Estudantes angolanos ″inconformados″ com aumento das propinas | Angola | DW | 03.10.2021

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Angola

Estudantes angolanos "inconformados" com aumento das propinas

Em Benguela, a polícia frustrou uma marcha de estudantes contra o aumento de 25% das propinas nas instituições superiores de ensino. Ativistas querem a revogação do decreto que "está a deteriorar" a educação em Angola.

Estudante com cartaz contra aumento de propinas em Angola

Estudante protesta contra aumento de propinas em Benguela

Rui Valles, coordenador do movimento Lev Arte na província angolana de Benguela, lamenta o facto de os manifestantes terem sido impedidos de marchar como estava previsto.

"Hoje, saímos para marchar conforme a solicitação deixada no Comando Municipal da província de Benguela. Mas, infelizmente, não foi possível marcharmos por proibição de decreto. Estão aqui a ferir os nossos direitos", disse.

"O povo é soberano do país e nenhum decreto está acima do povo. Nenhum decreto está acima da nação. Não é possível aumentar-se o preço das propinas. Nós queremos manifestar, mas os polícias estão a mostrar que estão prontos para nos deter", acrescentou.

Estudante protesta contra aumento de propinas em Angola

Estudantes estão inconformado com a degradação do ensino

Falta de ensino de qualidade

Maria do Carmo Correia, membro da Lev Arte, diz que a atual conjuntura económica do país não favorece o aumento das propinas nas universidades.

"O que nos preocupa é a subida das propinas, a má qualidade de ensino nas escolas, a falta de materias para qualidade de ensino, de laboratórios, de bibliotecas, e de professores qualificados nas nossas escolas aqui em Benguela. Mas, mesmo assim, ainda foi publicada esse Decreto 420/21 que visa ao aumento das propinas. E nós não estamos em condições, não só nas escolas por falta de qualidade, como também a vida dos angolanos", explica.

"Nos últimos anos, o angolano está viver por momentos difíceis, porque perdemos o poder de compra com o aumedto da cesta básica e os nossos pais estão desempregados", complementa Maria do Carmo.

Estudantes protestam contra aumento das propinas em Benguela, Angola

A marcha não avançou devido à ameaça de detenções por parte da polícia angolana

Cresce a insatisfação

Lourenço Ezequias diz que não está satisfeito com a decisão do aumento de propina. "Estamos a reclamar porque não nos vemos satisfeitos com as últimas decisões do Ministério da Educação, sobretudo este decreto que menciona a subida do preço da propina de 25% nas universidades privadas do país", afirma.

"Isso não faz sentido, porque o custo de vida está alto e os jovens que nem têm condições de fazer a faculdade. Então, subindo mais uma percentagem, estaremos a infernizar a vida do povo."

O ativista cívico Gabriel Kundi diz que o aumento das propinas é um ato "maquiavélico e injusto". "Nós enquanto cidadãos e parte deste Estado não podemos permitir que o Governo, na pessoa do Presidente João Lourenço, aprove uma lei que coloca a juventude em posição desvantajosa", critica.

A ativista Florence Afonso, de 17 anos, está inconformada com a situação. "Somos estudantes e a nossa luta é contra o Governo que não vela pelo seu povo, mais sim pelo seu bolso", disse.

"Nosso Presidente João Lourenço alguma vez disse que o futuro de Angola está na educação do homem e não no preço do petróleo. Agora, será que as práticas do nosso Presidente vão de acordo com a realidade?", questionou a jovem.

Assistir ao vídeo 01:19

Angola: Marcha contra propinas termina num impasse entre manifestantes e a polícia

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