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Mundo

Em busca do apoio perdido

Schröder visita os EUA. Em encontro com Bush, o assunto mais delicado é a proposta da Alemanha de obter um assento no Conselho de Segurança da ONU. O não de Berlim à guerra do Iraque, porém, parece ainda vivo na memória.

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Schröder em frente à Casa Branca

Dias melhores se foram. Se outros ainda virão, não se sabe. As relações teuto-americanas, desde que Gerhard Schröder se opôs à guerra do Iraque, nunca voltaram a ser como antes. Mesmo assim, o premiê alemão fez as malas e seguiu para os EUA.

A tentativa faz parte, segundo analisa o semanário Die Zeit, da "ilusão berlinense de que o governo Bush vai, no fim, apoiar a candidatura da Alemanha a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU".

Na realidade, porém, é possível que a Casa Branca continue se mantendo insensível aos propósitos não só de Berlim, mas também de outros membros do chamado G-4 – grupo do qual fazem parte além da Alemanha, o Brasil, Japão e a Índia.

Medo de desentendimento?

Kandidaten für UN Sicherheitsrat

Candidatos do G-4 reunidos, entre eles Lula

A postura do governo alemão é a de que a resistência norte-americana à idéia da ampliação do Conselho de Segurança se dá simplesmente em função do "medo de perder aliados". Ou seja, de criar arestas com a Itália por causa da Alemanha; com o México e Argentina por um eventual sim ao Brasil e com o Paquistão por apoiar a Índia. Sendo assim, Washington dá seu aval apenas ao Japão.

O grande trunfo da idéia do G-4 são os tentáculos lançados em direção aos quatro cantos do planeta: no caso de ampliação do Conselho de Segurança, todos os continentes serão beneficiados. A questão é se o projeto conseguirá ser levado adiante sem o aval dos EUA.

Mesmo considerando que o país é apenas uma voz entre os 191 membros das Nações Unidas, Washington tem poder de veto. Pois é membro do Conselho. Isso mesmo num contexto em que os detentores de três dos outros cinco assentos permanentes – França, Reino Unido e Rússia – se empenham pela Alemanha.

Vingança tardia?

Em relação a Berlim, é possível que a postura norte-americana seja ainda um resquício do gosto amargo deixado pelo não à guerra do Iraque. Vingança tardia pela falta de apoio em Bagdá? Pelo sim, pelo não, Schröder arrisca a viagem para o outro lado do Atlântico.

Afinal, desde a passagem de Bush pela Europa, em fevereiro último, as relações entre os dois países vão oficialmente muito bem. Bush não perde oportunidades de elogiar os esforços de Berlim em negociar com o Irã a respeito do programa nuclear do país.

Troca de amabilidades e nada mais?

E experessou, mesmo que por mera retórica, sua confiança "numa Europa fortalecida", após o não dos franceses e holandeses à Constituição do bloco. Durante o encontro na Casa Branca nesta segunda-feira (27/06), amabilidades certamente vão ser trocadas. "Estamos unidos no nosso propósito de tornar o mundo mais pacífico", afirmou um ameno Bush.

Donald Rumsfeld und Peter Struck

Struck e Rumsfeld: nem sempre tão efusivos

Mas por trás do discurso oficial, as relações entre Washington e o governo social-democrata-verde em Berlim definitivamente não são as melhores. Há apenas uma semana atrás, o ministro alemão da Defesa, Peter Struck, cancelou uma viagem aos EUA, depois de saber que seu colega de pasta, Donald Rumsfeld, havia reservado nada mais que poucos minutinhos para encontrá-lo. Rumsfeld por sua vez sabia que não iria obter o apoio de Berlim para suas tropas estacionadas no Iraque.

"Nossas forças no país estão às beiras do colapso. A França e a Alemanha teriam capacidade de nos ajudar, se quisessem. Mas está claro que isso não vai acontecer. O presidente Bush não vai tocar neste assunto com Schröder, embora precise realmente de ajuda", analisa o cientista político norte-americano Michael O'Hanlon.

Relações econômicas: intocáveis

Outro fato relevante: nos EUA sabe-se muito bem que a Alemanha tem eleições marcadas para setembro próximo. E que a grande probabilidade é que haja uma troca de poder em Berlim. Ou seja, para que abrir os braços para alguém que se despede? E principalmente para alguém que defendeu com todas as forças uma conduta anti-americana, quando foi candidato à reeleição?

Em meio a toda a ciranda política, não se pode esquecer uma coisa: as relações comerciais teuto-americanas nunca sofreram em função dos conflitos bilaterais entre os governos. Os EUA continuam sendo o segundo maior mercado exportador de mercadorias para a Alemanha e o terceiro maior importador de produtos do país.

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