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Alemanha

Pacto de estabilidade para a ecologia

Banco Mundial dobra créditos para financiamento de projetos de energias renováveis. Schröder pede reorientação na política energética global.

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Schröder (d) e ministros na Conferência para Energias Renováveis

As ameaças de terrorismo no Golfo Pérsico bem como a alta do preço do petróleo e suas conseqüências para a economia mundial exigem uma mudança na política energética mundial. "Isso é necessário até em termos de segurança, porque a forte dependência do petróleo favorece o terrorismo", disse o chanceler federal alemão Gerhard Schröder (SPD), no terceiro dia da Conferência Internacional para Energias Renováveis, em Bonn.

O diretor do Programa de Meio Ambiente da ONU, o alemão Klaus Töpfer, pediu um "pacto internacional de estabilidade para a ecologia", nos moldes do que já existe para a economia. "O que não se investir hoje em meio ambiente e proteção do clima, obrigatoriamente terá de ser investido no futuro. As energias fotovoltaica, eólica e hidrelétrica, disponíveis de forma descentralizada, são as mais apropriadas para os países em desenvolvimento", declarou.

Menos petróleo, mais renováveis

Segundo o chanceler federal alemão, é preciso reduzir a dependência da economia mundial do petróleo e investir mais em fontes de energia regenerativa. "Altos preços da energia, como atualmente o do petróleo, impedem o desenvolvimento econômico em todo o mundo. Eles ameaçam a recuperação das economias dos países industrializados e impedem o combate à fome e à pobreza ", disse.

Na avaliação de Schröder, exatamente a instabilidade política no Iraque e o ataque terrorista na Arábia Saudita mostram a importância da diversificação da matriz energética. "É preciso apostar mais nas energias renováveis, mas seus custos também precisam ser reduzidos", declarou. "Está na hora de colocar em prática nossas declarações de boas intenções", acrescentou.

Mais verbas

Schröder anunciou na conferência internacional Renewables 2004, que a Alemanha vai liberar mais 500 milhões de euros para o fomento mundial das renováveis e aumento da eficiência energética. Os recursos deverão ser disponibilizados aos países em desenvolvimento, através de empréstimos a juros baixos do Instituto de Créditos para a Reconstrução. O governo alemão já havia prometido na Cúpula de Johannesburgo, em setembro de 2002, que investiria 500 milhões de euros em energias renováveis e outro tanto na melhoria da eficiência energética no âmbito da cooperação para o desenvolvimento até 2007.

O diretor executivo do Banco Mundial (Bird), Peter Woicke, anunciou diante de três mil representantes de 150 países reunidos em Bonn que a instituição vai dobrar seus créditos anuais para projetos de energias renováveis para 400 milhões de dólares (328 milhões de euros). A ministra alemã para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek Zeul, elogiou a decisão do Bird.

O premiê britânico Tony Blair disse em videoconferência que a política do clima será um dos principais assuntos da presidência inglesa do G 8 (grupo dos países mais industrializados do planeta mais a Rússia) em 2005. O chanceler alemão espera que o plano de ação, a ser aprovado no encerramento da Renováveis, nesta sexta-feira (04/06), impulsione o uso de energias verdes, sobretudo nos países em desenvolvimento pobres em energia. "Trata-se de um mercado com futuro, no qual vale investir", disse num apelo à participação da iniciativa privada na mudança da matriz energética. Na Alemanha, esse setor atualmente gera 120 mil empregos.

Estratégia dupla

"Aumentar a eficiência energética e ampliar o uso das renováveis é uma estratégia dupla para garantir abastecimento energético sustentado no mundo", disse Schröder. "Mais eficiência é nossa resposta à alta dos preços do petróleo", acrescentou. Ele mencionou cálculos de especialistas, segundo os quais a alta do petróleo já representa gastos adicionais de 60 bilhões de dólares para os países em desenvolvimento. "Isso equivale aos gastos com a ajuda ao desenvolvimento em todo o mundo", comparou.

Os ataques terroristas a plataformas e empregados da indústria petrolífera na Arábia Saudita também evidenciam a vulnerabilidade dos países desenvolvidos devido à sua dependência do petróleo. "Por isso, o aproveitamento descentralizado das energias renováveis deve ser uma prioridade para a segurança mundial e também para conter as mudanças do clima", afirmou Schröder.

Segundo o chanceler alemão, os países líderes em tecnologia têm a obrigação de dar o exemplo. Nesse aspecto, o Protocolo de Kyoto para redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) tem um papel fundamental e "precisa entrar em vigor", acrescentou. Sem citar os Estados Unidos, que rejeitam o documento, Schröder disse esperar que ele seja ratificado "pela Rússia e outros países".

A Renewables 2004 será encerrada sexta-feira (04/06), pelos ministros alemães do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, e da Cooperação Econômica, Heidemarie Wieczorek Zeul, com a aprovação de um plano de ação em prol das energias renováveis.

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