Angola e Guiné-Bissau cada vez mais afetados pelas alterações climáticas | Angola | DW | 17.06.2018

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Angola e Guiné-Bissau cada vez mais afetados pelas alterações climáticas

Angola terá a frequência e a gravidade dos eventos de seca aumentadas no futuro, segundo documento da ONU. Governo admite problema e busca soluções. Governo da Guiné-Bissau apela ao combate à desertificação.

Segundo comunicado do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) alusivo ao Dia Mundial do Combate à Desertificação e à Seca, que se assinala este domingo (17.06), os efeitos da quantidade insuficiente de água disponível para as pessoas, gado e cultura nas regiões mais secas de Angola são agravados pela quantidade insuficiente daquele líquido, em que a água da superfície recolhida em depressões é frequentemente utilizada para consumo humano, por falta de alternativas melhores.

Angola enfrenta períodos de seca desde 2012, que afetou 1,2 milhões de pessoas - das quais 1,1 milhão são das províncias do Cunene, Huíla e Namibe, as regiões onde a estiagem se fez sentir com maior impacto.

A nota do PNUD salienta que o Governo angolano presume que as intervenções de curto prazo não interrompem as secas recorrentes que afetam a região sul e reconhece a necessidade de desenvolver um programa de médio a longo prazo para aumentar a resiliência das comunidades afetadas nessas províncias com vista a quebrar um ciclo recorrente.

Uma Avaliação das Necessidades Pós-Desastre 2012-2016 realizada por Angola, com o apoio das Nações Unidas, União Europeia e Banco Mundial, refere que os danos e prejuízos causados pela seca em Angola totalizam 750 milhões de dólares e que, em cada ano, 1,2 milhões de pessoas foram afetadas.

Dürre in Angola

Em 2016, faltou alimento na província do Cunene, no sul de Angola, afetado pela seca

Em busca de soluções

Para recuperação dos efeitos da seca, o Governo angolano desenvolveu um quadro para o período de 2018 a 2022, que define a visão e os princípios, ações de curto, médio e longo prazo em nove setores, necessidades e instrumentos financeiros, bem como uma estrutura de coordenação e monitoramento.

Este documento está atualmente em processo de aprovação na Comissão Nacional de Proteção Civil e terá a aprovação final do Conselho Nacional de Proteção Civil, prevista para julho deste ano.

No que se refere ao combate à desertificação, o Governo angolano, em parceria com o PNUD, aplica diferentes iniciativas, entre as quais o projeto de "promoção do Carvão Vegetal Sustentável Através de uma Abordagem da Cadeia de Valor", para o alcance desta meta.

O referido projeto, que teve início em outubro de 2016, é executado pelo Ministério do Ambiente, com o apoio do PNUD e conta com o financiamento a fundo perdido do Fundo Global para o Ambiente.

Para mitigar as emissões de gases de efeito estufa, evitar a degradação florestal e solos, o projeto iniciou este ano um programa de capacitação, por dois anos, de comunidades rurais nas províncias do Huambo e Cuanza Sul e de técnicos do Instituto de Desenvolvimento Florestal, em manejo florestal comunitário e produção de carvão vegetal sustentável.

Beschlagnahmte Stämme in Wald von Guinea-Bissau

Troncos confiscados em floresta da Guiné-Bissau

Guiné-Bissau quer combater desertificação

O ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Guiné-Bissau, Nicolau dos Santos, alertou que a taxa de degradação das florestas no país é preocupante e pediu o envolvimento de todos no combate à desertificação.

Numa mensagem divulgada à imprensa, Nicolau dos Santos referiu que a taxa de degradação das florestas é entre os 60 e 80 mil hectares por ano e é causada pelo desmatamento, corte clandestino de árvores e queimadas descontroladas.

"Em consequência, o país sofre com perdas de reservas florestais e faunísticas, erosão, destruição de habitats animais, redução da biodiversidade, diminuição do caudal dos rios e das chuvas e aumento das temperaturas", sublinha Nicolau Gomes, na mensagem divulgada pela agência de notícias guineense.

Para o ministro, é necessário consciencializar e sensibilizar as populações para o fenómeno da seca e desertificação e crescente degradação das terras aráveis no país.

Segundo Nicolau dos Santos, apesar das grandes dificuldades económicas e financeiras, a Guiné-Bissau é um "país com imensas potencialidades agrícolas e florestais" e a reflorestação do país ainda é possível.

Basta, referiu o ministro, cada cidadão comprometer-se a plantar uma árvore por ano.

Leia mais