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Mundo

Encruzilhadas na rota da paz

Ministros do Exterior da UE e de 12 países do Mediterrâneo reúnem-se para discutir as relações comerciais na região. Apesar do teor econômico, o encontro é dominado pelo debate sobre o plano de paz para o Oriente Médio.

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Ministros do Exterior Shalom, de Israel, e Fischer, da Alemanha

Passaram-se apenas dois dias desde que o premiê israelense Ariel Sharon declarou seu aval ao plano internacional de paz, proposto pelo quarteto União Européia, ONU, EUA e Rússia para o conflito no Oriente Médio. Apesar dos ventos otimistas que sopraram por alguns momentos, o encontro entre Sharon e o primeiro-ministro palestino Mahmoud Abbas, agendado para esta quarta-feira (28), foi cancelado sem maiores explicações.

Tendo como pano de fundo os inúmeros desvios que dificultam a implantação da rota definitiva de paz para a região, ministros do Exterior da UE e seus colegas de pasta de 12 países banhados pelo Mediterrâneo estão reunidos em Héraclion, capital da ilha grega Creta. Seguindo a tradição do "Processo de Barcelona"" (na cidade espanhola, foi selada em 1995 uma cooperação estreita entre os países membros da UE e a região do Mediterrâneo), o momento para este encontro não poderia ter sido mais oportuno: entre as ruínas do berço da civilização, celebrou-se, talvez prematuramente, o sim de Israel ao "mapa da paz", desenhado no decorrer do último ano.

Otimismo e cautela - A maioria dos presentes, entre eles o representante alemão Joschka Fischer, demonstrou otimismo e cautela ao desembarcar na ilha grega. Segundo Fischer, apesar da complexidade que envolve o processo de paz, o sim de Sharon é um sinal de que se caminha, apesar dos passos lentos. "A União Européia deverá insistir em participar ativamente da implementação e do acompanhamento diplomático", afirmou o ministro alemão.

A chamada rota da paz delineia vários passos rumo a uma solução pacífica para o conflito até o ano de 2005, data marcada para a criação de um Estado palestino autônomo. O acordo prevê, entre outros, um cessar imediato das hostilidades dos dois lados, o fim da expansão israelense na Cisjordânia e a atuação de uma autoridade palestina capaz de evitar ataques terroristas.

"Vocês podem não gostar da palavra, mas o que está acontecendo é ocupação. Um Estado palestino não é meu sonho, mas Israel não pode continuar dominando três milhões e meio de palestinos. Isso não é correto nem justo", assumiu Sharon frente à bancada de seu próprio partido no Parlamento.

De linha dura a pombo da paz? - "Quase se poderia dizer que o linha dura Sharon tenha se transformado em um pombo da paz", ironiza o semanário alemão Der Spiegel. Apesar do sim de Tel Aviv, a implementação concreta do mapa da paz ainda encontra-se a alguns bons quilômetros da realidade. O ministro israelense do Exterior, Silvan Shalom, afirmou em Héraclion que seu país permanecerá inflexível em alguns pontos do plano, entre eles a permissão a refugiados palestinos de regressar a Israel.

Frente a essas e outras observações, o encarregado da UE para política exterior, Javier Solana, já alertou: a rota da paz não deverá se transformar em apenas mais um pedaço de papel, cujos objetivos não são implementados. É esperar para ver se o novo roteiro terá a curto, médio ou longo prazo outro destino que não as pastas dos diplomatas que o redigiram. Caso dos outros 13 planos de paz criados para a região desde 1969.

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