Caso 900 milhões: ″São Vicente foi preso porque pode obstruir meios de prova″ | Angola | DW | 24.09.2020
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Angola

Caso 900 milhões: "São Vicente foi preso porque pode obstruir meios de prova"

Jurista ouvido pela DW crê que não houve exageros da justiça ao determinar a prisão preventiva de Carlos São Vicente. Para ativistas, há razões para a indignação da família de Agostinho Neto sobre a cobertura do caso.

O jurista angolano Manuel Pinheiro aponta duas razões que levaram a Procuradoria-Geral da República de Angola (PGR) a pedir a prisão preventiva do empresário Carlos São Vicente no âmbito do Caso 900 milhões.

A primeira prende-se ao facto de o empresário estar indiciado por uma pluralidade de infrações penais – como peculato, apropriação ilegítima de bens, tráfico de influência e associação de malfeitores.

"Estes crimes, regra geral, são punidos com pena maior. É cabível, no âmbito da prisão preventiva", avalia Pinheiro, que também acredita que "Carlos São Vicente tem capacidade para obstruir os meios de prova e continuar a delinquir".

Questionado sobre se as provas da PGR são "plenas" para se aplicar a prisão preventiva - uma vez que a investigação sobre Carlos São Vicente partiu da Suíça - Manuel Pinheiro não tem dúvidas. "As provas nesse caso concreto são bastantes e plenas porque São Vicente não consegue explicar como conseguiu arrebanhar tanto dinheiro como fruto do seu trabalho", destaca. 

Irene Neto (Artur Machado/Global Images/Imago Images)

Família indignada: Irene Neto é a filha do ex-Presidente Agostinho Neto

O empresário angolano Carlos São Vicente foi ouvido esta terça-feira (22.09) na Direção Nacional de Investigação e Acção Penal, órgão afeto à PGR. Ao fim do interrogatório de cerca de sete horas, o empresário foi encaminhado para prisão de Viana, na região metropolitana de Luanda. 

Indignação da família

A família de António Agostinho Neto "repudia" quem associa o seu nome ao escândalo que envolve o marido de Irene Neto, filha do primeiro Presidente angolano. Em comunicado tornado público no início deste mês, a família mostrou-se "indignada" com o uso do seu nome no caso.  

O ativista Nelson Euclides diz que a indignação tem razão de ser: "Sim, deve-se responsabilizar mesmo o próprio São Vicente, porque, afinal de contas, é um adulto e sabia de tudo". 

Ouvir o áudio 02:45

“São Vicente foi preso porque pode obstruir meios de prova”

Euclides, porém, destaca a contradição da filha de Agostinho Neto, uma vez que "a própria Irene Neto várias vezes veio a público lamentar [que várias famílias foram favorecidas em detrimento da sua família.] Mas, afinal de contas, vivem nos colchões de milhões", constata. 

O grupo empresarial de seguros e hotelaria AAA, chefiado por Carlos São Vicente, é um dos maiores a operar em Angola.

Entenda o caso 900 milhões

Uma investigação sobre uma conta bancária de Carlos São Vicente está em curso na Suíça. A justiça do país europeu autorizou o congelamento de cerca de 900 milhões de dólares do empresário por suspeitas de branqueamento de capitais. 

Na sequência, a PGR angolana decidiu intimar Carlos São Vicente a prestar esclarecimentos sobre suspeitas de vários crimes no âmbito do grupo empresarial AAA. A PGR também ordenou o congelamento e apreensões de bens de Irene Neto, filha do ex-Presidente António Agostinho Neto.

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