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Esporte

Subornaram o Bayern?

Revista denuncia contrato secreto entre Bayern de Munique e Kirchmedia. Clube ganharia até 90 milhões de euros para defender centralização do marketing da Bundesliga nas mãos do grupo Kirch.

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Beckenbauer: "Foi um erro não termos divulgado o contrato"

Com larga vantagem de pontos na liderança do Campeonato Alemão, não é apenas dentro de campo que o Bayern de Munique vem sendo caçado pelos concorrentes. Desde quarta-feira, uma nova disputa abriu-se, desta vez no mais alto escalão da Bundesliga. A revista Manager Magazin denunciou que o recordista de títulos da Alemanha firmara em dezembro de 1999 um desconhecido contrato com a empresa Kirchmedia.

O acordo previa o pagamento de mais de 90 milhões de euros até meados de 2005, mas devido à falência do grupo Kirch de comunicação, o contrato foi desfeito em dezembro de 2002. De fato, o Bayern teria recebido apenas 20,5 milhões. Parece pouco diante do previsto, mas a quantia quase equivale ao orçamento anual da equipe de futebol de um clube pequeno da primeira divisão, como o Nürnberg.

Alguns dirigentes de clubes e da própria Liga Alemã de Futebol (DFL) vêem na atitude do Bayern uma quebra do pacto de solidariedade entre os 36 membros da Bundesliga (primeira e segunda divisões). É praxe os clubes informarem à Liga seus contratos de marketing e ainda dividirem parte dos recursos de modo a evitar o agravamento do abismo entre ricos e pobres do futebol alemão.

Indenização pelo marketing centralizado

O segredo feito em torno do contrato com a Kirchmedia dá margem à suspeita de haver caroço neste angu. No documento, as partes acertam que ele só terá validade se "a DFB (Federação Alemã de Futebol) e os clubes da Bundesliga fecharem um acordo para a centralização do marketing dos direitos de transmissão pela tevê". Até pouco tempo antes, a diretoria do Bayern de Munique bradava seu desejo de comercializar seus jogos isoladamente. Para surpresa geral, em novembro de 1999 a assembléia geral do clube aprovou a transferência dos direitos de marketing do clube para a Bundesliga. Dias depois, o Bayern assinou o contrato secreto com a Kirchmedia.

O principal argumento para a centralização do marketing reside na garantia de que, através da panela única, os clubes pequenos recebem mais recursos do que se tivessem que vender sozinhos seus jogos. Por outro lado, a empresa compradora dos direitos assegura o monopólio dos direitos de imagem e som do Campeonato Alemão.

Das tarefas assumidas pela Kirchmedia com o Bayern, somente uma parece ter sido cumprida: o pagamento de uma indenização ao clube. A empresa pagaria a diferença entre o que o clube receberia do rateio dos direitos da Bundesliga e o valor estimado que ele poderia cobrar se comercializasse seus jogos. Para a diretoria do mais famoso clube da Alemanha, um acordo normal, através do qual "os direitos de marketing foram repassados, tal como outros clubes da Bundesliga também o fazem". Borussia Dortmund e Hertha Berlim, por exemplo, teriam acordos semelhantes com a empresa Sportfive.

Mais espertos que o resto

A justificativa oficial não impede, entretanto, que os dirigentes batam cabeça sobre o sigilo do contrato. "Foi errado a gente não o ter divulgado", reconhece o presidente Franz Beckenbauer. "Por que o deveríamos divulgar? Não é nossa filosofia", defende Fritz Scherer, que assinou o acordo pelo Bayern. Membro do conselho administrativo, o professor garante: "É um contrato legal, sem nada a esconder. Ninguém desviou dinheiro, nada foi encoberto e tudo foi tributado."

Der Manager des FC Bayern Muenchen, Uli Höness

Uli Hoeness não vê motivos para avisar toda vez que o Bayern faz um contrato

O diretor Uli Hoeness vai além. "Se alguém souber das razões, vai dizer com certeza: 'Eles foram de novo mais espertos que o resto do mundo.' Se o grupo Kirch não tivesse quebrado, seria um contrato de louco", vangloria-se o empresário, que não vê motivos para que "todo contrato nosso seja anunciado pela imprensa". Hoeness irrita-se com a choradeira dos demais cartolas sobre um acordo que qualquer clube gostaria de fazer. "Não tiramos dinheiro da Liga, nem de clube algum. Só do Kirch", retruca o diretor.

Pequenos de olho na bolada

Boa parte dos dirigentes adversários dizem sentir-se passados desonestamente para trás. A Liga anunciou que irá examinar se houve infração a seu estatuto e se o contrato secreto resultou em danos materiais aos demais clubes. "Agora entendo por que na época eles defenderam o Kirch (para ele ficar com o marketing centralizado), quando eu já tinha dúvidas sobre a solvência de seu grupo", acusa Michael Roth, presidente do Nürnberg.

Roth quer que o Bayern divida a bolada: "Eles não podem ensacar sozinhos o dinheiro. É um valor que tem de ser repartido entre os clubes." O cartola de Nurembergue não está sozinho. "Se eles receberam 20,5 milhões de euros a mais, houve distorção na competitividade e sacanagem. Um milhão já bastaria para nós", queixa-se Klaus Stabach, diretor do Energie Cottbus. Alguns dirigentes de grandes clubes preferem a cautela na análise do escândalo. "Não consigo acreditar que o Bayern tenha recebido uma indenização", diz Michael Meier, do Borussia Dortmund, único clube que não teria votado a favor da centralização do marketing.

É para levar a sério?

Enquanto os cartolas reclamam e esperam providências da DFL, um advogado de Berlim antecipou-se e apresentou queixa à Justiça contra o Bayern de Munique. E caso se queira passar a limpo a moralidade dos contratos de marketing, a Liga Alemã de Futebol poderia também explicar por que os direitos da Bundesliga foram novamente vendidos à Kirchmedia em meados do ano passado, apesar de a empresa em concordata ainda estar devendo parcelas da temporada anterior.

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