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Mundo

Morte de italianos aumenta desespero americano

A morte de 19 italianos e nove iraquianos, em Nassariah, dificulta ainda mais a busca desesperada dos EUA por maior ajuda internacional no Iraque. E devolver o governo aos iraquianos não garante o fim do conflito.

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Base italiana após atentado

Essa é a opinião predominante da imprensa da Alemanha, para a qual a explosão do caminhão-bomba na base militar das tropas da Itália, no sul do Iraque, mostra que a guerra não terminou. O conflito armado teria apenas entrado em outra fase, numa espécie de guerra de guerrilha, conforme análise do jornal Neue Presse, de Hanôver.

A devolução da responsabilidade de governo aos iraquianos foi exigida há meses pelos líderes da resistência à guerra - Alemanha e França -, mas agora a imprensa alemã duvida que essa medida, finalmente cogitada por Washington, baste para encerrar o conflito a curto prazo.

O atentado não só aumentou o dilema do governo do presidente George W. Bush como vai gerar tempos difíceis para o primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, por ter mandado três mil soldados para o Iraque, segundo o jornal Neue Osnabrücker Zeitung. A grande maioria dos italianos rejeitou a guerra dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha para derrubar o regime de Saddam Hussein. Agora, o maior derramamento de sangue italiano desde a Segunda Guerra Mundial desencadeou uma discussão feroz sobre o sentido do engajamento da Itália no conflito.

Desespero e dilema - O jornal vê o pior ato terrorista contra aliados no Iraque como um duro golpe para os esforços desesperados de Washington na busca de ajuda internacional no Iraque, a fim de diminuir seus custos milionários e baixas em suas tropas. Com a morte de tantos italianos de uma só vez, o trabalho de convicção da Casa Branca se torna ainda mais difícil e gera mais desespero nas tropa americanas, estima o diário alemão. Há notícias dando conta que 14 soldados americanos já cometeram suicídio no Iraque.

Os mais de 35 ataques às tropas de ocupação mostram, na opinião da imprensa alemã em geral, que não existe uma solução rápida para o conflito. Pelo contrário, o dilema só aumenta, pois torna-se cada vez mais evidente que o reforço militar, por maior que seja, não protege as forças estrangeiras de terroristas suicidas, segundo o jornal Südwest-Presse. Uma transferência imediata da responsabilidade de governo aos iraquianos provavelmente não seria também de grande ajuda porque um governo de transição seria simplesmente estigmatizado como uma marionete dos Estados Unidos. Na opinião do jornal, seria duvidoso até um governo eleito democraticamente. Para o Westdeutsche Allgemeine Zeitung, um governo iraquiano tem sentido, mas sem garantia de sucesso. "A vantagem é que soldados, policiais e políticos iraquianos não são estrangeiros nem ocupantes".

O atentado contra o quartel-general italiano no Iraque representa um duro golpe para todos os aliados dos EUA, na opinião do jornal Financial Times Deutschland: "Ele mostra que os terroristas estão decididos a não se deter diante das medidas de segurança mais rigorosas e todas as instituições estrangeiros são um alvo em potencial. Seja em casernas ou organizações de ajuda humanitária, ninguém mais tem segurança no Iraque".

Alemanha mantém reservas - Enquanto a França se mostrou disposta a conversar com os EUA sobre ajuda para o Iraque, a Alemanha confirmou sua determinação de não engajar soldados no conflito. O ministro da Defesa, Peter Struck, repetiu, todavia, a oferta de Berlim para formar soldados e policiais iraquianos. O político social-democrata anunciou, ao mesmo tempo, o envio de três soldados em trajes civis para preparar uma possível evacuação dos alemães que se encontram no Iraque. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, são de 40 a 60 pessoas, inclusive jornalistas. No momento a Alemanha está preparando a reabertura de sua embaixada em Bagdá.

O chefe de governo alemão, Gerhard Schröder, escreveu uma carta de condolências ao seu colega italiano Silvio Berlusconi, qualificando o ato terrorista em Nassariah como "um ataque pérfido". O ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, pronunciou-se de forma semelhante. Schröder gerou a maior crise entre a Alemanha e os EUA, depois da Segunda Guerra Mundial, com um categórico não à guerra no Iraque durante sua campanha eleitoral em 2002.

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