Guiné-Bissau: Embaló exige fim do casamento precoce no país | Guiné-Bissau | DW | 29.11.2020

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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Embaló exige fim do casamento precoce no país

Em Gabu, Presidente guineense defendeu o casamento "a partir dos 20 anos". Umaro Sissoco Embaló prometeu ainda a reabilitação das estradas em Gabu, Bafatá e no norte do país e anunciou reforço no combate à criminalidade.

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, exigiu o fim do casamento precoce no país, salientando que as raparigas não podem casar antes dos 20 anos e disse que o lugar das crianças é na escola.

"Ponham as crianças na escola. Não quero ouvir mais falar em casamentos precoces. Estão proibidos de dar em casamento meninas com 14 e 15 anos. Elas têm de casar com o homem que quiserem, que gostarem", afirmou Umaro Sissoco Embaló no sábado (28.11).

O Presidente guineense falava em Gabu perante milhares de pessoas que se reuniram na pista do antigo aeroporto da cidade para receber o chefe de Estado, que regressou à sua terra natal quase um ano depois de assumir a chefia do Estado guineense. A visita que se prolonga até segunda-feira (30.11) e também inclui Bafatá.

Segundo um estudo da organização não-governamental Plan Internacional, divulgado em 2018, quase 40% das guineenses menores de 18 estão casadas.

A legislação guineense determina que a idade para casar é a partir dos 16 anos, mas a Guiné-Bissau ratificou todas as convenções internacionais sobre os direitos das crianças e todas eles estipulam que a idade para casar é a partir dos 18 anos.

"Vocês, régulos, têm de acabar com o casamento precoce. As meninas têm é de ir para as escolas. Casamento é a partir dos 20 anos", disse o chefe de Estado guineense.

Estradas, água e luz

"Queremos estar no mesmo pé que Bissau. Queremos estradas, água e luz", afirmou o deputado do Partido de Renovação Social (PRS, terceira força política do parlamento), Murai Baldé.

O PRS é um dos partidos que apoiou a candidatura de Umaro Sissoco Embaló à Presidência guineense.

"Precisamos de médicos em Gabu. Há mulheres grávidas a morrer", lamentou o régulo central de Gabu, José Seico Embaló.

O régulo central da segunda maior cidade do país advertiu também que a polícia não tem equipamento, nem transporte e que os "bandidos circulam de dia e noite".

José Seico Embaló falou sobre o mau estado das estradas e pediu para serem arranjadas.

"Lançamos um apelo. Queremos saber se és filho de Gabu ou não", disse o régulo.

Em resposta, o Presidente guineense prometeu: "Daqui a um ano não vão reconhecer Gabu".

Umaro Sissoco Emabló disse ainda que iniciou a reabilitação de estradas em Bissau e que depois será a vez de Gabu e Bafatá, a que se vai seguir o norte do país.

"Já estamos a fazer. Nós não vamos esperar 50 anos para começar a fazer o trabalho", afirmou.

Umaro Sissoco Embaló anunciou também que já mandou enviar para todas as regiões do país transporte e equipamentos para a Polícia de Ordem Pública e Guarda Nacional.

A acompanhar o chefe de Estado estavam vários membros do Governo e o líder do Movimento para a Alternância Democrática, Braima Camará.

Apelo ao uso de máscaras

Apesar de inicialmente as pessoas serem obrigadas a lavarem as mãos antes de entrar no perímetro do comício, a situação rapidamente descontrolou-se e milhares de pessoas foram ficando acumuladas no cordão de segurança.

"Vocês têm de usar máscaras. Nós distribuímos máscaras. Temos o coronavírus e a máscara é muito importante", pediu o Presidente aos seus apoiantes, mas sem qualquer efeito.

"Vocês têm de ter noção da responsabilidade. Ponham isso na vossa cabeça", insistiu o chefe de Estado, mas a população continuou sem colocar qualquer máscara na cara.

Assistir ao vídeo 03:18

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