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Cultura

Mais que bolsas de estudo

Muito mais do que o fomento em forma de dinheiro, o que caracteriza o trabalho da Fundação Alexander von Humboldt é a rede que se forma entre representantes de diferentes culturas e áreas do conhecimento humano.

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Alexander von Humboldt, patrono da fundação que completa 50 anos

Os números falam por si. Desde que foi instituída pelo então chanceler federal Konrad Adenauer, a 10 de dezembro de 1953, a Fundação Alexander von Humboldt (AvH) concedeu bolsas de pós-doutorado a 23 mil pesquisadores e cientistas de 133 países. Entre os humboldtianos, há 35 portadores do Prêmio Nobel de diferentes disciplinas. O mais recente laureado entre os membros da comunidade da AvH, o russo Vitaly Lazarevich Ginzburg, está recebendo o Nobel de Física justamente nesta quarta-feira, em Estocolmo.

Ligação para toda a vida

Não são, porém, as estatísticas nem os nomes ilustres que compõem a lista de seus antigos bolsistas o maior motivo de orgulho dos responsáveis pela fundação. O que distingue a entidade de outras que fomentam o intercâmbio acadêmico internacional é a verdadeira comunidade que se formou nestas cinco décadas e que não pára de crescer.

Uma imensa "família humboldtiana" instalou-se pelo mundo afora: cientistas e pesquisadores que passaram uns tempos na Alemanha realizando projetos nas mais diferentes áreas, juntamente com os cônjuges e filhos, alguns dos quais voltam mais tarde ao país para também estudar em uma de suas escolas superiores.

Funcionam em 70 países cerca de cem associações humboldtianas, criadas sempre por iniciativa de ex-bolsistas. Um sinal de que estes se identificam com o espírito que rege o trabalho da fundação, acentua Gisela Janetzke, vice-secretária-geral da AvH e chefe do setor de bolsistas estrangeiros, em conversa com a DW-WORLD.

Humboldtianos brasileiros

O Brasil também tem seu Clube Humboldt, com sede em São Paulo. Fundado em 1996, ele congrega boa parte dos 250 ex-bolsistas brasileiros da AvH. Em encontros regulares, os especialistas de diferentes áreas trocam informações sobre as mais recentes pesquisas em suas respectivas disciplinas e divulgam o trabalho da fundação entre jovens pesquisadores e cientistas.

As bolsas da AvH estão abertas a estudiosos de qualquer país e de qualquer área de estudo, sem qualquer cotização. O que conta para conseguir uma bolsa é ter já o grau de doutor e um projeto definido de pesquisa. A idéia da fundação, diz Gisela Janetzke, é "fomentar os melhores de cada país". A seleção dos candidatos fica a cargo de uma comissão de cientistas. Embora financiada por recursos públicos, a fundação é independente na escolha de seus bolsistas.

Brasil, Argentina e Chile são os países da América Latina que concentram o maior número de ex-bolsistas da Humboldt. A maior parte dos humboldtianos brasileiros são das ciências naturais (72%), especialmente da física e medicina; 15% provêm da área das humanas e 13% da engenharia.

Nome é programa

A entidade que agora completa 50 anos é a terceira a se criar na Alemanha com o nome de Alexander von Humboldt (1769—1859) e com o compromisso de cultivar o espírito que guiou o último gênio universal da humanidade em sua vida de estudos e pesquisas. Considerado o "segundo descobridor da América", em virtude da viagem que realizou por grande parte do continente, de 1799 a 1804, Humboldt empregou todo seu patrimônio em seus próprios estudos e no fomento a jovens cientistas.

Um ano após sua morte, criou-se em Berlim, graças à iniciativa privada, uma fundação com seu nome, destinada a financiar viagens de pesquisa de cientistas alemães ao exterior. Com seu capital engolido pela inflação galopante que assolou a Alemanha após a Primeira Guerra Mundial, ela precisou fechar as portas em 1923. Uma nova fundação, instituída em 1925 com a finalidade de prestar apoio a pesquisadores e doutorandos estrangeiros nas universidades alemãs, funcionou até 1945. A atual Fundação Alexander von Humboldt, com sede em Bonn-Bad Godesberg, iniciou sua história de sucesso com o modesto capital simbólico de cinco mil marcos.

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