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Cultura

Mulheres com a batuta

Nas orquestras alemãs, o posto de regente é notoriamente de domínio masculino. As mulheres enfrentam muitas dificuldades para competir com os homens nesta profissão.

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A regente Catherine Rückwardt

Os músicos do Teatro Nacional de Mainz estão afinando seus instrumentos para o último ensaio do 9º Concerto Sinfônico deste verão. Todos silenciam com a entrada da maestrina titular Catherine Rückwardt. Ela olha a orquestra, sorri e começa a reger com gestos firmes, no compasso dos altos e baixos da melodia.

Catherine Rückwardt é uma das poucas mulheres na Alemanha que conseguiu chegar a um posto dominado pelos homens. Desde a temporada passada, é ela quem dá o tom no Teatro Nacional de Mainz. Antes disso, a americana já havia realizado outra grande conquista: foi a primeira mulher a exercer a função de maestrina em uma casa de ópera, a Ópera de Frankfurt.

Exceções da regra

São raras as mulheres que conseguem ir tão longe nos países de língua alemã. As poucas exceções nos últimos tempos foram Marie-Jeanne Dufour, na Ópera de Zurique, e Simone Young, que trabalhou como regente convidada na Ópera de Viena e também na de Berlim antes de assumir o cargo de maestrina titular da Ópera de Sidney.

Outras mulheres que não tiveram a mesma sorte, mas que não quiseram desistir de seus sonhos, acumulam experiências nada gratificantes. Uma delas é a brasileira radicada na Alemanha, Marieddy Rosetto, 43 anos, mãe de três filhos, que fez o curso de regência na cidade de Colônia. Ela era a única mulher na sua classe.

"Desde o começo as mulheres são aconselhadas a desistir do curso, sob a alegação de que não teriam futuro na profissão", revelou Rosetto, que por muito tempo ouviu que não conseguiria emprego mesmo se conseguisse concluir o estudo.

Tal predição não tardou a se tornar realidade na vida da brasileira. Apesar de ter sido chamada para uma entrevista de seleção em um conservatório de música, logo viria a descobrir que a vaga não seria sua. O convite era apenas uma formalidade por se tratar da única mulher a concorrer ao cargo.

"A primeira pergunta foi a seguinte: o que a senhora fará com seus filhos enquanto trabalhar?", relembrou Rosetto do momento em que se sentiu discriminada, "Eu respondi que eles ficariam em casa, pois meu marido é professor e tem as tardes livres. Um catedrático então me disse que não acreditava que minhas crianças seriam bem cuidadas desta maneira".

Tratamento incoerente

Catherine Rückwardt considera contraproducente o tratamento dispensado por seus colegas às mulheres que almejam um cargo de regente. Ela afirma que é justamente o sexo feminino que possui as qualidades necessárias para dirigir uma orquestra.

Um bom regente, precisa, por exemplo, ter intuição, senso de organização e um jeito sensível e saudável de lidar com as pessoas. "Há milhares de anos as mulheres são responsáveis pela socialização dos seres humanos. São elas que educam as crianças e são as responsáveis pela propagação dos valores da sociedade", explicou Rückwardt, que vê um paralelo entre essas incumbências e a regência de uma orquestra.

De acordo com a maestrina do Teatro Nacional de Mainz, as mulheres com tais qualidades aliadas à aptidão pela profissão de regente deveriam ser bem valorizadas e ter a possibilidade de encontrar espaço no mercado.