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Mundo

EUA buscam medidas para frear entrada ilegal de menores

Presidentes de El Salvador, Guatemala e Honduras discutem com Barack Obama saídas para resolver situação de 50 mil crianças e adolescentes na fronteira americana. Especialistas criticam política inconsistente dos EUA.

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Na Casa Branca, a partir da esquerda: presidentes Salvador Sánchez Cerén, de El Salvador; Otto Pérez Molina, da Guatemala; Barack Obama, dos EUA; Juan Orlando Hernández, de Honduras

A reunião entre os presidentes de Honduras, Guatemala e El Salvador e Barack Obama, na sexta-feira (25/07) em Washington, pode ser interpretada como a mais recente tentativa do presidente americano de solucionar a situação dos milhares de imigrantes ilegais no sul do país.

O assunto vem despertando acaloradas discussões internas nos Estados Unidos e tornou-se uma politicamente explosivo no ano em curso, em que 50 mil crianças e adolescentes da América Central entraram ilegalmente nos EUA, através da fronteira do México.

Para Dan Restrepo, do Center for American Progress, o encontro teve a importante função de dar o pontapé inicial para uma gestão de crise mais decidida. "Este não é um problema que se possa ligar e desligar. Não se pode resolvê-lo a curto prazo, é preciso operar de maneira duradoura em sua dinâmica e suas complexas conjunturas."

Restrepo acredita que agora haverá discussões entre representantes do alto escalão, tanto nos EUA quanto nos três países centro-americanos afetados – e também entre eles. Ele espera que o vice-presidente americano, Joe Biden, presente à reunião da sexta-feira, também passe a participar regularmente das conversas.

Carl Meacham, do think tank Center for Strategic and International Studies, em Washington, acredita que os americanos ainda têm muito a fazer. "A política dos EUA [na América Central] foi muito inconsistente. Não houve muito engajamento, e isso hoje é parte do problema." Ele duvida que a cúpula dos presidentes, com poucos resultados concretos, vá isentar Obama de mais discussões políticas internas.

A estratégia montada pelos republicanos, de responsabilizar a política interna equivocada de Obama pela atual crise humanitária, parece mostrar efeito. Tanto o envio de forças de segurança pelo governador do estado do Texas, quando o fato de o próprio Obama ter encomendado um estudo sobre uma eventual intervenção da Guarda Nacional na fronteira, mostram quão explosiva a questão se tornou.

Demonstration in Kalifornien - Kinder US-mexikanische Grenze

"Somos o futuro", traz a pequena manifestante em apoio a menores apreendidos na fronteira com o México

Busca de ajuda

O congressista republicano Charlie Dent, da Pensilvânia, estado onde foram construídos abrigos emergenciais para os menores centro-americanos, formulou para a DW o que a maioria oposicionista no Congresso esperava do encontro com os três chefes de Estado,Juan Orlando Hernández, Otto Pérez Molina e Salvador Sánchez Cerén: "Obama precisa deixar bem claro que essas crianças vão ser mandadas de volta."

De fato, o presidente americano mostrou firmeza, ameaçou com expulsões rápidas e interpretou como seus primeiros êxitos a recente queda do número de imigrantes. Dent, porém, faz uma outra exigência bem mais complicada de ser atendida. "Obama deveria dizer aos presidentes desses países que os EUA vão alterar a legislação para que essas crianças possam ser repatriadas imediatamente."

Isso implicaria, no entanto, a emenda da lei, promulgada pelo ex-presidente George W. Bush, que garante a imigrantes menores de idade, por exemplo, da América Central, o direito de serem ouvidos em audiência. E Obama e seus democratas não vão estar dispostos a dar esse passo.

Culpa dividida

Antes mesmo do encontro com o homólogo americano, os presidentes de Honduras, Guatemala e El Salvador haviam esquentado o debate, ao sugerir que os EUA também têm uma parcela de culpa no afluxo de menores de idade desacompanhados ao país, levados por organizações criminosas.

USA Kindermigration

Meninos imigrantes detidos em junho passado no Arizona

Carl Meacham admite a corresponsabilidade em pelo menos um ponto: "É certo que os EUA são um grande consumidor de drogas. Mas, por outro lado, é responsabilidade [dos países centro-americanos] garantir a segurança necessária."

No momento, as três nações são consideradas grandes focos de criminalidade, o que acaba compelindo crianças e adolescentes a querer deixá-los. O republicano Dent conta de sua conversa "com uma menina de cinco anos da América Central que chegou aos EUA sozinha. Mesmo sem saber nadar, ela atravessou rios perigosos e viajou no teto de um trem para o México e os EUA".

Oposição republicana como desafio

Até agora, o Partido Republicano de Charlie Dent se nega a aprovar a verba de 3,7 bilhões de dólares, solicitada por Obama, para lançar um programa de ajuda humanitária. O dinheiro seria aplicado em melhores abrigos, mais juízes de imigração e reforço na segurança das fronteiras. A oposição critica igualmente um projeto da gestão Obama para ajuda às crianças ainda em seus países de origem, a fim de evitar que optem pela perigosa jornada até os Estados Unidos.

Para Carl Meacham, a oposição total dos republicanos é um dos maiores desafios a serem vencidos. "As perturbações do sistema político são o outro grande obstáculo, juntamente com a atual problemática das fronteiras. Enquanto não conseguirmos alcançar um consenso, não apenas a situação na fronteira vai piorar, mas também o caos nos países da América Central", avalia o especialista.

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