Guiné-Bissau: Trabalhadores protestam contra Orçamento do Estado | Guiné-Bissau | DW | 16.01.2021

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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Trabalhadores protestam contra Orçamento do Estado

Os manifestantes pediram que o Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, não promulgue o OGE de 2021, que prevê aumento de impostos aos cidadãos e elevados subsídios aos titulares dos órgãos de soberania.

Protesto de trabalhadores em Bissau

Trabalhadores reuniram=se em frente à sede da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG)

Centenas de trabalhadores guineenses saíram as ruas de Bissau, este sábado (16.01), para protestar contra Orçamento Geral de Estado (OGE) de 2021, aprovado pelos deputados, que prevê aumento de impostos aos cidadãos e  elevados subsídios aos titulares dos órgãos de soberania.

Com dísticos e cartazes, os manifestantantes apelaram ao Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, a não promulgar a lei do OGE, aprovado no Parlamento.

Júlio Mendonça, secretário-geral da UNTG

Júlio Mendonça, secretário-geral da UNTG, a maior central sindical da Guiné-Bissau

A manifestação conheceu algum momento de "falta de sintonia", quando a polícia obrigou os manifestantes a desocuparem a via pública e limitar-se a ocupar o recinto da sede da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG), a maior central sindical do país.

Mas foi uma vã tentativa que não conseguiu desmobilizar os manifestantes, que realizaram um comício em frente da sede da organização sindical.

"Os impostos que (os governantes) inventaram vão voltar para os seus bolsos. Mas se continuarem a insistir, este ano vai ser o ano da greve. Podem nos impedir de manifestar, mas não nos vão tirar das nossas casas, se não formos trabalhar", começou por dizer o secretário-geral da UNTG, Júlio Mendonça.

O sindicalista dirigiu-se depois aos polícias que estavam a segurar a manifestação e afirmou que a luta é favor de todos. "Estes polícias que estão a ver também são vítimas do sistema como nós. Tenho uma lista de mais de mil polícias que prestaram juramento à bandeira nacional e, desde 2017, não recebem os salários", afirmou.

"Mas peço-lhes que não cumpram ordens ilegais. Quando a ordem é ilegal, que peçam um documento de autorização", disse o secretário-geral da da UNTG, aludindo à tentativa da polícia em impedir a marcha dos trabalhadores.

"Momento decisivo"

A manifestação contou com vários trabalhadores do setor privado guineense, desde bancos até empresas de telecomunicações. O momento serviu para Júlio Mendonça lançar um apelo.

Protesto de trabalhadores na Guiné-Bissau

Centenas de trabalhadores protestaram contra a proposta do OGE de 2021

"Digo aos meus irmãos do setor privado que chegou o momento decisivo. Vocês têm sindicatos, convoquem greve no vosso setor, paralisem o setor juntamente conosco. Se não houver luz, se os bancos se fecharem e não houver Internet, ninguém vai poder fazer nada e veremos onde aquele orçamento vai ser promulgado", disse.

Segundo o Orçamento Geral do Estado, aprovado no Parlamento, o Presidente Sissoco Embaló receberá, em 2021, perto de um milhão de euros.

O presidente do Parlamento e o primeiro-ministro recebem o equivalente a quase 400 mil euros, cada um, enquanto o presidente do Supremo Tribunal de Justiça receberá 152 mil euros.

"Há dinheiro. Se pagam subsídio é porque há dinheiro. Mesmo com um sindicato vamos fazer a greve", anunciou.

Mais manifestações

Esta segunda-feira (18.01), a UNTG convoca mais uma paralisação de cinco dias na administração pública guineense, que vai contar com a adesão dos sindicatos de saúde e dos professores.

Entre os pontos em reivindicação estão a entrada ilegal dos funcionários em diferentes departamentos governamentais, pagamento de salários em atraso aos professores e médicos e a aplicação "integral" do estatuto da carreira docente.

Para o analista político Rui Landim, a saída para a "crise social" é apresentação de propostas concretas.

"Não dizer só diálogo. Tem que se com base em propostas concretas, porque assinou-se vários acordos e memorando, que em nada resultaram. Esta situação tem que ser resolvida", aponta.

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