Angola: Centenas de jovens voltam a marchar contra o desemprego | Angola | DW | 24.08.2019
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Angola

Angola: Centenas de jovens voltam a marchar contra o desemprego

Jovens de quatro províncias de Angola, incluindo Luanda, marcharam contra o desemprego no país. Na capital, a manifestação foi marcada por críticas ao Presidente João Lourenço e pela repressão policial.

Polícia tenta conter manifestação que pretendia chegar à Cidade Alta, em Luanda

Polícia tenta conter manifestação que pretendia chegar à Cidade Alta, em Luanda

Centenas de jovens manifestaram-se este sábado (24.08) em Angola, nas províncias de Luanda, Bengo, Kwanza Norte e Uíge, contra o que chamam de incumprimento na criação de 500 mil postos de trabalho prometidos pelo Presidente João Lourenço durante a campanha eleitoral de 2017.

A marcha dos manifestantes da capital angolana, que pretendiam chegar ao palácio presidencial, foi interrompida pela Polícia Nacional logo à entrada da Cidade Alta.

O largo Sagrada Família foi o local escolhido como ponto de partida dos manifestantes. O objetivo era único: exigir os 500 mil empregos prometidos pelo Presidente João Lourenço durante a campanha eleitoral das eleições gerais de 2017, vencidas pelo seu partido, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

No chão havia cartazes com dizeres como "Já sou formado, quero emprego", "Desemprego marginaliza" e "Estou cansado de jogar 'Não Te Irrites'", este último a citar um tradicional jogo de Luanda disputado com dois dados que rolam sobre um pano com números e casas dos jogadores. A brincadeira é praticada maioritariamente por jovens desempregados, sobretudo nas zonas periféricas da capital angolana.

"O Presidente da República disse durante a campanha eleitoral que ia criar 500 mil postos de trabalho, mas eu não estou a ver isso. Eu estou desempregado há dois anos", disse à DW África Elson Germano, um dos manifestantes.

Marchas pelo país

Foram quatro províncias que marcharam contra o desemprego: Luanda, Bengo, Kuanza Norte e Uíge. Os protestos da capital angolana, que foram marcados inicialmente pelo desentendimento entre organizadores e agentes da polícia presentes no local para garantir a ordem e tranquilidade públicas, começaram por volta das 12h locais.

"A carta endereçada às autoridades tem como destino a Presidência da República. Vamos ficar a 100 metros [do Palácio presidencial], como recomenda a lei. Mas a polícia não quer assim", desabafou um dos organizadores. No entanto, a polícia queria apenas que a marcha terminasse no Largo da Maianga, a cerca de 300 metros do palácio presidencial, alegando questão de segurança.

Durante a marcha, dezenas de jovens entoavam habituais cânticos como "João Lourenço me mandou esperar, até agora não me deu emprego" e "Mostra o marimbondo, está ali, está ali", indicando os edifícios da UNITEL, uma das telefonias móveis angolanas que tem como acionista a empresária Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

"Estamos aqui para marchar porque o emprego está cada vez mais difícil. A questão do emprego ainda continua a ser a base de compadrio, 'familiarismo' e não por competência. Mesmo depois de formado não há emprego", disse à DW África, Francisco Teixeira, presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA).

Ação policial

A polícia garantiu a segurança desde o local de concentração até à baixa de Luanda. O cordão de segurança começou a ser reforçado no Largo da Maianga, a poucos metros da cidade presidencial. "Violência não... Polícia é do povo, não é do MPLA", gritavam os manifestantes que romperam a primeira barreira imposta pela corporação.

À entrada da Cidade Alta foram soltos cães e aumentado o número de efetivos para impedir que os manifestantes chegassem à zona presidencial. Por alguns minutos houve desentendimento e confrontos entre manifestantes e a polícia. Um dos participantes ficou ligeiramente ferido.

"No primeiro cordão, espancaram; no segundo cordão também espancaram as pessoas e neste momento estamos a ser impedidos de chegar até ao local", disse Sérgio Geraldo Dala, porta-voz da marcha. "A polícia começou a intimidar-nos a partir do local de concentração e nós resistimos até aqui. A nossa manifestação é pacífica", acrescentou.

A Polícia Nacional negou-se a prestar qualquer declaração à imprensa. Durante algumas horas as principias vias da baixa de Luanda ficaram bloqueadas.

Lourenço vai ao Japão

A macha ocorre numa altura em que o Presidente angolano, João Lourenço, prepara-se para viajar este domingo (25.08) para o Japão, onde vai participar na 7ª Conferência Internacional de Tóquio Sobre o Desenvolvimento de África (TICAD7), a decorrer de 28 a 30, em Yokohama.

Segundo uma nota de imprensa da Casa Civil do Presidente da República, na quinta-feira (22.08), o Chefe de Estado angolano tem previsto um encontro, à margem do evento, com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, no âmbito da diplomacia angolana.

Nos últimos tempos, o presidente João Lourenço tem estado a receber elogios da comunidade internacional, bem como o Banco Mundial e os Estados Unidos da América, pelas reformas que está a efetuar ao nível do Estado.

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