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Cultura

Levante dos relevantes e outras prosas

A literatura contemporânea alemã é constantemente acusada de não ter alcance internacional e de não produzir mais clássicos. Talvez a época dos grandes nomes realmente tenha passado...

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'Livros têm senso de dignidade: quando emprestados, não voltam nunca mais' (Theodor Fontane)

Talvez seja apenas a costumeira falta de assunto de verão. Talvez tudo se deva à conjuntura da palavra "crise" em épocas em que faltam idéias. Mas quem sabe também haja um fundo de verdade. Fato é que a mídia alemã não pára de publicar manifestos, críticas, polêmicas que alardeiam a decadência da literatura alemã contemporânea.

Apenas falta de assunto?

Os argumentos são diversos. Não é de hoje que os críticos reclamam da pobreza de estilo dos textos narrativos, da falta de assunto (ou "experiência de vida") dos autores jovens, do tédio das eternas expedições individuais em busca de identidade, da aridez das representações superficiais do mundo. Mas como as coisas parecem não querer mudar, as reclamações continuam em surtos esporádicos.

Martin Walser (Bildergalerie Buchpreis-Kandidaten 2008)

Martin Walser

O que se nota, por parte dos escritores, em geral alheios às críticas coletivas, é uma tentativa de defender seus nichos. Escritores veteranos, como Günter Grass e Martin Walser, defendem seu direito de continuar em atividade, apesar de sua época já ter passado. A geração de autores inaugurados na euforia pop da década de 90, em parte ainda teenagers, defende seu direito de continuar escrevendo, mesmo sem ter muitos anos de aventuras a narrar.

Realismo, ainda relevante?

E para assegurar a existência de uma geração intermediária de escritores, um grupo de romancistas lançou um manifesto no jornal Die Zeit há algumas semanas, proclamando o movimento do Realismo Relevante. Martin R. Dean (1955), Thomas Hettche (1964), Matthias Politycki (1955) e Michael Schindhelm (1960) enterram, por um lado, "os velhos desbocados, as últimas instâncias da interpretação, com e sem cachimbo" (uma referência a Günter Grass) e envenenam, por outro lado, "os servidores da literatura popular e os técnicos de uma inesgotável estética do esgotamento", destacando uma geração intermediária, "adulta", ou seja, eles mesmos.

O romancista está morto?

"Qual é a do romance?", intitulam os quatro escritores seu manifesto. E, após atirar para todos os lados, respondem de forma nada precisa: "O romance tem que resgatar como assunto próprio as questões contemporâneas que foram esquecidas ou transformadas em tabu, tem que apresentar a problemática atual de forma compromissada, seja em contexto local ou global". Além de tocar a antiga tecla da função social da literatura, este manifesto diz realmente muito pouco.

Juli Zeh

Juli Zeh

Provavelmente prevendo que a polêmica não fosse ter um impacto muito grande, o próprio jornal Die Zeit convidou quatro escritores a se pronunciar sobre o manifesto. Juli Zeh (1974) interpretou o manifesto como uma retomada do "estilo americano" na narrativa, reavivado de quando em quando na Alemanha. Andreas Maier (1967) se recusou terminantemente a servir às altas e sagradas esferas da sociedade e até mesmo à própria sociedade. Uwe Tellkamp (1968) conclamou os caros colegas do Realismo Relevante a escrever bons livros e evitar os ruins, lembrando que o resto é irrelevante. Hans-Ulrich Treichel (1952) comentou que "o romancista é aquele que sempre olha para trás e recorda. Não importa para onde se dirija. À sua maneira, o romancista já está morto".

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