Guiné-Bissau: ″Repressão de protesto agrava desconfiança sobre processo eleitoral″, diz Presidente | Guiné-Bissau | DW | 27.10.2019
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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: "Repressão de protesto agrava desconfiança sobre processo eleitoral", diz Presidente

Presidente da Guiné-Bissau diz que repressão de protesto agrava desconfianças sobre processo eleitoral e que o Governo não está a servir aos interesses da nação. Neste sábado, um homem morreu durante protestos em Bissau.

Guinea-Bissau Jose Mario Vaz (Getty Images/AFP/S. Kambou)

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, pronunciou-se neste sábado (26.10), após incidentes numa manifestação de oposição, que resultaram na morte de um cidadão guineense, e disse que a repressão do protesto em Bissau agrava a discórdia e as desconfianças sobre o processo de preparação das presidenciais e que o Governo não está a servir os interesses da nação.

"A mortífera violência da repressão policial contra uma marcha pacífica de cidadãos indefesos, que não constituía uma ameaça à segurança, nem às instituições ou à propriedade, representa uma disrupção que se afasta vertiginosamente dos valores que temos promovido, semeando mais crispação e discórdia, agravando as desconfianças em relação ao processo de preparação da eleição presidencial", afirmou José Mário Vaz, numa mensagem à nação.

Na mensagem, o Presidente disse que na Guiné-Bissau "não pode haver mais quero posso e mando, nem para um Governo que dispõe aleatoriamente do direito à vida dos cidadãos". "Um Governo que não só não garante a segurança dos cidadãos, como violenta e abusivamente põe em causa a segurança e a integridade física dos nossos irmãos, não está a servir os interesses da nação guineense", acrescentou.

José Mário Vaz sublinhou em seu discurso que, na semana passada, tinha advertido o Governo a "assumir a responsabilidade plenas pelos seus atos" pela "forma fraturante como vem conduzindo matérias tão sensíveis e determinantes para o futuro" do país. Na segunda-feira à noite, o primeiro-ministro denunciou uma tentativa de golpe de Estado e envolveu um dos candidatos às presidenciais.

Protestos

Proteste in Guinea Bissau (DW/A. Sambú)

Polícia dispera manifestantes em Bissau

Neste sábado (26.10), a polícia guineense dispersou, com recurso a gás lacrimogéneo, uma tentativa de manifestação em Bissau, organizada por vários partidos da oposição e por apoiantes de dois candidatos independentes às eleições presidenciais de 24 de novembro. Uma pessoa morreu e três pessoas ficaram feridas no protesto que não foi autorizado pelo Ministério do Interior. A polícia confirmou também a detenção de três pessoas.

Segundo o Presidente, "os trágicos e mortíferos acontecimentos registados, demonstram que os apelos à sensatez proferidos pelo Presidente da República não tiveram eco dentro do Governo, tentado a todo o custo semear a confrontação, o caos e instabilidade com o objetivo de inviabilizar eleições que se pretendem transparentes, livres e justas no dia 24 de novembro".

José Mário Vaz apresentou também as condolências à família da vítima "desta repressão e deseja rápida recuperação aos cidadãos espancados e violentados pela carga desnecessária e desproporcional ordenada pelo Governo", disse, "em nome do nosso Estado, o Presidente da República apresenta desculpa e roga perdão a todos os que foram vítimas desta insensatez e bárbara maldade", afirmou.

Organizadores pedem inquérito à ONU 

Entretanto, os organizadores do protesto realizado neste sábado em Bissau, e que culminou com um morto, pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR) e às Nações Unidas a abertura de um inquérito.

Num comunicado enviado à imprensa, o Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15, líder da oposição), o Partido da Renovação Social (PRS), a Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB, no Governo) e o Movimento Botche Candé exortam a Procuradoria-Geral da República a abrir um inquérito para "apurar as circunstâncias do assassínio do cidadão Demba Balde, bem como os autores morais e materiais do crime".

Os três partidos e o movimento, que têm contestado a organização das eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro, pedem também um inquérito internacional realizado pelo alto comissariado dos direitos humanos das Nações Unidas. Os organizadores do protesto também lamentam "com estranheza o silêncio do P5, instalado no país, em relação desproporcional da força de ordem contra os manifestantes".

O P5 é da denominação dada às Nações Unidas, União Europeia, União Africana, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que têm apoiado a Guiné-Bissau.

Neste domingo (27.10), o Presidente do comité de sanções da ONU chega a Bissau para avaliar a situação política no país no quadro do regime daquele dispositivo imposto em 2012. Em comunicado enviado à imprensa, a Missão Integrada da ONU para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) refere que o embaixador Anatólio Ndong Mba vai permanecer no país até quarta-feira.

Em 2012, o Conselho de Segurança da ONU impôs sanções contra vários militares guineenses após o golpe de Estado de abril. Agora, a Guiné-Bissau está a viver momentos de alguma tensão política com a organização do processo eleitoral para as eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro.

 

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