Helgoland: a ilha deserta do futuro? | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 01.01.2004
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Economia

Helgoland: a ilha deserta do futuro?

Mais de 500 mil pessoas visitam Helgoland todo ano, mas a população jovem da ilha está evadindo para o continente, em busca de melhores chances de formação e trabalho.

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Helgoland começou a ser repovoada na década de 50

Helgoland, uma pequena ilha no Mar do Norte, corre seu maior risco de extinção desde que os ingleses passaram a usá-la para testes de bombardeio após a Segunda Guerra Mundial.

Metade dos habitantes da ilha, um destino de viagem predileto de excursionistas alemães atraídos pela natureza e pelas ofertas duty free, tem mais de 50 anos. Menos de um quarto tem uma idade inferior a 30 anos. Além do mais, a ilha perde 30 pessoas por ano: sua população diminuiu de 1950 para 1650 habitantes durante última década.

"A maior causa é o êxodo da juventude", explicou o prefeito Frank Botter à DW-WORLD. "Eles vão embora para estudar, pois não podem obter aqui na ilha o certificado de 2º grau que precisam para entrar na faculdade – para isso eles têm que ir para o continente e geralmente não voltam mais."

Reduzidas chances de formação

A escola mais próxima que oferece o certificado de 2º grau para quem queira cursar a universidade fica a duas horas de ferry boat da ilha. Um problema típico das ilhas do Mar do Norte são os gastos com que os pais têm que arcar, caso queiram enviar seus filhos para estudar no continente.

Os custos médios são de pelo menos 7200 euros por ano, avalia Botter, cuja própria filha freqüentou quatro anos uma escola fora da ilha. Em cooperação com outras ilhas, o prefeito de Helgoland está tentando conseguir que os governos federal e estadual reembolsem os custos escolares dos pais com filhos estudando no continente.

Arregaçando as mangas

Reagindo à diminuição da população, os políticos de

Luftaufnahme von Helgoland

Helgoland: única ilha alemã em alto-mar

Helgoland iniciaram uma ofensiva para convencer os jovens a permanecer na ilha e para atrair outras pessoas. Diante dos altos preços no mercado imobiliário de Helgoland, a prefeitura planeja investir 2,3 milhões de dólares para construir moradia barata para jovens famílias e trabalhadores.

Ao contrário do que acontece no continente, a demanda geralmente supera a oferta de empregos de baixa qualificação. A ilha em si, com uma área de apenas um quilômetro quadrado, só tem 52 desempregados. O meio milhão de turistas que invadem Helgoland, vindos todos os dias de cidades como Bremen e Hamburgo, traz mais de 85 milhões de euros para a ilha. Embora a florescente indústria de turismo gere muitos empregos, eles tendem a ser no setor de prestação de serviço, ou seja, pouco atraentes para quem abandona Helgoland em busca de qualificação profissional.

Procurados: mais empregadores – e um dentista

O renomado laboratório internacional de pesquisa marinha, com seus 170 funcionários, é o maior empregador da ilha. Helgoland também está negociando a possibilidade de sediar na ilha postos da guarda costeira da União Européia e da guarda alemã de fronteiras, além de agências de proteção ambiental, o que proporcionaria à ilha novos empregos e atrairia famílias jovens.

Um outro problema é o isolamento geográfico da Helgoland. O único dentista da ilha acabou de se aposentar, o que significa que pacientes com dor de dente são obrigados a esperar um dos quatro ferry boats que partem da ilha durante o inverno. Isso com certeza não contribui para atrair gente nova para lá.

Um símbolo germânico

Helgoland é símbolo da tradição e cultura alemãs há mais de cem anos. No entanto, embora a ilha tenha sido povoada há dois mil anos atrás, ela só foi incorporada à Alemanha em 1890, após ter passado pelas mãos de ingleses e dinamarqueses.

"Helgoland é associada à grande tradição de poetas e pensadores que costumavam viajar à ilha na virada de século", confirma Manfred Augener, editor do jornal local Pinneberger Zeitung. Durante a Segunda Guerra, Hitler transformou a ilha num importante porto naval, o que justifica a dimensão arrasadora dos bombardeios aliados. "Houve os bombardeios, a ocupação e depois – o que é pior – os ingleses tentaram destruir a ilha completamente com os seus testes 'big bang'", afirma Augener. A ilha só começou a ser repovoada em 1952.

O prefeito Botter espera que a população da ilha chegue a 1700 habitantes, o que seria considerado um verdadeiro sucesso. Para o jornalista Augener, os

Helgoland Steilküste und Lange Anna

As escarpas de Helgoland

políticos de Helgoland estão começando a levar a sério a crise pela qual está passando a ilha. "As pessoas começaram a entender que o turismo não pode ser a única possibilidade. É preciso oferecer mais às pessoas, eles têm que se esforçar mais para mantê-las aqui." – adverte ele.

Isso seria uma chave para a sobrevivência da ilha a longo prazo. "Se a juventude não vier" – prevê o prefeito Botter – "algum dia a ilha vai apagar as luzes."

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