Egito dividido entre ex-ministro de Mubarak e candidato islâmico | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 28.05.2012
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Internacional

Egito dividido entre ex-ministro de Mubarak e candidato islâmico

No Egito, o candidato da Irmandade Muçulmana e o ex-primeiro-ministro do regime deposto na primavera árabe, vão disputar a segunda volta das presidenciais. Agora o anúncio é oficial.

Desde a semana passada, a imprensa já destacava que as eleições no Egito iriam para um segundo turno, mas o resultado ainda era provisório.

O anúncio oficial, desta segunda-feira (28.05), ocorre um dia depois de quatro candidatos terem apresentado um recurso na comissão eleitoral do país, alegando fraudes na primeira volta.

Mais de 50 milhões de egípcios foram chamados às urnas, nas passadas quarta e quinta-feira (23 e 24.06), para escolher, entre 12 candidatos, o sucessor de Hosni Mubarak, derrubado por uma revolta popular em fevereiro de 2011.

Mas como nenhum dos candidatos garantiu a maioria exigida por lei, o escrutínio irá à segunda volta, que será disputada em 16 e 17 de junho.

Os dois candidatos que garantiram o maior número de votos foram Mohammed Mursi, da Irmandade Muçulmana, e Ahmad Shafiq, ex-primeiro-ministro do antigo presidente Hosni Mubarak.

População egípcia ansiosa com o futuro do país

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Egito "partido ao meio"

De acordo com os resultados oficiais, Mursi obteve 5,76 milhões de votos, enquanto Shafiq somou 5,5 milhões de votos. Em terceiro lugar ficou o candidato de esquerda Hamdeen Sabahi, com 4,82 milhões de votos.

Com uma diferença apertada, Shafiq e Mursi chegam à segunda volta e surpreendem os revolucionários egípcios. A jovem Rana Gaber, de 25 anos, está desiludida com os resultados. "Temos de escolher entre a Irmandade Muçulmana, que está a vender a revolução, e o antigo regime, contra o qual fomos para as ruas protestar".

Especialmente odiado pelos revolucionários é Ahmad Shafiq. Foi ele quem teria dado ordens às tropas especiais para atacarem os manifestantes no início da revolução, na praça Tahrir.

Shafiq, o único candidato que não acha necessário apresentar um programa de governo, foi escolhido por eleitores como Ragab Madbuli, que acredita que o ex-primeiro-ministro de Hosni Mubarak trará segurança ao país, porque tem experiência. "Se deus quiser, ele será o próximo presidente do Egito. A revolução acabou e ele traz de volta a estabilidade”, defende Madbuli.

A Irmandade Muçulmana, que obteve a maioria dos votos, também quer reaver a estabilidade. Se Mursi vencer a próxima volta, o Egito será a primeira República da Irmandade Muçulmana.

No Parlamento, os membros da Irmandade Muçulmana tentam de tudo para chegar ao palácio presidencial, nem que isso implique em uma união com os revolucionários, para criar uma frente de oposição ao antigo regime, como explica Sayed Mustafa, da Irmandade Muçulmana: "Agora todos os revolucionários devem lutar contra os inimigos da revolução, contra o antigo regime".

Mais de 50 milhões de egípcios foram chamados às urnas

Mais de 50 milhões de egípcios foram chamados às urnas

Censura durante as eleições

Apesar de terem sido impostas restrições sem precedentes aos observadores, o processo eleitoral foi considerado encorajador pelo ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, que chefia uma delegação de observadores às presidenciais egípcias.

Segundo Carter, tanto a sua delegação como os observadores nacionais e outros observadores internacionais foram impedidos pela comissão eleitoral - cuja autoridade reconhecem - de ter acesso livre aos meios de comunicação social durante o processo eleitoral para indicar os problemas que observaram.

Nos próximos dias, as negociações deverão ser intensas no Cairo. A campanha eleitoral deverá recomeçar.

Autora: Viktoria Kleber / Madalena Sampaio
Edição: Bettina Riffel / Helena Ferro de Gouveia

Ouvir o áudio 03:22

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