o desabastecimento de água. Sem água potável nem água nas torneiras, muitas pessoas recorrem à água de poços ou das chuvas.

Especialistas em saneamento consideram isto uma afronta à saúde pública. Deve-se lembrar que atualmente uma epidemia de cólera assola o interior da Guiné-Bissau, causando a morte de mais de 20 pessoas.