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Mundo

Holanda em estado de choque

Após enterro do cineasta Theo van Gogh, a Holanda vive onda de terrorismo, com mesquitas incendiadas em diversas cidades. A insegurança da população é grande e as consequências políticas, ainda imprevisíveis.

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Holandeses levam flores ao local onde foi assassinado Van Gogh

Com um grande número de imigrantes, a Holanda foi durante décadas um exemplo de tolerância e integração étnica na Europa. Desde o assassinato do cineasta Theo van Gogh no dia 2 deste mês, no entanto, esta imagem parece ruir. Diversas instituições islâmicas foram incendiadas. Na terça-feira (09/11), pouco após o enterro do cineasta, mais uma escola islâmica foi posta em chamas. E, mesmo que não haja vítimas, a Holanda já sente as conseqüências políticas do ato.

De acordo com informações da polícia holandesa, o fogo que praticamente destruiu a escola primária Bedir, na cidade de Uden, cerca de 80 quilômetros ao sul da capital Amsterdã, teve início em torno das 21 horas nas dependências centrais do prédio, sendo que as chamas logo se espalharam para os demais recintos. Felizmente, a escola estava vazia.

Segundo a polícia, há evidências de uma relação entre o incêndio e o assassinato do cineasta Theo van Gogh. Não apenas pelo fato de o fogo ter começado logo após o encerramento da cerimônia fúnebre, mas principalmente pela inscrição "RIP Theo" ( descanse em paz, Theo), deixada na fachada da escola. Testemunhas alegam ter encontrado em outra parede o símbolo dos white power, que promovem o racismo branco.

País vive onda de atentados

Não se trata, no entanto, do primeiro ato terrorista que abalou a Holanda desde a morte de Theo, descendente direto do pintor Vincent van Gogh, assassinado a tiros em plena luz do dia por um marroquino naturalizado holandês de 26 anos. O assassino, que completou com uma facada seu ato de vingança por um filme no qual Van Gogh criticou a violência contra a mulher no Islã, deixou junto ao corpo uma lista de nomes ameaçados.

Anschlag auf moslemische Schule in Eindhoven, Niederlande, Feuerwehrmann

Escola muçulmana em Eindhoven, onde uma bomba explodiu

Logo após o atentado, cerca de 20 mil pessoas participaram de uma manifestação em Amsterdã. Batendo palmas, assobiando e rufando tambores, os participantes quebraram a tradição holandesa de caminhar pelas ruas em silêncio em casos de luto nacional. Segundo o prefeito Job Cohen, cujo nome também consta da lista de ameaçados, a sociedade holandesa deve demonstrar sua convicção, e o silêncio seria inadequado.

A população parece ter entendido a mensagem. Seguindo à morte do cineasta, foram incendiadas mesquitas nas cidades de Breda, Rotterdã e Utrecht. Em Huizen, a polícia chegou bem a tempo de impedir outro incêndio. Em Amsterdã, um centro de apoio a imigrantes foi pichado de vermelho e uma bomba explodiu numa escola na cidade de Eindhoven.

Políticos reagem com incerteza

Na Holanda, cada vez mais muçulmanos vêm se tornando alvo de ataques. "Eu mesma vi mulheres serem cuspidas no mercado simplesmente por portar véus e vestidos longos", conta Najem Oulad Ali. "Desde a morte de Van Gogh, nossa situação realmente piorou muito. Temos medo pelas crianças, medo de como será no futuro. E não podemos fazer nada, estamos de mãos atadas."

Dos 16 milhões de habitantes da Holanda, 944 mil são muçulmanos – um índice de 5,8%. O governo estima que 5% do total seja formado por radicais islâmicos. Ao todo, 3,08 milhões de pessoas são estrangeiros ou filhos de pai ou mãe estrangeiros. Destes, 306 mil são marroquinos.

Políticos reagem com incerteza, aumentando a insegurança da população. O ministro do Interior criticou a Justiça holandesa, que, em sua opinião, não age com a dureza necessária. Recentemente, Geert Wilders, seguidor do populista de extrema direita Pim Fortuyn, assassinado em 2002, jogou ainda mais lenha na fogueira ao promover um ataque generalizado contra o Islã.

"Devemos combater os abusos do Islã. Deveríamos ter a possibilidade de expulsar pessoas, limitar a imigração e fechar mesquitas", provocou. "Mas quem coloca fogo em mesquitas e escolas também não está muito bem da cabeça."

Alarme em Haia

Der internationale Strafgerichtshof in den Haag

Tribunal Penal Internacional em Haia

Segundo informação do jornal alemão Spiegel Online, uma unidade antiterror da polícia holandesa cercou esta quarta-feira (10/11) uma casa no bairro de Laak, localizado no centro da cidade de Haia e habitado em sua maior parte por imigrantes. Por motivos de segurança, também foi interrompido o tráfego aéreo sobre a cidade, sede do Tribunal Penal Internacional. Moradores do bairro tiveram de abandonar suas casas. A polícia vasculhou objetos pessoais dos moradores e, pela manhã, um homem foi levado preso. Segundo a polícia, a operação ainda vai durar até amanhã, quinta-feira. Ainda não há evidência de um envolvimento com a morte do cineasta Theo van Gogh.

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