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Cultura

Escritores fora de lugar

O escritor no escritório industrial, vozes de mortos via fax, terrorismo na literatura, carnaval aos pés dos Alpes e outros deslocamentos. Confira alguns livros de destaque recém-publicados na Alemanha.

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'Quando um livro e uma cabeça dão de encontro e o som é oco, será que a culpa é do livro?' Georg Christoph Lichtenberg

Buchcover Gold im Mund von Anne Weber

'Gold im Mund', de Anne Weber. Frankfurt: Suhrkamp, 2005

O mais recente livro da contista e romancista Anne Weber (Offenbach, 1964), Gold im Mund (Ouro na Boca. Frankfurt: Suhrkamp, 2005; 127p.), contrapõe a atividade do escritor autônomo ao trabalho de um funcionário.

Enquanto o texto Liebe Vögel (Caros Pássaros), escrito enquanto a autora ainda trabalhava em um escritório, retrata a frustração de quem é obrigado a trabalhar com horários fixos e confinado em espaços inóspitos, a narrativa Gold im Mund é resultado de um auto-experimento da escritora.

Escritor e escriturário

Como escritora em residência da cidade suíça de Biel, Anne Weber pediu para trabalhar dentro de um escritório de empresa e conseguiu uma mesa na seção odontológica do conglomerado Cendres e Métaux.

Anne Weber Autorin Porträtfoto

Anne Weber

"Talvez eu venha a descobrir em breve as razões e a finalidade das contínuas atividades à minha volta; até isso acontecer, contento-me em poder nadar na superfície desta estranheza, espreitando os sons destes ofícios, sem ser notada ou incomodada", anota Weber.

Numa narrativa tecida a partir de observações esporádicas e desprovida de enredo fictício, Anne Weber tece uma crítica sutil da deturpação do trabalho pelo capitalismo. "Um pouco de metafísica, uma pitada de crítica ao capitalismo, algo de sátira e uma colher de reflexão sobre o ato de escrever" ( Frankfurter Allgemeine Zeitung).

In memoriam

A poeta austríaca Friederike Mayröcker (Viena, 1924) publicou seu segundo livro em memória do falecido poeta Ernst Jandl, com quem ela viveu 50 anos.

Buchcover Und ich schüttelte einen Liebling von Friederike Mayröcker

'Und ich schüttelte einen Liebling', de Friederike Mayröcker. Frankfurt: Suhrkamp, 2005

Em Und ich schüttelte einen Liebling (E sacudi um querido. Frankfurt: Suhrkamp, 2005; 238p.), Mayröcker reúne imagens, recordações, expressões e vivências comuns, ampliando com maior casualidade a memória do parceiro registrada nos poemas de Requiem für Ernst Jandl, publicado em 2001.

"E sempre que soa o sino do fax, acredito e espero que seja você, e que você me dê notícias de seu mundo. Que emocionante seria ouvir sua voz, você me dizer como está, o que está fazendo, se está ouvindo música, ou qual fogo você está atravessando, ou seja, de um fogo para outro, e se você ainda pensa em mim."

Friederike Mayröcker

Friederike Mayröcker

O mais recente livro de Mayröcker não é apenas um testemunho poético da ausência, mas também um documento de uma das parcerias poéticas mais interessantes da literatura de vanguarda do pós-guerra e do Grupo de Viena.

"Uma prova viva de que existe uma terceira alternativa entre a literatura experimental e o retorno ao realismo: uma literatura que se deriva da linguagem e por ela se deixa inspirar, sem esquecer da existência" ( Süddeutsche Zeitung).

Literatura e terrorismo

Ulrike Draesner Spiele Luchterhand Buchcover

'Spiele', de Ulrike Draesner. Munique: Luchterhand, 2005

Em seu romance Spiele (Jogos. Munique: Luchterhand, 2005; 494p.), a poeta e prosadora alemã Ulrike Draesner elegeu terrorismo como tema literário. Neste livro, a autora insere a história familiar de uma mulher em crise no contexto do drama dos reféns do atentado terrorista das Olimpíadas de 1972, em Munique.

A autora narra os precedentes do 11 de setembro e retorna ao ato de terror que marcou os Jogos Olímpicos de Munique, cometido por terroristas árabes, que tomaram com reféns esportistas israelenses, e encerrado por uma intervenção policial que culminou com a morte de todos. A protagonista do romance se ocupa com o fenômeno do terrorismo e encontra pistas interessantes em suas pesquisas.

Ulrike Dräsner, Porträt

Ulrike Draesner

A iniciativa de abordar o terrorismo como tema literário também partiu de outros escritores nos últimos anos, como os americanos Jonathan Safran Foer, Paul Auster, Pnina Moed Kass e o alemão Michael Lüders. No caso do romance de Draesner, a crítica lamentou que o "ambicioso discurso histórico-filosófico" da autora seja "perfurado de maneira forçada com a realidade cotidiana" ( Frankfurter Allgemeine Zeitung).

Prodígio da excentricidade

Em seu mais recente livro Das Fest der Steine oder die Wunderkammer der Exzentrik (A Festa das Pedras ou o Prodígio da Excentricidade. Viena: Paul Zsolnay Verlag, 2005; 644p.), o romancista e poeta austríaco Franzobel escolheu o gênero do romance picaresco para enfocar as rupturas históricas do século 20 sob a perspectiva do humor e do absurdo.

O protagonista Oswald Wuthenau, um impostor desesperado por sua falta de raízes, parte em meados da década de 50 para a América do Sul, onde conhece nazistas refugiados na região, participa de rituais orgiásticos, sobrevive a um apedrejamento, se casa e constrói a primeira usina nuclear da Argentina. Ao retornar para a Europa, este admirador de Hitler é condecorado com a medalha Brecht na Alemanha Oriental e prossegue suas aventuras em Viena.

Continue lendo a resenha do último romance de Franzobel >>>

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