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Mundo

Igreja envelhece mais que sociedade

Como novo presidente da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD), o bispo Wolfgang Huber terá que enfrentar um dos principais problemas da Igreja: o envelhecimento dos seus fiéis.

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Huber, eleito por ampla maioria em Trier

O bispo Wolfgang Huber, 61 anos, foi eleito nesta quarta-feira presidente da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD) pelo sínodo da entidade, reunido em Trier. O professor de Teologia e bispo em Berlim substitui Manfred Kock, que não se candidatou por motivos de idade. Entre os desafios a serem enfrentados pelo novo presidente está o envelhecimento dos membros da comunidade luterana, o que, em alguns anos, pode significar uma diminuição no total de fiéis e, conseqüentemente, na disponibilidade de recursos para a manutenção de serviços prestados pela Igreja.

No início dos anos 70, quando a EKD realizou a primeira pesquisa para averiguar como seus membros se relacionavam com ela, muitos previam que o percentual de adeptos às duas principais religiões alemãs cairia drasticamente. A queda não foi tão forte quanto anunciada (cerca de 5 milhões de alemães abandonaram a Igreja luterana desde 1970), mas um novo aspecto levanta preocupações: a idade média dos fiéis é maior que a da população do país.

“O mais grave será o fator demográfico. Nós já temos agora um maior envelhecimento dos membros da Igreja em comparação à população total”, afirma o sociólogo e teólogo Rüdiger Schloz, que apresentou recentemente os resultados da quarta pesquisa decenal entre os membros da EKD. Foram ouvidos quase 2 mil fiéis entre setembro e outubro de 2002. As consultas anteriores foram realizadas em 1972, 1982 e 1992.

Serviços serão afetados

Uma forte queda no número de membros teria efeitos imediatos nos serviços prestados pela Igreja, como asilos e centros de aconselhamento a famílias, já que os recursos disponíveis – principalmente oriundos do imposto da Igreja, descontado diretamente do salário dos fiéis – também seriam menores. Por outro lado, há uma constante elevação dos custos de pessoal e manutenção de instalações. Scholz ressalta não ser fácil adaptá-los à nova situação, "de modo que a Igreja enfrentará, nas próximas décadas, grandes dificuldades para manter os serviços que ela hoje oferece à sociedade". Para ele, a Igreja terá de adaptar sua estrutura à essa realidade e considerar o que ela ainda poderá sustentar.

Fraco engajamento

A pesquisa da EKD revelou que, para a maior parte dos fiéis, a relação com a Igreja pode ser traduzida na seguinte frase: “Bom que haja uma Igreja, mas para mim ela só precisaria existir em ocasiões especiais.” Em outras palavras, para a maioria a palavra Igreja está relacionada com batismo, confirmação, casamento, Natal e Páscoa. Poucos têm interesse em se engajar na vida comunitária.

Na opinião de Scholz, as expectativas dos fiéis em relação à atuação da Igreja são antes de mais nada convencionais. Segundo ele, espera-se que ela pregue a doutrina cristã de forma atual e humana, preste assistência religiosa à comunidade e se preocupe com a educação das crianças, traduzindo a tradição cristã de maneira compreensível e atraente para os menores.A comparação entre os resultados das quatro pesquisas mostra que, apesar da diminuição do número de fiéis, é constante o número de membros que se declara próximos da Igreja. O percentual dos que afirmam ter uma relação estreita ou se declaram relativamente ligados com a vida comunitária é de 37% no mais recente levantamento. Esse número não apresentou mudanças consideráveis em três décadas – foi de 37% em 1972, 36% em 1982 e 39% em 1992.