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ANAMOLA apresenta queixa-crime contra polícia moçambicana

27 de janeiro de 2026

O partido ANAMOLA, liderado por Venâncio Mondlane, apresentou uma queixa-crime ao Ministério Público contra membros da polícia moçambicana, acusando-os de "perseguições políticas" e do assassinato de dois dirigentes.

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Venâncio Mondlane, líder do partido ANAMOLA
Venâncio Mondlane denunciou, em 9 de Janeiro, que "foram assassinados 45 quadros" do partido ANAMOLAFoto: DW

"Foram assassinados dois membros de forma brutal, mas é preciso compreender que o ANAMOLA perde membros um pouco por cada província e nós estamos aqui para reafirmar que é preciso que se pare com essas perseguições políticas, porque os números estão a tornar-se alarmantes e é preciso ter a consciência das consequências desses atos", afirmou Messias Uarene, secretário-geral do Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), à porta da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Maputo.

Uarene indicou que dois coordenadores do ANAMOLA foram assassinados há cerca de uma semana no distrito de Luabo, na província da Zambézia, no centro de Moçambique. A queixa-crime avançada pelo Anamola acusa membros da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e da Polícia da República de Moçambique (PRM) de perseguir e assassinar os seus dirigentes.

"Temos acompanhado praticamente em todas as províncias uma onda clara de intimidação por parte de membros na sua maioria ligados ao Estado moçambicano, falamos particularmente de membros da UIR, da PRM e também uma certa presença de tribunais que prendem nossos membros sem clareza e esses processos têm-se intensificado", alertou Messias Uarene, aos jornalistas.

Apelos à democracia e à paz

O ANAMOLA classificou os homicídios como "bárbaros” e apelou ao fim do que considera serem perseguições políticas, alertando para os impactos na democracia e na estabilidade do país.

 "Nós prometemos dar entrada hoje e já fizemos uma queixa-crime na procuradoria e esperamos que esse processo seja seguido com muita seriedade. O partido ANAMOLA não pode permitir que num Estado democrático ações de perseguição, baleamento dos seus membros sejam consideradas coisa normal", referiu o secretário-geral do partido, que recordou que a violência mina os esforços da paz.

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 "Nós como ANAMOLA reiteramos o nosso compromisso com a democracia (...) aos nossos homólogos, aos partidos políticos, convidamos a desenvolver um ambiente de convivência pacífica e não se deixem iludir pelo caminho da violência, porque este caminho pode destruir a paz que estamos dia e noite a tentar manter", disse Messias Uarene.

Contexto político e registo do partido

Venâncio Mondlane denunciou, no dia 9 de Janeiro, que "foram assassinados 45 quadros do nosso projeto, ainda na altura, político, que hoje já é um partido efetivo, que é o partido Anamola. E até hoje não há respostas", disse à Lusa. Mondlane regressou a Maputo em 9 de janeiro de 2025, após mais de dois meses fora do país, alegando razões de segurança na sequência das eleições gerais de 09 de outubro, nas quais concorreu à Presidência da República.

O partido ANAMOLA foi oficialmente registado em 15 de agosto, após aprovação do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos. O partido anunciou que irá eleger o seu presidente no congresso marcado para junho de 2026, prometendo um processo democrático em que todos podem concorrer.

Moçambique viveu, durante mais de cinco meses após as eleições, um período de forte tensão social, marcado por manifestações e paralisações convocadas por Mondlane, que rejeitou os resultados eleitorais. De acordo com organizações não-governamentais que acompanharam o processo, mais de 400 pessoas morreram em confrontos com a polícia. A violência acabou por diminuir após dois encontros entre Mondlane e o Presidente Daniel Chapo, com o objetivo de pacificar o país.

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