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Alemanha

Scotland Yard propaga inverdades

O caso do brasileiro baleado por engano pela polícia londrina abalou a opinião pública européia. Um choque muito maior é a descoberta de que a Scotland Yard mentiu. Menezes foi morto sem ter agido de forma suspeita.

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Documentos da polícia londrina vazam para a imprensa

"Foi uma operação policial desastrada desde o começo. O edifício onde Menezes morava foi vigiado de forma diletante e o comando policial chegou tarde demais no local para deter o suspeito, antes de ele entrar no metrô. Mas o mais vergonhoso ainda, caso isso possa ser superado por qualquer outra coisa, são as mentiras propagadas depois."

Blumen für Jean Charles de Menezes Stockwell

Flores para Jean Charles de Menezes no exterior da estação de metrô Stockwell, Londres

"Muitos detalhes divulgados pela polícia simplesmente não são verdade. Menezes não estava usando um casaco de inverno e não saiu correndo em disparada. Fato é que ele estava vestido normalmente e também se comportou de maneira absolutamente normal. Isso não é só um exemplo catastrófico da incompetência policial, mas uma tentativa calculada e cínica de manter em sigilo o que realmente aconteceu. Este foi o primeiro teste de Ian Blair como chefe da polícia: é triste que ele não tenha tido um desempenho melhor."

Scotland Yard na mira

Assim comentou o diário britânico The Independent as novas descobertas sobre o caso do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, baleado por engano pela polícia londrina no dia 22 de julho passado. A mídia do Reino Unido, que inicialmente poupou a Scotland Yard de críticas severas e relevou o fatal erro policial por conta da prioridade de combater o terrorismo, desmascarou a Scotland Yard.

Documentos policiais divulgados pela emissora britânica ATW indicam que Menezes não deu nenhum motivo de desconfiança para ser baleado com oito tiros. Ele saiu de seu apartamento com toda calma, em leves trajes de verão, pegou o ônibus até a estação Stockwell, entrou com um bilhete, pegou com toda calma um jornal gratuito e se sentou num metrô que estava parado na estação.

Nähe Londoner Stockwell Station, wo der Brasilianer Jean Charles de Menezes erschossen wurde

Arredores da estação de metrô Stockwell, em Londres, onde Menezes foi baleado pela polícia por ser tomado por um terrorista islâmico

Uma história que contradiz inteiramente a versão da Scotland Yard, segundo a qual o brasileiro de 27 anos teria se recusado a se deter apesar de diversos chamados da polícia. Além do mais, nem sombra do casaco de inverno onde ele poderia ter escondido algum explosivo.

Ao contrário do que noticiou a BBC inicialmente, Menezes não saiu correndo para não perder o metrô. Jornais britânicos citaram declarações sigilosas dos policiais envolvidos na operação, segundo as quais Menezes foi arrancado pela polícia do vagão onde estava sentado e baleado sem prestar qualquer resistência.

Mídia faz justiça

Fato é que a polícia metralhou um inocente por tê-lo tomado erroneamente por um terrorista. A família de Menezes exige uma investigação transparente do caso. "A família foi enganada desde o princípio quanto ao que levou a polícia a disparar os tiros mortais", declarou a advogada Gareth Peirce, após um encontro com a comissão independente de investigação: "Queremos saber quem foi que espalhou estas mentiras".

Os familiares da vítima exigem a renúncia do chefe da polícia londrina, alegando que ele tentou impedir uma investigação oficial do caso e mentiu ao relatar o ocorrido.

A mídia européia se mostrou indignada com as novas descobertas do caso Menezes. Inicialmente, a opinião pública reagiu de forma reservada, como se um fatal e lamentável engano fosse até perdoável, diante da prioridade de combater o terrorismo nas cidades européias.

O diário espanhol El Pais comentou que "a opinião pública pode até perdoar um erro e até a incompetência policial, mas é muito mais difícil que aceite ser enganada". O jornal alemão Neue Presse destacou que "a única coisa que consola nesta história toda é que a mentira da polícia veio à tona". "Mesmo em meio ao pânico de terrorismo, a mídia britânica mostrou que continua sendo confiável."

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