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Esporte

Fim de uma era

O campeão é o Bayern de Munique, mas quem comemorou fim do campeonato foi o Bayer Leverkusen e o Stuttgart. Bundesliga perde várias de suas estrelas. Élber sagra-se artilheiro pela primeira vez.

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Lúcio (camisa branca) e seus colegas de Leverkusen tiveram enfim o que comemorar

O Campeonato Alemão 2002/2003 teve um desfecho exótico. Com o título garantido na 30ª rodada e tendo recebido a taça já na 33ª e penúltima, o Bayern de Munique entrou em campo contra o Schalke apenas para cumprir tabela – perdeu por 1 a 0. As cenas de jogadores eufóricos, pulando e correndo pelo gramado, e torcedores vibrando foram reservadas para Stuttgart e Nurembergue.

Freude in Stuttgart

Jogadores do Stuttgart jogam o técnico Felix Magath para o alto

Na primeira cidade, o clube local festejou o vice-campeonato, após aguardar alguns segundos pelo encerramento do jogo em Dortmund. Lá, o campeão da temporada passada, o Borussia, apenas empatou com o lanterna Energie Cottbus (1x1) e cedeu o segundo lugar e a classificação automática para a Liga dos Campeões da Europa para o jovem time do Stuttgart, a grande surpresa da competição.

Vergonha menor

Em Nurembergue, o Bayer Leverkusen viveu uma tarde de alívio. Abraços, choro, sorrisos, aclamação junto aos torcedores. Parecia que o clube rotulado de eterno vice havia realizado seu sonho de dar um passo adiante. Que nada. Havia escapado do rebaixamento. Uma festa da qual teoricamente o vice-campeão alemão e europeu de 2002 deveria se envergonhar.

Para o Leverkusen, a temporada da Bundesliga teve caráter de fim de uma era. Após anos de briga pelos primeiros lugares e ter chegado ao auge ao disputar a final da Liga dos Campeões há um ano, o time passou o campeonato dando vexames e lutando contra o rebaixamento, meta só alcançada na última rodada.

Estrelas que se vão

Se a venda de Ballack e Zé Roberto pode ser considerada uma das causas da queda de rendimento do Leverkusen, agora o clube será obrigado a se mutilar ainda mais e ver piorar sua competitividade. Fora das competições européias – e sem seus recursos financeiros – na próxima temporada, não há como sustentar jogadores com salários de estrelas mundiais. O zagueiro brasileiro Lúcio e o meia alemão Schneider – ambos finalistas da última Copa do Mundo – deverão ser vendidos, trazendo dinheiro aos cofres do clube e reduzindo a folha de pagamento. Também Bastürk, da seleção da Turquia, e Placente, da Argentina, podem deixar o time.

Com o fim da temporada, o futebol alemão parte para um período de incerteza quanto à criatividade nos espetáculos em campo. De uma só vez, vários armadores – verdadeiros artistas da bola – despediram-se da Bundesliga: Hässler (1860 Munique) e Möller (Schalke), ambos campeões mundiais e europeus; os sempre rebeldes Effenberg (Wolfsburg) e Basler (Kaiserslautern), que vão seguir jogando por petrodólares em países árabes; e o búlgaro Balakov, que se tornará diretor de esportes do Stuttgart.

A eles somam-se os atacantes Kirsten (Bayer Leverkusen) e Preetz (Hertha Berlim), ambos ex-Seleção Alemã, e o mais velho goleiro da Bundesliga, Reitmaier, de 39 anos, aposentado à força pelo novo técnico do Wolfsburg, Jürgen Röber. Na Itália, o centroavante alemão Bierhoff igualmente pendurou as chuteiras, dando adeus com três gols pelo Chievo Verona, que no entanto perdeu de 4 a 3 para a Juventus.

Muita crise, pouco futebol, mas recorde de torcida

O ano futebolístico, que começou tendo como temas a crise financeira da Bundesliga e dos clubes, transcorreu com reclamações sobre a atuação dos juízes e escândalo de um acordo secreto entre o Bayern de Munique e o falido Grupo Kirch, que ainda detém os direitos de televisionamento, e terminou com desconfiança de manipulação de resultados.

Em campo, o futebol recém vice-campeão mundial teve poucos momentos de brilho, o que se refletiu na queda da quantidade de gols: 821 contra 893 na temporada passada. Os de pênaltis caíram de 102 para 68. O número de cartões mostra uma certa estabilidade no quesito disciplina: 71 expulsões.

Apesar da perda de qualidade, os torcedores não se afastaram dos estádios. Pelo contrário, bateram novos recordes de freqüência. Ao todo, foram 10,4 milhões de espectadores, numa média de 34,1 mil por jogo. Mais uma vez a torcida do Borussia Dortmund foi a mais assídua (média de 66,1 mil por jogo), à frente da do Schalke (58,6 mil por partida) e do Bayern de Munique (52,5 mil).

Números do vencedor

Meisterschale für Bayern München

O capitão e goleiro Kahn ergue a "bandeja" da Bundesliga na festa antecipada do Bayern de Munique, na penúltima rodada

Embora não tenha sido o campeão de público, o Bayern liderou em outros números para respaldar seu 18º título na Bundesliga: 75 pontos (16 a mais que o Stuttgart), 23 vitórias em 34 jogos, 45 gols de saldo (quase o dobro do Borussia Dormund), 70 gols a favor e só 25 contra.

De seu elenco despontou ainda um dos artilheiros, o brasileiro Giovane Élber, ao lado do dinamarquês-espanhol Christiansen (Bochum), com 21 gols. Dos goleadores verde-amarelos, brilharam também Aílton (Werder Bremen), com 16 gols, e o alemão carioca Kevin Kuranyi (Stuttgart), que com 15 gols tornou-se uma das revelações da temporada. Marcelinho Paraíba (Hertha Berlim) marcou 14 gols.

Sobe e desce

A classificação final dos clubes definiu também o futuro delas na próxima temporada. Hamburgo, Hertha e Kaiserslautern (este como finalista da Copa Alemanha) vão disputar a Copa da Uefa. Como terceiro colocado da Bundesliga, o Borussia Dortmund também tem lugar garantido na Copa da Uefa, mas tem chance de, através de jogos de repescagem, passar para a Liga dos Campeões, na qual Bayern de Munique e Stuttgart já têm presença assegurada.

Werder Bremen, Schalke e Wolfsburg ficaram com o consolo da UI-Cup, um torneio de acesso à Copa da Uefa. E, na próxima temporada, Arminia Bielefeld, Nürnberg e Energie Cottbus voltam à segunda divisão, enquanto Freiburg, Colônia e Eintracht Frankfurt tentarão novamente a sorte na primeira.

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