Angola: Haverá debate entre os candidatos à Presidência da República? | Angola | DW | 14.01.2022

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Angola

Angola: Haverá debate entre os candidatos à Presidência da República?

Faltam menos de oito meses para as eleições gerais em Angola, e aumentam os pedidos para um debate eleitoral entre o candidato do MPLA, João Lourenço, e os cabeças de lista dos restantes partidos.

Bildkombo João Lourenço und Adalberto Costa Júnior

Adalberto Costa Júnior já desafiou João Lourenço para um debate antes das eleições gerais

O líder da UNITA já desafiou o presidente do MPLA para um debate antes das eleições gerais de agosto. Adalberto Costa Júnior disse que, se João Lourenço "não tem medo", devia sentar-se frente a frente consigo, "abraçar o jogo democrático" e comparar projetos políticos.

Até agora, o líder do partido no poder não respondeu ao repto. Mas Eduardo Dumba Delfim, segundo secretário da UNITA no Huambo, insiste na realização do debate, pois seria o espaço ideal para os eleitores conhecerem os programas eleitorais dos partidos políticos, a que não conseguem aceder por outras vias.

"O debate público, aberto e transparente - sobretudo entre as duas lideranças, mas incluindo também as lideranças dos demais partidos - facilitaria com que cada cidadão pudesse desenvolver o seu intelecto, identificando o que de facto cada liderança pensa sobre o país, a economia, a política e sobre questões sociais", explica.

Angola Huambo | UNITA | Delfim Eduardo Dumba

Eduardo Dumba Delfim, segundo secretário da UNITA no Huambo, insiste na realização do debate

Falta cultura de debate

No entanto, em Angola, ainda não há uma cultura de debates entre os candidatos a Presidente da República, comenta o politólogo Olívio Nkilumbu. As últimas eleições foram um exemplo disso.

"Em 2017, os contendores do Presidente João Lourenço desafiaram-no a um debate. Ele mostrou-se disponível, mas depois fugiu. Acho que foi uma oportunidade que o Presidente João Lourenço perdeu. No entanto, também é preciso ver que nem todo candidato está preparado para um debate e o Presidente João Lourenço não tem perfil para discutir, infelizmente".

Para o politólogo, a falta de uma tradição de debates presidenciais também tem a ver com o sistema político instalado no país, que dificulta o confronto de ideias.

Papel da comunicação social

Mas ainda é possível romper com essa tradição, salienta o comunicólogo André Sibi. Basta que os órgãos de comunicação social desafiem os cabeças de lista dos partidos, acrescenta.

Deutsche Welle Bonn Französisch Sendestudio SK2

Proposta do debate deve partir da comunicação social, defende o comunicólogo André Sibi

"São os meios de comunicação social que devem ter a ousadia de escrever ao Presidente da República e propor também a presença de outros candidatos para um frente a frente, e não ser um candidato a convidar o outro."

António Solya Solende, secretário provincial do Partido de Renovação Social (PRS) no Huambo, concorda. O político espera que este ano haja debates presidenciais.

"Achamos que vai mostrar o potencial de cada um desses concorrentes e será muito importante para as próprias eleições. No nosso entender, esse debate devia acontecer no início da campanha eleitoral", defende.

Os debates podem servir de barómetro para avaliar a desenvoltura dos candidatos e a clareza dos seus programas perante o eleitorado, acrescenta Solende.

A DW África contactou a direção do MPLA no Huambo para um posicionamento sobre este tema, mas não obteve resposta.

Assistir ao vídeo 10:01

Angola, um "xadrez político"

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