Angolanos investem em água e saúde em Portugal | Angola | DW | 30.04.2012
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Angola

Angolanos investem em água e saúde em Portugal

Angola continua atenta a investimentos em Portugal, atingido por crise. Com plano de privatizações, petrolífera Sonangol quer investir em hospitais e recursos hídricos. "Não é colonização ao contrário", diz analista.

Setor das águas em Portugal, especialmente o dos resíduos, poderá ser alvo de investimentos angolanos

Setor das águas em Portugal, especialmente o dos resíduos, poderá ser alvo de investimentos angolanos

O programa de privatizações em Portugal, inscrito no Memorando de Entendimento que o país assinou com credores internacionais, está a atrair capitais estrangeiros, com origem em África, na Ásia e na América Latina.

A empresa petrolífera estatal angolana Sonangol insiste numa nova ofensiva, no âmbito da sua estratégia de internacionalização, para investir no setor da saúde em Portugal. O próximo alvo é a privatização da HPP Saúde – Hospitais Públicos de Portugal, do grupo financeiro do Estado Caixa Geral de Depósitos. Com esta instituição bancária, a Sonangol tem um acordo de parceria para a constituição, ainda este ano, de um banco de investimento, dotado de um capital de 400 milhões de euros.

O BES Saúde é outro dos interessados na HPP. A intenção da companhia angolana em comprar parte de um dos três maiores grupos de saúde privados portugueses já vem de 2011, e foi reiterada ao ministro português das Finanças, Vitor Gaspar, durante visita deste a Angola em finais de março.

Programa de austeridade e privatizações em Portugal atrai capital estrangeiro

Programa de austeridade e privatizações em Portugal atrai capital estrangeiro

"Era bom que viessem mais"

Os investimentos de Angola em Portugal já abarcam os setores da banca, energia, comunicação social, do turismo e do imobiliário. Murteira Nabo, da Confederação Empresarial dos Países de Língua Portuguesa presidida por Angola, considera esta pretensão como parte de uma relação económica mais forte que sempre defendeu entre os países lusófonos."Que haja investidores portugueses em Angola e Moçambique, por um lado, e angolanos aqui", disse em conversa com a DW África.

Nabo confirma que existe uma ofensiva de investimentos africanos em Portugal – mas parece achar que esses investimentos ainda são tímidos. "Era bom que viessem mais. Acho que é bom que os investidores angolanos estejam nos seguros, na banca, na energia, na saúde... só vejo vantagens nisso!", exclamou.

"Inundações" de capital estrangeiro sem barreiras em Portugal

Os contornos da privatização não são ainda claros, mas o setor das águas, mais precisamente a sub-holding da área dos resíduos, também está no horizonte dos investidores angolanos.

Hospital em Leiria (foto: 2009). Privatização do setor também é alvo de investimentos da Sonangol

Hospital em Leiria (foto: 2009). Privatização do setor também é alvo de investimentos da Sonangol

O investigador Carlos Manuel Lopes, do Centro de Estudos Africanos do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, concorda que, no contexto atual, Portugal só tem a ganhar com este tipo de investimentos nas privatizações. "Nesta altura, as condições concretas da economia portuguesa não são de molde a colocar dificuldades ou pelo menos barreiras significativas à entrada de capital externo", avalia o economista.

"Há uma falta de liquidez grande. A Sonangol chega com dinheiro líquido, capitais próprios, e vai fazer uma injeção de capital importante, como outras empresas angolanas estão a fazer ao entrar no mercado português", diz Lopes, para quem não há aqui uma estratégia do Estado angolano em "invadir" Portugal, fazendo uma "colonização no sentido inverso".

"Não me parece que haja articulação entre a estratégia da Sonangol com, por exemplo, a estratégia de outros interesses empresariais angolanos, nomeadamente aqueles que estão associados à figura da Isabel dos Santos [filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos]", explica o professor, para quem faz "algum sentido" o investimento da Sonangol em Portugal, uma vez que é uma empresa em "processo de internacionalização".

Para o investigador Carlos Manuel Lopes, a relação estratégica de Portugal com Angola deve ter igualmente em conta a importância do Brasil, duas economias emergentes no grupo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) com ambições no mercado da União Europeia.

Esta visão é também defendida pelo ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. Daí a aposta no fomento da cooperação entre Portugal e Angola, dois países que querem liderar o processo de integração da Comunidade Lusófona: "Acho que a relação económica entre os dois países nunca foi tão boa como hoje porque existe uma grande vontade dos dois governos em fomentar as relações bilaterais e promovermos uma maior integração e cooperação económica entre os dois países", afirmou o ministro à DW África.

Ouvir o áudio 03:45

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