Funcionários roubam medicamentos de hospitais em Inhambane | Moçambique | DW | 27.09.2018

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Moçambique

Funcionários roubam medicamentos de hospitais em Inhambane

Utentes chegam a pagar cinco vezes mais por medicamentos em farmácias privadas e mercados informais de Inhambane, sul de Moçambique, devido à falta de remédios nos hospitais públicos. Autoridades reconhecem problema.

Os hospitais públicos da província de Inhambane estão sem medicamentos devido a roubos ou desvios protagonizados pelos próprios funcionários.  A situação é tão grave que os pacientes chegam a adquirir os fármacos em mercados informais, residências de particulares e em farmácias privadas.

Num debate organizado pelo Grupo Moçambicano da Dívida no princípio deste mês em Maxixe, o porta-voz do evento, Egas Daniel, criticou o problema que está a afetar a população local. "Normalmente não tem sido fácil. Um privado é uma pessoa que cria seu hospital e adquire medicamentos para a província, mas um hospital do Estado não conseguir ter os medicamentos, isso não é lógico", sublinha.

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Funcionários roubam medicamentos de hospitais em Inhambane

Maria Savanhane, uma paciente e residente em Inhambane, disse à DW África que é comum a falta de medicamentos nos hospitais públicos, porque os próprios funcionários criam as suas farmácias.

"É claro que todo o mundo diz que os próprios funcionários de lá é que desviam medicamentos e acabam metendo nas próprias farmácias para a gente adquirir", afirma.

Jorge Massicame, outro residente na Maxixe, revelou que não conseguiu tratar uma doença da sua filha por não ter medicamentos na farmácia pública. No privado, estava acima da sua capacidade financeira.

"Receitaram-me este medicamento e na farmácia não havia, assim tinha que arranjar meios e não consegui. Era 400 meticais [cerca de 6 euros]. Tem acontecido várias vezes. O que pode resultar isso?", questiona.

Autoridades reconhecem problema

Stélio Tembe, porta-voz da Direção Provincial da Saúde em Inhambane, reconhece a existência do desvio de medicamentos nas unidades sanitárias, ato praticado pelos funcionários. Os medicamentos vendidos no mercado informal são os mesmos que são fornecidos aos hospitais.

"Muitas vezes são os mesmos medicamentos que no hospital custam somente 5 meticais [abaixo de 0,5 centavos de euros], mas quando estão lá fora acabam fazendo por exemplo uma carteira de antimalárico por 200, 300 e 400 meticais [equivalente a 3, 4 e 6 euros]. Infelizmente esses medicamentos são vendidos nos mercados informais ou nas residências privadas", diz.

Para acabar com esta situação, as autoridades governamentais estão a trabalhar em conjunto promovendo palestras nas comunidades envolvendo a população e a polícia, segundo explica Stelio Tembe.

"Trabalhamos de forma multisetorial, colocamos a população vigilante, aproveitamos todos os momentos para palestras, também com o envolvimento dos comandos da polícia. Nós sabemos que está acontecer e nós condenamos essa prática", sublinha.

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