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Especial

Kurt Masur: embaixador das culturas

Kurt Masur é admirado não só como regente, mas também por seu empenho humanitário. No Oriente Médio, por exemplo, ele soube associar música a missão de paz.

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'O que eu quero é ser compreendido em minha criatividade'

"Meu primeiro concerto vivenciei aos 16 anos. Nunca tinha ouvido uma orquestra sinfônica até então. Fiquei tão impressionado, que simplesmente tive que me tornar regente", diz Kurt Masur. Essa decisão foi um tanto surpreendente, sobretudo para sua família.

Eles diziam: "Este menino que vive gaguejando na frente de qualquer pessoa vai querer dirigir cem músicos?" Tanto queria, que conseguiu. Ao longo de sua longa carreira, Kurt Masur já regeu a maioria das grandes orquestras do mundo.

Fidelidade ao compositor

Kurt Masur nimmt Abschied

Kurt Masur regendo a Filarmônica de Nova York

Nascido em 1927, em Brieg (Silésia, hoje Polônia), Kurt Masur estudou piano, composição e regência na Escola Superior de Música de Leipzig. A amor pela música foi algo que ele conheceu bem antes. Uma de suas primeiras professoras lhe ensinou o quanto é importante respeitar o que o compositor escreveu.

"O compositor já disse tudo. Já é difícil o suficiente extrair tudo da composição e descobrir todos os detalhes. Não é questão de gosto. Não é o caso de ficar tentando mudar uma coisa aqui e outra ali", explica Masur.

Enquanto freqüentava a faculdade, em Leipzig, Masur conheceu Wilhelm Furtwängler, um dos maiores regentes do século 20. O encontro impressionou profundamente o jovem estudante. "Tínhamos a permissão de assistir aos seus ensaios. Foi a primeira vez que percebi que um grande regente pode alcançar o que quiser, se souber se comunicar com sua orquestra." Ao observar Furtwängler trabalhando, ele compreendeu as qualidades que um regente precisa ter.

Após ter se formado em Leipzig, Masur trabalhou primeiro como maestro no Teatro de Halle e nas óperas de Erfurt e Leipzig. Em 1955, assumiu o cargo de regente da Filarmônica de Dresden. Na função de diretor musical do Teatro de Mecklemburg, em Schwerin, ele retornou três anos depois à ópera. Entre 1960 e 1964, trabalhou com o influente diretor geral da Ópera Cômica de Berlim, Walter Felsenstein.

A antiga orquestra de Masur, a Filarmônica de Dresden, o convidou a retornar à regência de concertos em 1967. Nesse ano, começou uma nova fase na vida do regente. "Era grandioso estar com uma orquestra diante da qual eu não tinha que dar uma de chefe ou grande mestre. Éramos parceiros e, pela primeira vez na vida, eu entrei numa parceria para a qual todo mundo colaborava com convicção."

Do Leste Alemão para o exterior

Gewandhaus

Gewandhaus, de Leipzig

Dois anos depois, Masur recebeu a oferta de assumir a regência da Gewandhausorchester de Leipzig, a tradicional orquestra cujos primeiros concertos ocorreram no salão da tecelagem da cidade, a partir de 1781. Sob a direção de Masur, a companhia se tornou conhecida internacionalmente.

"Durante um tempo, trabalhei com as duas orquestras, mas depois naturalmente ficou impossível levar isso adiante", recorda Masur. O regente decidiu-se por Leipzig. "Mas a ligação com Dresden existe até hoje", ressalta.

Durante seus 27 anos em Leipzig (de 1970 a 1996), ele conquistou fama mundial. Um ponto alto desta trajetória foi a primeira turnê pelos Estados Unidos, em 1974. Com sua atividade, Masur chamou atenção internacional, uma atenção que não se limitava ao resultado musical em palco, mas também foi despertada por seu empenho pela paz e ajuda humanitária em regiões em crise.

Masur também teve um papel relevante nas manifestações pacíficas de 1989, em Leipzig, que culminaram com a reunificação da Alemanha.

Após adoecer gravemente, Masur teve que se submeter a um transplante de rim, em 2001. Algumas semanas depois, já estava no palco de novo, regendo uma série de concertos com a Filarmônica de Israel.

"Eles gostavam de brincar, com seu humor tipicamente israelense", lembra Masur. "Conversavam entre si e depois se viravam para mim: 'Sr. Masur, com a energia com que o senhor trabalha, é possível que tenham transplantado por engano um rim de leão'".

De Telavive para Nova York

Mauer zwischen Israel und Palästina mit Flagge

Muro entre Israel e Palestina

Masur sempre fala da orquestra filarmônica israelense com grande estima. Afinal, não foi nada fácil para ele trabalhar com a companhia numa região de conflito permanente como o Oriente Médio.

"Eles têm uma formação tão boa e uma sede tão grande de música que eu não queria deixá-los sozinhos na época. Mesmo enfrentando perigos de vez em quando, vou continuar tentando trabalhar lá." Em 1992, ele recebeu o título vitalício de convidado de honra da Filarmônica de Israel.

Um ano antes, Masur havia sido nomeado diretor musical da Filarmônica de Nova York. Uma posição que, segundo ele, abriu-lhe as maiores chances de sua vida. "Uma orquestra com um nível de qualidade tão alto e com tanta dedicação é o sonho de todo regente." Após 11 anos, no final da temporada de 2002, Masur encerrou seu trabalho em Nova York.

Música para gente

O acesso singular de Masur à música foi e continua sendo festejado pela mídia e pelo público. Em 1993, o semanário Musical America elegeu-o músico do ano. Desde 1975, ele ocupa uma cadeira na Academia de Música de Leipzig, além de títulos de honra de 12 outras universidades.

Em 1995, foi condecorado com a Cruz de Mérito do governo alemão e um ano depois recebeu o prêmio de música do National Arts Club. Em 1997, o governo francês o incluiu na Legião de Honra. A cidade de Nova York nomeou-o "embaixador das culturas".

Tristan und Isolde von Wagner

Despedida de Kurt Masur da Filarmônica de Londres

Atualmente, Masur é convidado a reger as maiores orquestras do mundo. E não se cansa de lutar pela formação musical. "Acho que Deus me ajudou. Apesar de todos os obstáculos, me ajudou a escolher a profissão certa. E para mim esta é a maior felicidade que pode existir. Não se trata de fazer sucesso. O que eu quero é ser compreendido em minha criatividade e ajudar as pessoas com a minha música."

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