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documenta

Schendel e Sacilotto entre concretos e neoconcretos

O pintor, escultor e desenhista Luis Sacilotto nasceu em Santo André, São Paulo. A pintora e desenhista Mira Schendel é de Zurique, na Suíça, e se radicou no Brasil. Obras dos dois estão expostas na 'documenta'.

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Mira Schendel

Luís Sacilotto (1924-2003) começou a pintar em 1942, influenciado principalmente pelas tendências expressionistas e trabalhou como publicitário e desenhista de arquitetura. O contato com a arquitetura e a arte construtivista (edifício do Ministério da Educação e Cultura no Rio, obras do MAM em SP) e a atividade de desenhista técnico encaminharam-no rumo à abstração construída sobre princípios geométricos.

Luis Sacilotto

Luis Sacilotto em seu ateliê no Brasil

Concretos, neoconcretos e simpatizantes

Em 1947, participou da mostra 19 Pintores em São Paulo, ainda influenciado pelo expressionismo e conheceu aqueles que formariam, junto com ele, o Grupo Ruptura. Em 1952, divulgam o Manifesto Ruptura, que pretendia romper com "todas as variedades e hibridações do naturalismo; a mera negação do naturalismo, isto é, o naturalismo 'errado' das crianças, dos loucos, dos 'primitivos', dos expressionistas, dos surrealistas etc.; o não-figurativismo hedonista, produto do gosto gratuito, que busca a mera excitação do prazer ou do desprazer".

Nos anos 1956 e 1957 participou da I Exposição Nacional de Arte Concreta (MAM-SP, MEC-Rio), que reuniu toda a arte concreta praticada no Brasil e acabou por explicitar as correntes divergentes. Ela marcou, portanto, o início da ruptura neoconcreta, efetivada em 1959.

O Manifesto de 1959, assinado por Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Lygia Clark, Lygia Pape e Reynaldo Jardim, entre outros, denunciava que a "tomada de posição neoconcreta" se fazia "particularmente em face da arte concreta levada a uma perigosa exacerbação racionalista". Contra as ortodoxias construtivas e o dogmatismo geométrico, os neoconcretos defendiam a liberdade de experimentação, o retorno às intenções expressivas e o resgate da subjetividade.

Obra independente

Mira Schendel (1919-1988) não era signatária de nenhum dos manifestos, embora seja impossível não perceber as influências comuns. Recém-chegada da Itália, onde estudara arte e filosofia, Mira Schendel se instala em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e começa a pintar. Nos anos 1950 muda-se para São Paulo e é só na década seguinte que começa a produzir a série de obras que hoje fazem dela uma artista que ora é ligada ao movimento concreto, ora ao neoconcreto.

Schendel acreditava que tudo o que havia para ser dito estava na obra e seu trabalho mostra a investigação das potencialidades gráficas das letras através das muitas explorações das suas formas: com suas Monotipias, ela apresentou as inúmeras possibilidades de composição a partir das letras. Em uma evolução das Monotipias, ela chegou aos Objetos gráficos, aos Toquinhos e às Droguinhas, todos atestando a fragilidade da obra e criando relações de luz e sombra, transparência e opacidade.

Na obra Ondas paradas da possibilidade, criada para a Bienal de São Paulo de 1969, a artista criou um espaço composto de fios de nylon pendentes de uma grade do teto, dando origem a um cubo translúcido que permitia a entrada do espectador. Apesar de essa obra se aproximar das propostas de Hélio Oiticica e Lygia Clark, a obra de Mira não pretendia explorar a questão da experiência sensorial ou autocognitiva. Eram as questões da transparência, da consciência impessoal que a instigavam.

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