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Abdelmadjid Tebboune é o novo Presidente da Argélia

Lusa
13 de dezembro de 2019

Abdelmadjid Tebboune, chefe de governo do Presidente Abdelaziz Bouteflika, foi eleito para lhe suceder na chefia do Estado da Argélia à primeira volta, anunciou a Autoridade Nacional Independente das Eleições (ANIE).

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Foto: picture-alliance/AP/F. Guidoum

Abdelmadjid Tebboune, antigo ministro e chefe de governo do Presidente Abdelaziz Bouteflika, foi eleito para lhe suceder na chefia do Estado da Argélia à primeira volta, anunciou  a Autoridade Nacional Independente das Eleições (ANIE).

Tebboune conseguiu 58,15% dos votos, indicou o presidente da ANIE, Mohamed Charfi, numa cerimónia oficial um dia depois do escrutínio marcado por uma abstenção recorde - votaram 41,14% dos eleitores segundo os dados oficiais - e que decorreu num contexto de contestação em massa do regime no poder na Argélia desde a independência em 1962.

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O anúncio da vitória de Abdelmadjid Tebboune, 73 anos, foi feito quando está previsto que os argelinos ocupem as ruas pela 43.ª sexta-feira consecutiva desde o início do movimento de protesto "Hirak" a 22 de fevereiro.

Tebboune, um dos cinco candidatos à presidência, é um produto do "sistema" contestado nas ruas. Alto funcionário na década de 1970, foi por diversas vezes responsável municipal na década seguinte, antes de subir a ministro nos anos 1990.

Antigo ministro da Comunicação e da Cultura

Bouteflika designou-o ministro da Comunicação e da Cultura quando chegou ao poder em 1999, antes de lhe confiar outras pastas até 2002. Foi de novo chamado ao governo em 2012, e assumiu o cargo de primeiro-ministro entre maio e agosto de 2017. 

Foi despedido ao fim de três meses por se ter envolvido num conflito com diversos homens de negócios próximos de Said Bouteflika, o todo-poderoso irmão do Presidente. 

Abdelaziz Bouteflika foi obrigado a demitir-se a 2 de abril por pressão da rua e o seu irmão foi detido um mês depois e condenado no final de setembro a 15 anos de prisão por "conspiração contra o Estado e as Forças Armadas".

Após ter obtido a demissão de Bouteflika, no poder há 20 anos, o "Hirak" tem vindo a exigir o desmantelamento do "sistema", considerando as presidenciais um pretexto para a "regeneração" de um poder desacreditado e envelhecido, pelo que apelou ao seu boicote.

Foram chamados às urnas 24,4 milhões de eleitores e a taxa de participação foi a mais baixa dos escrutínios pluralistas da história do país. Algumas assembleias de votos foram vandalizadas e na capital, Argel, decorreu mais uma manifestação de protesto. Segundo a ANIE, o Conselho Constitucional vai proclamar os resultados definitivos entre 16 e 25 de dezembro.