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Economia

Os novos turistas de olhos puxados

Alemanha quer superar crise no turismo atraindo chineses. Ameaça de guerra e crise econômica levam alemães a adiar reservas de férias. Feira internacional ITB, em Berlim, reconquista grandes empresas do setor turístico.

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A modernização econômica já permite que 5% dos chineses viajem à Alemanha

Se depender dos promotores de turismo, os alemães vão ter que se acostumar com uma nova onda de turistas de olhos puxados, circulando por casas de enxaimel, lotando cervejarias ou fazendo fila para visitar o castelo de Neuschwanstein ou a cúpula do Reichstag.

A Confederação das Câmaras Alemãs de Indústria e Comércio (DIHK) vê na capitalização da população chinesa através das reformas econômicas o surgimento de um enorme contigente de turistas em potencial. De acordo com um estudo, cerca de 5% dos chineses já têm condições financeiras de bancar uma viagem à Alemanha. Em números nominais, a cifra é de 70 a 80 milhões de pessoas.

Antes mesmo de qualquer campanha no país oriental, a tendência já é sentida no setor hoteleiro alemão. Os hóspedes chineses formam o único contigente de estrangeiros a registrar claro crescimento no número de pernoites em 2002. "Conto com taxas de crescimento de dois dígitos nos próximos dois, três anos", prevê Armin Brysch, da DIHK.

Crise no setor hoteleiro

Diante da retração no turismo sobretudo de americanos, japoneses, poloneses, israelenses e dos próprios alemães, a chegada dos chineses é a grande esperança para reanimar o setor hoteleiro na Alemanha. No ano passado, apesar de os preços das diárias terem se mantido praticamente estáveis (-0,9%), a ocupação de quartos caiu 4,6% e o faturamento recuou 2,3%. Trezentos hotéis fecharam as portas e 4500 empregos foram extintos – números recordes na hotelaria alemã.

Grand Hotel Heiligendamm Luftaufnahme

Litoral de Meclemburgo em alta

A única região da Alemanha a escapar da má conjuntura foi Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. Cada vez mais o estado do nordeste do país atrai turistas, sobretudo veranistas alemães, que vão passar as férias em seus lagos ou nas praias do Mar Báltico. Em 2002, os hotéis e pousadas locais acusaram crescimento superior a 7% na quantidade de pernoites.

Mas Meclemburgo e os chineses são exceções, e os empresários do ramo hoteleiro fazem previsões pessimistas para 2003. As demissões este ano podem chegar a 10 mil, se não houver melhora na situação econômica do país. Com a ameaça de guerra no ar, fazer turismo na própria Alemanha seria convidativo, mas o desemprego crescente e a insegurança financeira estão impedindo que a hotelaria nacional se beneficie dos problemas no exterior.

Mudança de comportamento do mercado

Na verdade, segundo Armin Brysch, os alemães ainda não desistiram de sua viagem ao exterior e estão aguardando, por um lado, o desfecho da crise iraquiana para se decidir, e, por outro, as tradicionais promoções last-minute, com atraentes descontos. "Os clientes potenciais ficaram mais cautelosos. Eles esperam dois, três meses para se decidir. Vão adiando para fazer a reserva mais perto das férias", diz o especialista em turismo da DIHK.

Bom sinal, entretanto, é a volta das grandes empresas de turismo à feira ITB, em Berlim, após várias delas terem se ausentado no ano passado. Lufthansa e Thomas Cook, por exemplo, estão entre os 9,9 mil expositores, de 181 países e regiões turísticas, que esperam fechar bons negócios na capital alemã até a próxima terça-feira.

A participação brasileira não é pequena. Além de redes de hotéis, agências e operadoras, estão representadas na ITB a Embratur e as empresas de turismo da Bahia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Sul, assim como das cidades do Rio e São Paulo.

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