Deve o Governo angolano avançar para a privatização da TAAG?
11 de março de 2026
A decisão está tomada. O Governo angolano vai mesmo avançar com a privatização da TAAG, a principal companhia aérea do país, ainda este ano, no âmbito do Programa de Privatizações (PROPIV), através da abertura de um concurso público com prévia qualificação.
Os sucessivos maus resultados económicos da transportadora nos últimos anos podem estar na base desta decisão, inicialmente prevista para 2021.
De acordo com o jornal Expansão, só em 2024 a TAAG registou prejuízos de 134,2 mil milhões de kwanzas (pouco mais de 126 milhões de euros), depois de ter registado perdas de 90,1 mil milhões de kwanzas (o equivalente a 93 milhões de euros) em 2023.
Para o economista Daniel Lando, a privatização da TAAG, mais do que necessária, é urgente: "Estamos perante uma empresa que tem sido sustentada mais pelas transferências do Orçamento do Estado do que pela produtividade da sua atividade económica", aponta.
Quem também concorda com a privatização da companhia aérea de bandeira é o consultor económico Galvão Branco.
Na sua opinião, trata-se de "um tema que se ajusta ao momento que a companhia aérea vive e que carece, de facto, de decisões estratégicas que resolvam a situação da TAAG face à sua condição de poder ser autossustentada".
"Privatização é urgente"
Mas o anúncio da privatização também está a suscitar outras leituras sobre o papel social e estratégico da TAAG enquanto empresa pública.
O economista Ladislau Francisco diz não ser contra a privatização da empresa, mas defende a necessidade de o Estado se manter na estrutura societária da TAAG, de modo a salvaguardar as questões de interesse nacional e regional no transporte aéreo.
"O que é que vamos fazer quando houver necessidade de transporte? O que é que vamos fazer quando as outras companhias não acharem atrativos certos mercados, tendo nós estas questões muito associadas às províncias?", questiona Ladislau Francisco.