Angola: O que pretende o MPLA ao resgatar políticos influentes? | Angola | DW | 10.04.2021

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Angola: O que pretende o MPLA ao resgatar políticos influentes?

Ativistas dizem que João Lourenço "ilude-se" ao pensar que será reeleito por "pescar" figuras com imagens gastas. A indicação de políticos da era JES para altos cargos do MPLA é vista como um sinal de perda popularidade.

Comité do MPLA em Luanda

Comité do MPLA em Luanda

Após terem sido afastados da liderança do Movimento pela Libertação de Angola (MPLA) depois de João Lourenço assumir a presidência do partido que governa Angola, Rui Falcão, ex-governador de Benguela, voltou ao Bureau Político para assumir as funções secretário para Informação. Virgílio Fontes Pereira, que já foi ministro da Administração do Território, volta a ocupar o cargo de presidente do Grupo Parlamentar do MPLA.

Também volta em grande, para o topo do partido dos camaradas, o deputado Bento Francisco Bento, o Bento Bento. O político que governou Luanda até 2016, volta a ser o líder do Comité Provincial do MPLA em Luanda, a maior praça eleitoral de Angola.

Este mês, o partido realiza uma conferência extraordinária para confirmar a eleição de Bento Bento ao cargo de primeiro secretário do "M" na capital angolana, em substituição a Joana Lina, que vai se dedicar somente ao cargo de governadora de Luanda - província que vive uma crise de saneamento básico há quase três meses.

Assistir ao vídeo 07:26

Como enfrentar o problema do lixo em Angola?

A decisão saiu da quinta sessão ordinária do Comité Central, orientada pelo presidente do MPLA, João Lourenço, realizada na passada terça-feira (06.04), em Luanda.

Conhecido como grande mobilizador das massas, Bento Bento dirigiu o MPLA na província de Luanda, entre 2007 e 2016. Neste ano pré-eleitoral, foi "repescado" para o Bureau Político.

O que vai mudar no cenário político angolano?

O regresso destas figuras é um assunto político da semana em Angola. Nas redes sociais, as opiniões divergem quanto à produtividade destas figuras. Afinal, o que vai mudar na política angolana com a "ressurreição" dos "dinossauros políticos"? O analista político Wilson Calunga diz que a nova tática do "xadrezista" JLo vai obrigar a oposição a repensar a sua estratégia.

"Tendo em conta que Luanda é a maior praça eleitoral, é sempre importante atualizar as estratégias políticas para se adequar melhor com o tempo e com quem se concorre. A UNITA, por exemplo, teve situações menos boas no seu comité provincial nos últimos tempos, e esse regresso certamente, vai mudar a estratégia política da oposição em Luanda", diz o analista angolano em entrevista à DW em Luanda.

Para Wilson Calunga, visto que a oposição está cada vez mais ativa e que vai ganhando mais apoio da sociedade civil, o país poderá registar mais tensão na disputa política porque o partido no poder não vai querer perder terreno.

Angola Wilson Calunga

Wilson Calunga, analista angolano

"Estas alterações ao nível do secretariado provincial vêm mais adequar as estratégias com o tempo que se vive. Estamos num cenário político onde se vê mais atuação da oposição, é importante reenquadrar as estratégias do partido com os militantes com experiência suficiente, com os militantes que têm consigo, capacidade de maior mobilização e maior respostas ao nível do cenário político que se vive no país".

"Contexto atual tem novos desafios"

O ativista angolano Hitler Samussuco, promotor de manifestações contra a governação do MPLA, diz que a atualização do Bureau Político com estas figuras é prova de que o partido no poder e o seu líder perderam a popularidade face à situação atual do país. Samussuco afirma que os veteranos do MPLA não estão em forma para reconquistar o eleitor que está "desiludido" com o regime.

"Rui falcão saiu da província de Benguela sob pressão, Virgílio Fontes Pereira não tem mais nada para dar, é muito mais velho, já está na terceira idade. Bento Bento também ficou ultrapassado com o tempo. Se João Lourenço estiver a pensar ser desta forma que será reeleito, estará a iludir-se porque o atual contexto tem novos desafios", afirma o ativista angolano à DW.

Para Samussuco, "há um registo de crescimento por parte da oposição, as pessoas sentem-se mais livre em falar da oposição que no passado". "Então", prossegue o ativista, "essas mexidas só representam um reconhecimento do esvaziamento do próprio regime por parte de João Lourenço e o reconhecimento da impossibilidade eco índice elevado da rejeição da sua candidatura".

UNITA não teme "mexidas" no MPLA

O retorno do grande mobilizador do MPLA em Luanda não intimida a oposição, segundo o líder da UNITA na capital angolana. Nelito Ekuikui afirma que as mexidas são alterações normais e que "são figuras bem conhecidas, que já deram o seu melhor na política. A sua entrada não constitui novidade e tão pouco ameaça".

Ekuikui diz que "a indicação do deputado Bento Bento para primeiro secretário do MPLA em Luanda, enquadro-a numa perspetiva normal".

"Naturalmente visa trazer alguma dinâmica ao nível das estruturas de base do MPLA, também considero uma alteração normal, e não vai mudar absolutamente, nada. Não vai mudar o sentido do voto tão pouco a simpatia que os eleitores têm pela UNITA. Portanto, é uma alteração normal. Mas esperemos 2022 para o julgamento final", afirma Nelito Ekuikui.

Leia mais