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Mundo

Em defesa do mapa da paz

Ministro alemão do Exterior inicia visita de três dias a Israel e aos territórios palestinos. A viagem é um sinal de que Berlim teme uma escalada ainda maior dos conflitos na região, após o fim da guerra no Iraque.

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Muro separa Cisjordânia de Israel desde meados do último ano

Hoje, não se pode ainda prever com exatidão as reais conseqüências do conflito armado no Iraque para todo o Oriente Médio. Embora bombas ainda caiam sobre Bagdá, é aguardado o anúncio do tão falado road map (mapa de estradas) da paz, concebido pelo quarteto União Européia, ONU, Rússia e EUA. Enquanto Bush encontra-se com Blair na Irlanda do Norte, o ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, chega a Israel como o primeiro político europeu a visitar a região após o início da guerra.

Na agenda de Fischer, estão encontros com o premiê Ariel Sharon e com seu colega de pasta Silvan Shalom. Além disso, o ministro alemão reúne-se com o presidente palestino Iasser Arafat e com o primeiro-ministro palestino Mahmud Abbas, designado, mas ainda não confirmado para o cargo.

A visita de Fischer é vista com bons olhos por Israel, que aposta no bom trânsito do ministro alemão com as lideranças palestinas. Além disso, Shalom, recém indicado para o cargo de ministro das Relações Exteriores, havia afirmado pouco depois de sua posse que daria prioridade às relações com a União Européia.

Joschka Fischer im Bundestag

Joschka Fischer, ministro alemão do Exterior

Encontro cancelado - Mesmo assim, Fischer não deverá ser recebido de braços tão abertos, pois a postura antiguerra alemã é vista por Israel com desconfiança. Tanto o governo do país quanto a maioria da população apóiam a intervenção norte-americana no Iraque. Prova da sutil rejeição à postura de Berlim foi o cancelamento de última hora do encontro entre Fischer e o ministro israelense da Justiça, Josef Lapid, da facção de centro Shinui.

O pivô da discórdia que terminou no cancelamento da reunião foi a escolha do local do encontro: enquanto Lapid pretendia reunir-se com Fischer em seu escritório, localizado no lado oriental (e árabe) de Jerusalém, o ministro alemão insistia que o encontro deveria ser realizado em um hotel no lado ocidental da cidade. Na ausência de um acordo sobre a questão, a assessoria do ministro israelense cancelou a reunião: "A Alemanha não deverá determinar onde está a soberania de Israel em Jerusalém", afirmou o porta-voz de Lapid, Tsahi Moshe.

Estado palestino até 2005 - Embora o plano de paz ainda não tenha sido divulgado oficialmente, em consideração ao período de campanha eleitoral em Israel, sabe-se que ele inclui quatro pontos: os palestinos são chamados a abdicar de atos terroristas e aos israelenses pede-se o fim da ocupação na Cisjordânia. Ou seja, nada de novo. O que o mapa da paz traçado por Bush & cia. prevê de relativamente concreto é a criação de um Estado palestino autônomo até o ano de 2005.

Sharon soube desde o início que não poderia rejeitar categoricamente os caminhos desenhados no mapa, pois este havia sido feito também com o dedo de Bush. Ao invés disso, o premiê israelense optou por tentar modificar o documento ao máximo, raleando todas as propostas que implicam uma mudança de curso de seu governo.

As correções foram feitas também para ganhar tempo, uma vez que Sharon certamente esperava que o "mapa rodoviário" acabasse na lata de lixo, após uma vitória triunfante e rápida dos EUA no Iraque, o que não aconteceu como esperado.

Questões cosméticas - Comentaristas políticos israelenses vêem o fato de Bush ter embaralhado as cartas e anunciado a divulgação do mapa para breve como um não da Casa Branca frente a Sharon. No entanto, o presidente norte-americano certamente não deverá ir tão longe.

Embora Washington saiba que, após o fim da guerra no Iraque, o conflito entre judeus e palestinos terá que ser discutido em primeira ordem, é provável que Bush "se restrinja a questões cosméticas", como aposta o diário alemão Die Welt. Mesmo porque os olhos do presidente estarão brevemente voltados para outro assunto: as eleições norte-americanas. Em dez meses, começa a campanha eleitoral no país.

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