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Mundo

Mulheres em desvantagem

A Europa ainda está longe de ser um modelo na luta contra a desigualdade entre homens e mulheres. O sexo feminino ainda ocupa uma posição secundária na sociedade européia, apesar dos avanços políticos.

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Igualdade de direitos: uma utopia?

"Nos últimos anos foram criados 12 milhões de postos de trabalho na Europa, dos quais 80% foram preenchidos por mulheres. É a primeira vez que tantas mulheres conseguiram emprego em tão curto espaço de tempo. Isso não significa, entretanto, que estejamos satisfeitos. Os números e fatos provam que ainda há problemas em todos os países membros da União Européia", declarou Anna Diamantopoulou, comissária da UE para assuntos sociais e de mercado de trabalho.

O mais recente relatório sobre a situação do mercado de trabalho na Europa aponta que as mulheres continuam ganhando em média menos do que os homens. Nos órgãos públicos, a diferença é relativamente pequena, de 16%. No setor privado, sobe para 24%, e se o trabalho exigir qualificação profissional, a diferença de salário atinge até 28%. A discrepância é maior ainda nos cargos de chefia. Uma mulher pode ganhar 35% a menos do que seu colega de terno e gravata exercendo a mesma função.

Lernende Frau

Na Alemanha, a situação não foge ao padrão europeu. A desigualdade de salários entre os sexos é grande. "Ainda temos muito o que fazer até acabar com a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho e na sociedade", reconheceu a ministra da Família, Renate Schmidt.

"Não há igualdade de direitos no mercado de trabalho, nem de chances. As mulheres perdem o emprego mais facilmente do que os homens. De um modo geral, elas são minoria nas profissões bem remuneradas e maioria nas de faixa salarial mais baixa." Segundo Diamantopoulou, falta na Europa uma infra-estrutura adequada para oferecer à mulher condições de competir no mercado dominado pelo sexo masculino.

Mais apoio, mais crianças

A comissária se refere especialmente à falta de creches, jardins-de-infância e instituições do gênero. Se as mulheres conseguissem apoio para a educação dos filhos, trabalho remunerado de acordo com a função e não fossem discriminadas pelo fato de serem mães, enfim, se houvesse menos obstáculos para conciliar emprego e família - a chamada dupla jornada - a taxa de natalidade não seria tão baixa na Europa.

Kinder vor dem Fernseher

A França é o país que oferece a melhor infra-estrutura às mulheres na Europa, embora esteja longe de ser ideal. Cada francesa tem em média 2 filhos. No caso da Alemanha, notoriamente ainda bem distante do mínimo desejável, a taxa de natalidade é de apenas 1,2 filho por mulher, e a tendência é que continue diminuindo. Não é de se admirar, pois as creches alemãs só têm capacidade para atender a 3,8% das crianças na faixa até 3 anos.

Incentivo e controle

Frente a esta realidade, a comissária da UE garantiu que pretende fiscalizar com maior rigor a implementação das diretrizes européias de proteção à maternidade, salientando que os países precisam prestar contas sobre a forma como vêm agindo, por exemplo, para superar a falta de creches.

A ministra Renate Schmidt garantiu que o governo alemão irá fomentar a criação de creches e escolas em período integral no país, como forma de combater a desigualdade entre os gêneros.

Em 1999, foi adotado na UE o princípio Gender Mainstreaming, que trata justamente da questão da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres em todas as esferas da sociedade. Mas, segundo a comissária, ainda há muito o que fazer.

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