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Mundo

Embargo de armas contra China divide UE

UE revê embargo de armas contra China, apesar das violações contra os direitos humanos. Debate se acirra na Alemanha, após Schröder defender fim do embargo.

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Schröder garante ao premiê chinês, Wen Jiabao, apoio ao fim do embargo

A suspensão do embargo de armas da União Européia contra a China – tema a ser debatido pela cúpula da UE em Haia nesta quarta-feira (8/12) – é controversa. Apesar da intenção de dar ao governo em Pequim "um sinal positivo" neste sentido, a UE pretende ponderar com cautela um possível fim do embargo, conforme consta do comunicado divulgado no início da semana.

Os maiores defensores do fim do embargo são o chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, e o presidente francês, Jacques Chirac. Durante sua atual visita à China, Schröder voltou a exigir a suspensão das sanções européias, apesar de ampla resistência da coalizão de governo em Berlim. Em contrapartida, ele conseguiu obter da China o apoio à aceitação da Alemanha como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

E os direitos humanos, onde ficam?

Na Alemanha, diversos líderes políticos da oposição e da coalizão repudiaram a posição de Schröder. Claudia Roth, presidente do Partido Verde, diverge da alegação chinesa de que o embargo contra Pequim seja uma herança da Guerra Fria, conforme alegou o premiê Wen Jiabao. O embargo representa uma reação contra a sangrenta repressão do movimento democrático chinês, com o massacre na Praça da Paz Celestial em 1989, lembrou Roth. Entre os correligionários social-democratas e a oposição liberal também é grande a resistência contra a suspensão do embargo.

Entre os 25 países da União Européia, não existe consenso sobre a questão. Os principais opositores do fim das represálias são os países escandinavos, a Grã-Bretanha e a Holanda. Os EUA também rejeitam a suspensão. Antes de fazer concessões a Pequim, esses países exigem mudanças radicais na situação dos direitos humanos na China.

Os opositores da suspensão do embargo se remetem a violações dos direitos humanos usuais no país asiático, como práticas de tortura e execuções de oposicionistas, além de desrespeito ao direito de expressão e à liberdade de religião.

A Anistia Internacional alertou que a situação dos direitos humanos na China permaneceu inalterada sob o novo governo. Apesar de aumentar o número de ativistas dispostos a defender os direitos humanos, eles ainda continuam expostos aos riscos de prisão e tortura.

O governo chinês continua se defendendo das acusações internacionais com a alegação de que respeito aos direitos humanos significa sobretudo garantir alimento, moradia e roupa para 1,3 bilhão de chineses. O argumento de Pequim é a supremacia da coletividade sobre os direitos individuais.

Armas para o mercado chinês

Na semana passada, o governo em Berlim divulgou seu relatório sobre a exportação de armamentos. O documento confirma a expansão do setor na Alemanha. Em 2003, o volume de exportação de armas chegou à marca recorde de 1,3 bilhão de euros, um avanço notável em comparação com 318 milhões em 2002.

Com a abertura do mercado chinês, a Alemanha – o quarto maior país exportador de armamentos – teria muito a ganhar. Diante do fato de que o mercado internacional de armamentos movimenta 521 bilhões de euros ao ano, não é à toa que o governo Schröder – sobretudo diante da estagnação econômica e do alto índice de desemprego – esteja interessado em conquistar maior espaço no mercado de armas. No entanto, para tal terá que vencer a resistência de seus parceiros de coalizão. Os verdes, que já conseguiram bloquear planos de liberar a exportação de tanques de guerra para a Turquia, já reiteraram sua oposição ao comércio de armas com a China. Cláudia Roth advertiu que, mesmo se o embargo for suspenso, a Alemanha não poderá exportar armas para a China, pois os direitos humanos continuam sendo um ponto fundamental das diretrizes alemãs de exportação de armamentos.

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