Guiné-Bissau: Chefe de Estado-Maior denuncia mobilização para golpe de Estado | Guiné-Bissau | DW | 14.10.2021

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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Chefe de Estado-Maior denuncia mobilização para golpe de Estado

O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general Biagué Na N'Tan, denunciou nesta quinta-feira tentativas de mobilizar militares com cerca de 15 euros para reverter a ordem constitucional.

General Biagué Na N'Tan

General Biagué Na N'Tan

"Quero pedir-vos, vocês da Polícia Militar, para não alinharem com as pessoas que estão a mobilizar militares nos quartéis, porque nada se esconde hoje", afirmou o general Biagué Na N'Tan.

Segundo o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, os jovens mobilizados denunciam a situação aos superiores, porque "sabem que querem estragar o seu futuro".

"Os dez mil francos cfa [cerca de 15 euros] que estão a distribuir para abertura de conta bancária não resolvem os vossos problemas e os da vossa família", advertiu o chefe das Forças Armadas guineenses.

Biagué Na N'Tan falava na cerimónia para assinalar o dia da Polícia Militar (PM) da Guiné-Bissau. O batalhão da Polícia Militar guineense é constituído por dezenas de efetivos e responde diretamente à divisão de operações e treino do Estado-Maior General das Forças Armadas.

General diz que sabe quem são

 Na ocasião, o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas apelou aos militares para não alinharem com as pessoas que querem desestabilizar a Guiné-Bissau, exortando-os a que ajudem na edificação da paz no país.

Guinea-Bissau Armee Soldaten

Segundo Biagué Na N’Tan, os jovens mobilizados denunciam a situação aos superiores, porque "sabem que querem estragar o seu futuro"

"Quero garantir-vos que as Forças Armadas desistiram da política e vocês também não devem envolver-se na política. Desistam da política, camaradas. Conheço todos os militares que estão a tentar mobilizar-vos, mas quero pedir-lhes para pararem, porque quem sai prejudicado somos nós, os militares”, afirmou.

Segundo o general guineense, os militares envolvidos naquelas situações são detidos e ficam sem salário, "a mendigar”, e os políticos "ficam à vontade".

"As Forças Armadas estão a caminhar progressivamente, mas temos de acompanhar essa dinâmica com paz e estabilidade, porque sem paz não podemos fazer nada e nem podemos pensar que haverá investimentos do setor privado no nosso país", disse.

A Guiné-Bissau já foi alvo de vários golpes de Estado, tendo o último ocorrido em 2012 e militares guineenses estão desde então sob sanções das Nações Unidas.

Governo reage

Contactado esta quinta-feira à tarde pela DW África, o porta-voz do Governo guineense, Fernando Vaz, rejeitou que esteja em curso a preparação de um golpe de Estado.

Vaz disse que a intervenção de Biagué Na N'Tan pode ser interpretada como um simples conselho aos militares: "Aquilo que é habitual no general é fazer conselhos aos mais jovens. Foi dentro desta perspetiva que ele falou. Não há nenhum golpe de Estado em preparação, desminto categoricamente."

Artigo atualizado às 21:59 (CET) de 14 de outubro de 2021 com a posição do Governo guineense.

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