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Cultura

Turquia coloca atriz contra a parede

O filme "Contra a Parede", do diretor turco-alemão Fatih Akin, está passando em um a cada três cinemas de Istambul. A Turquia debate o passado pornográfico da atriz principal.

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Fatih Akin (dir) defende Sibel Kekilli contra campanha de difamação

A avenida beira-mar de Istambul está repleta de cartazes do filme Contra a Parede ( Gegen die Wand). Se bem que nem fosse necessário fazer propaganda da estréia nacional do filme do diretor turco-alemão Fatih Akin, que conquistou o Urso de Ouro na última Berlinale. Desde que o jornal alemão Bild divulgou que a atriz principal, Sibel Kekillis, começou sua carreira com atuação em filmes pornográficos, a mídia turca não economizou na divulgação de fotos suas, de agora e de antes: nenhuma imagem hard core, mas fotos que falam por si.

"Da Sombra Pornô ao Urso de Ouro"

Nas ruas de Istambul, mal se ouviu falar do nome Fatih Akin: um jogador de futebol do Besiktas? Mas de Sibel Kekillis, não resta dúvida: todos a conhecem de foto. "Da Sombra Pornô até o Urso de Ouro", relatou o jornal turco Hürriyet. Na televisão, o pai da atriz turca deserdou sua filha em público por causa de sua participação em filmes pornográficos.

Sibel Kekilli auf der Berlinale

Atriz turca Sibel Kekilli

Mas nada disso prejudicou a popularidade de Contra a Parede. Muito pelo contrário. O filme está passando simultaneamente em 29 cinemas, ou seja, em um a cada três cinemas de Istambul. E a bilheteria de quase todas as seções está sempre esgotada.

"Casal autodestrutivo e fracassado"

Apesar de toda a fumaça que a mídia lançou em torno do filme, por causa da biografia da protagonista, o público também está preocupado em formar uma opinião sobre o cinema feito pela segunda geração de turcos na Alemanha. Uns parecem concordar com a premiação máxima do filme no Festival Internacional de Cinema de Berlim, compreendendo que o passado da atriz principal é o de menos.

Quem, por sua vez, esperava algo mais revelador ou típico da nova geração de turcos-alemães decepcionou-se com a universalidade do filme: "Para mim, isso não passa da história de duas pessoas autodestrutivas e fracassadas!", comentou uma espectadora em entrevista com a DW. A vida dos emigrantes que abandonaram a Turquia pela Alemanha e o resultado desta mistura cultural, perceptível na segunda geração, são bons motivos para o público turco ir assistir Contra a Parede.

Urso é mérito turco

Na Turquia, o diretor e os atores de Contra a Parede não são considerados "turcos", mas sim "alemães de ascendência turca". Quanto aos seus méritos, não restam dúvidas: a pornografia vai para a conta da Alemanha, enquanto o Urso de Ouro é merecimento turco. Pelo menos é isso que deu a entender o jornal Milliyet.

A mídia local também se revoltou contra a cobertura jornalística alemã sobre a recepção do filme na Turquia. "Escândalo com bandeira na tevê alemã" foi uma das manchetes, remetendo a uma imagem de fundo do noticiário da emissora ARD, que mostrava a foto do casal de personagens seminus, coberta com a bandeira turca. Como se ferisse o orgulho da nação cobrir a nudez com a bandeira.

Sexo e bandeira

O jornal islâmico liberal Yeni Safak lamentou que o filme contenha muito sexo e violência. Por ocasião da estréia do filme na Turquia, no início de março, a atriz Sibel Kekilli se recusou a dar qualquer declaração. Isso, apesar de o ministro da Cultura já tê-la "absolvido" antes: "Erros do passado não devem depor contra o desempenho de hoje." Na única entrevista que deu à mídia turca, Kekilli colocou um ponto final na discussão: "Ninguém é guardião da minha honra; o meu corpo só pertence a mim."

Sibel Kekilli und Birol Uenel

Sibel Kekilli e Birol Uenel

Na Alemanha, a polêmica desencadeada pelo diário Bild não foi mais amena. O diretor Fatih Akin acusou o jornal de racismo, referindo-se a uma "campanha" de difamação contra os atores de seu filme. Após ter relatado dias seguidos sobre a participação de Kekilli em filmes pornográficos, o Bild divulgou que o ator Birol Ünel tinha precedentes criminais. "Eu era ativista de esquerda nos anos 80" - justificou-se Ünel - "Fiz tudo o que podia contra o radicalismo de direita." Akin também se sentiu pessoalmente agredido pelo colunista Franz Josef Wagner, que no mesmo jornal se referiu ao "cabelo pixaim" e "pele cor de oliva" do diretor de Contra a Parede.

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