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Alemanha

Igrejas renascem no Leste Europeu

Depois de perder terreno durante 50 anos, a Igreja tradicional toma novos impulsos no Leste Europeu.

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Catedral de São Miguel, em Kiev

Os fiéis de países católicos como a Espanha, Itália ou Irlanda, onde são profundas as raízes da Igreja tradicional, distanciam-se cada vez mais da religião. Esta tendência verifica-se também na Alemanha, embora as paróquias católicas e luteranas do país contem com 26 milhões de filiados. Mesmo que a situação hoje não seja tão grave como na década de 70, o número de pessoas que cancelam a filiação é três vezes superior ao de novos fiéis.

A maioria dos alemães tornou-se "cristão de feriado", que só comparece à igreja em dias de festas religiosas, reclama Peter Maser, professor de Teologia na Universidade de Münster. O fato de as igrejas ficarem vazias nos domingos não é indício de que as pessoas tenham perdido a fé, adverte Renate Polak, do Instituto de Teologia Pastoral, de Viena. Pelo contrário, um estudo do instituto revelou que dois terços dos europeus se consideram religiosos.

Acima de tudo, a igreja está perdendo terreno entre os jovens. Para Fernando Enns, do Instituto Ecumênico, de Freiburg, trata-se de um problema de marketing da Igreja tradicional, que não está preparada para o engajamento cada vez mais individualizado dos fiéis. Na opinião de Hermann Barth, vice-presidente do Conselho da Igreja Luterana Alemã (EKD), teriam de ser oferecidos tratamentos diferenciados aos vários grupos de fiéis, da mesma forma como a televisão atende os seus espectadores.

Diferenças no Leste Europeu

Beten

Os problemas da Igreja ocidental não se refletem nos países do Leste Europeu, que se libertaram de seus regimes comunistas. "Em geral, pode-se dizer que as pessoas lá estão muito curiosas e se perguntam sobre o que a Igreja quer e o que ela tem a oferecer", constata Maser. Ele cita como exemplo o ex-presidente da Geórgia, Eduard Shevardnadze, que se deixou batizar há três anos. Também na Albânia, fortemente ateísta no passado, a Igreja Católica está ressurgindo.

Este renascimento se deve basicamente ao apoio das igrejas das nações vizinhas, pois as comunidades locais carecem não só de recursos financeiros, como também intelectuais e estruturais. Neste aspecto, a ampliação da União Européia para 25 membros, em maio próximo, é aguardada com otimismo.

Na Rússia, pode-se falar de um renascimento da religião, disse Maser. "Apesar do regime soviético e sua agressiva propaganda ateísta, a religiosidade conseguiu sobreviver na clandestinidade", salienta o teólogo. A confissão de fé foi mantida através do canto, dos símbolos e dos rituais. O estudo do instituto vienense confirmou que a igreja continua sendo um importante apoio aos pobres e fracos na sociedade e que, mesmo numa paróquia muito pobre, todos zelam pela beleza da igreja e da casa do padre, embora os prédios a sua volta possam estar caindo aos pedaços.

Sacralização do poder

Treze anos após a derrocada do comunismo, a Igreja ortodoxa reassumiu o papel que desempenhava há 800 anos: ao lado do poder. O atual presidente russo, Vladimir Putin, inclusive aposta nela, seja como apoio moral da sociedade moderna ou como único suporte do sistema social.

O sistema constatou que os párocos podem suprir deficiências em vários setores, seja no atendimento direto aos fiéis ou na forma de bênção das lavouras.

Se for preciso, os sacerdotes abençoam também tanques ou armas nucleares, ajudam na mobilização contra críticos ao governo ou fortalecem as costas do governo na questão da Chechênia. "Uma sacralização do poder", escreveu o jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

Pelo contrário, em países como a República Tcheca, Estônia ou Polônia, Maser está verificando uma "queda dramática dos fiéis em comparação com 1990". As igrejas polonesas, que tiveram um forte impulso após a posse do papa João Paulo II, sofrem agora as conseqüências da sociedade liberal, ressalta o professor de Teologia da Universidade de Münster. (rw)

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