Académico Hassan Sheikh Mohamud é o novo Presidente da Somália | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 10.09.2012
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Internacional

Académico Hassan Sheikh Mohamud é o novo Presidente da Somália

O universitário Hassan Sheikh Mohamud, de 56 anos, surpreendeu, esta segunda-feira (10.09), ao ser eleito Presidente, na segunda volta, pelos deputados reunidos em Mogadíscio.

Académico Hassan Sheikh Mohamud é o novo Presidente da Somália

Académico Hassan Sheikh Mohamud é o novo Presidente da Somália

O candidato era considerado um “outsider”, ou seja, sem grandes hispóteses de vencer a corrida eleitoral. Mas Hassan Sheikh Mohamud obteve 190 contra 79 votos de Sharif Sheikh Ahmed, Presidente de transição somali que era considerado como favorito.

Os dois candidatos passaram à segunda volta que reuniu 25 candidatos. Sheik Mohamud foi o segundo mais votado no primeiro turno. Oriundo do mesmo clã que o Presidente interino cessante, o dos Hawiye, o novo chefe de Estado está ligado ao partido Al-Isla, fação somali da Irmandade Muçulmana implantada há muitos anos no país.

Fundador de uma universidade em Mogadíscio, Hassan Sheik Mohamud, trabalhou com várias organizações internacionais na Somália.

A sua eleição poderá pôr termo a um longo e complexo processo político apadrinhado pela Organização das Nações Unidas, substituindo as diferentes autoridades de transição que se sucederam, desde 2000, e dotar a Somália de um governo central real, do qual esteve privada desde o derrube do Presidente Siad Barre em 1991, altura em que o país mergulhou num completo caos.

Clima nas vésperas da eleição presidencial na capital da Somália, Mogadíscio

Clima nas vésperas da eleição presidencial na capital da Somália, Mogadíscio

Cerca de 270 deputados somalis de um total de 275 estiveram reunidos, esta segunda-feira (10.09) sob fortes medidas de segurança para eleger o chefe de Estado.

A vitória inesperada de Hassan Sheik Mohamud desmente os analistas que temiam que o processo reconduzisse ao poder as mesmas personalidades, cujos nomes muitas vezes são associados a escândalos de corrupção nomeadamente de desvios de fundos de ajuda humanitária.

Um recente relatório da ONU sublinhava que “desvios de fundos e roubo de dinheiro público transformaram-se em sistemas de governação”, numa altura em que dirigia o governo Sharif Sheik Ahmed, eleito em 2009, depois de se juntar às instituições de transição, que antes combatia através de uma rebelião islâmica que liderava.

Após várias tentativas falhadas de formação de um governo nas últimas duas décadas, os diplomatas do Escritório Político para a Somália das Nações Unidas (UNPOS) esperam que a eleição presidencial, ponha fim ao longo processo do plano de paz para a Somália.

A Somália vive em permanente clima de instabilidade e de caos devido a ações terroristas

A Somália vive em permanente clima de instabilidade e de caos devido a ações terroristas

Nos últimos dias e semanas na capital do país, Mogadíscio, vivia-se um clima de agitação que lentamente foi voltando ao ritmo normal. Os candidatos à Presidência criaram alianças que, como em tempos passados, não refletem afinidades de programas políticos mas sim lealdades a clãs políticos. No fim de semana, antes da eleição, os candidatos disponibilizaram-se a responder às perguntas dos membros do Parlamento e o domingo (09.09) foi um dia de campanha eleitoral.

Pouca esperança numa Somália estável

A eleição presidêncial era há muito tempo esperada e deveria ter tido lugar a 20 de agosto. Para Augustibe Mahiga, enviado especial das Nações Unidas àquele país da região do Corno de África, representa “uma das datas mais importantes da história política da Somália”.

Mas já antes da eleição muitos observadores duvidavam que a nova geração de políticos viesse a ter uma oportunidade. A palavra “farsa” surgiu, várias vezes, quando se falava no assunto.

Sharif Sheikh Ahmed era até agora Presidente de transição da Somália, mas perdeu a corrida presidencial na segunda volta

Sharif Sheikh Ahmed era até agora Presidente de transição da Somália, mas perdeu a corrida presidencial na segunda volta

Laura Hammond, da prestigiada escola de estudos orientais e africanos, em inglês School of Oriental and African Studies (SOAS), em Londres, explica que “nas duas últimas décadas de conflito, na Somália, determinados indivíduos e grupos beneficiaram da guerra e estas pessoas só querem que a atual situação de instabilidade se mantenha. Elas não têm nenhum interesse em ver o atual governo a dar frutos”.

O governo de transição, presidido por Sheikh Sharif Sheikh Ahmed, desde 2009, foi muitas vezes acusado de ter uma administração corrupta e ineficaz. Mas, ao mesmo tempo, foi também o candidato que conseguiu mobilizar mais recursos na campanha eleitoral.

Mas, mesmo que surgisse destas eleições “uma cara completamente nova como Presidente, o processo político continuaria a ser internamente corrupto e ineficaz”, afirma Markus Höhne, especialista em assuntos da Somália, do Instituto Max Planck.

Isto porque, esclarece o especialista, “existem demasiados problemas. Agora, a questão não é só “quem será o Presidente”, mas sim como será o quadro político completo. De momento ainda não existe um quadro adequado para se poder falar numa transição bem sucedida e de um verdadeiro recomeço na Somália”, sustenta Markus Höhne.

Autores: Ludger Schadomsky / Carla Fernandes
Edição: Glória Sousa / António Rocha

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