Angola: João Lourenço quer MPLA focado nas autárquicas de 2020 | Angola | DW | 16.06.2019
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Angola

Angola: João Lourenço quer MPLA focado nas autárquicas de 2020

No encerramento do VII Congresso Extraordinário do MPLA, João Lourenço apelou aos membros que se mantenham focados nas autárquicas de 2020. E disse que o partido está "rejuvenescido" com quadros superiores de qualidade.

João Lourenço depois de votar nas eleições gerais de 2017

João Lourenço depois de votar nas eleições gerais de 2017

Num discurso no encerramento do VII Congresso Extraordinário do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), este domingo (16.06), em Luanda, o também Presidente de Angola referiu-se à estratégia do partido até às eleições previstas para 2020, apelou ao resgate dos valores e da cidadania, exigiu o cumprimento das obrigações fiscais por parte das grandes empresas e pediu maior apoio para as micro, pequenas e médias empresas.

Na esfera económica, o líder do MPLA, eleito em 2018 como substituto de José Eduardo dos Santos, apelou também ao aumento da produção nacional, de forma a diminuir as importações e aumentar a autossuficiência alimentar, e garantiu que o Governo a que preside "está a criar condições para o investimento do setor privado" no país.

"O aumento da produção nacional só se conseguirá se o setor privado se envolver. O Estado não foge das suas responsabilidades para ajudar a criar as infraestruturas - água, energia e acessos rodoviários e ferroviários -, mas cabe ao privado crescer e gerar emprego", disse João Lourenço.

Nesse sentido, lembrou estar em curso um processo de privatizações de empresas públicas "ociosas, que nada ou pouco produzem", pelo que a intenção é "descolar dessa prática" e "mostrar ao mundo" que Angola está a sair das "intenções para a ação".

ANGOLA Rücktritt Jose Eduardo Dos Santos von Vorsitz MPLA

João Lourenço (esq.) e José Eduardo dos Santos (dir.) durante o VI Congresso do MPLA, em setembro de 2018

"Temos de fazer chegar o crédito, ou o microcrédito, a todo o país, para que as pessoas não sejam obrigados a deslocar-se a Luanda, tarefa que cabe aos bancos, que têm de passar a ter dimensão nacional para ir ao encontro dos cidadãos", defendeu João Lourenço, entrando, por aí, na questão da descentralização do poder e as inéditas eleições para as câmaras municipais, previstas para 2020.

O líder do MPLA disse que todo este processo tem de deixar de ser conjuntural, limitado no tempo, "para se tornar para sempre", de forma a evitar o "muito peso" do Estado, nomeadamente nas empresas públicas, tirando "pressão" ao emprego na administração pública: "O Estado não pode ser o empregador número um", afirmou.

Eleições e desenvolvimento

Nesse sentido, mostrou-se convicto de que, com a entrada de novos 134 membros para o Comité Central do MPLA (decisão aprovada no sábado no conclave e que aumentou o número de elementos deste órgão para 497), na maioria com menos de 45 de idade anos e com formação superior, o rejuvenescimento do partido está garantido, preparando-o para os desafios do desenvolvimento e eleitorais.

João Lourenço negou que a entrada de novos membros para o Comité Central implique a saída da "velha guarda" e recorreu a nova analogia futebolística, ao afirmar que um treinador faz normalmente duas ou três substituições num jogo e que nunca viu um técnico a fazer oito ou nove, alertando, porém, que "poderá haver substituições, "que vão acontecer quando tiverem de acontecer e no tamanho que tiverem de acontecer".

"A meta é a ambição da produção, da exportação e do fomento do emprego e esse é um dever que cabe, antes de mais, aos militantes do MPLA, a todos. É um dever que temos de fazer pela pátria", concluiu.

O VII Congresso Extraordinário do MPLA, iniciado no sábado, terminou também com a eleição do novo secretário-geral do partido - entrou Paulo Pombolo, até agora secretário para a Informação e porta-voz do "Éme", para o lugar de Boavida Neto, no cargo desde setembro de 2018 - e com a votação para o novo Bureau Político, de 72 membros.

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