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Economia

Deutsche Bank arrisca imagem com corte de empregos

Lucro recorde e corte de empregos: as empresas que adotam esta fórmula são acusadas de falta de responsabilidade social. O Deutsche Bank está na mira dos políticos por esta razão.

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Presidente do Deutsche Bank, Josef Ackermann

Na Alemanha se acirra a discussão sobre o planejado corte de milhares de empregos pelo Deutsche Bank. Políticos do governo acusaram o banco de falta de responsabilidade social e chegaram até a propor um boicote, enquanto instituições financeiras e representantes empresariais defenderam a decisão do Deutsche Bank de reduzir custos através de cortes de pessoal para manter a competitividade internacional.

"Saco sem fundo"

"Os clientes do Deutsche Bank podem decidir, se não seria melhor investir em mais empregos, abrindo conta em outros bancos", declarou a líder do Partido Social-Democrata (SPD) no Estado de Hessen, Andrea Ypsilanti, convocando a população indiretamente ao boicote.

Deutsche Bank Hauptquartier in Frankfurt am Main

Sede do Deutsche Bank em Frankfurt: banco na mira dos políticos

Ela acusou o presidente do maior banco alemão, Josef Ackermann, de completa falta de ética empresarial. "O presidente do Deutsche Bank é um saco sem fundo", declarou a deputada estadual, gerando críticas de alguns correligionários pela impertinência da observação.

Reinhard Bütikofer, membro da presidência do Partido Verde, alertou que a falta de consideração da diretoria do Deutsche Bank vai prejudicar mais a Alemanha do que pode parecer à primeira vista.

O motivo das severas críticas foi o corte de 6400 empregos anunciado pelo banco simultaneamente à divulgação de um nítido aumento de lucro e ambiciosas metas de rendimento. Tudo isso, um dia depois que o número de desempregados na Alemanha ultrapassou pela primeira vez a marca de cinco milhões.

"Debate injusto"

O Banco Central alemão defendeu o Deutsche Bank contra as acusações dos políticos e exigiu o fim da discussão. Para Edgar Meister, membro da diretoria do BC, não deveria ser um tabu um banco visar ao aumento de lucro, quando isso lhe possibilitasse competitividade internacional. Meister destacou que o lucro dos bancos alemães estaria abaixo da média internacional e qualificou o debate de "moralizante e injusto".

O ex-presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI), Hans Olaf-Henkel, também defendeu o banco, alegando que a impopular medida visa a aumentar o valor das ações da instituição na bolsa de valores e evitar um encampamento por parte de um concorrente estrangeiro.

Para o novo chefe do conselho de analistas econômicos encarregado de emitir um parecer anual sobre o desenvolvimento econômico da Alemanha, Bert Rürup, os bancos não são formalmente obrigados à solidariedade social, pois o compromisso primordial da diretoria de uma empresa seria com os acionistas.

Peso do ícone

Rolf Breuer, presidente do conselho administrativo do Deutsche Bank, antecessor do atual presidente, Josef Ackermann, declarou que está farto de seu banco ter um papel especial: "Não queremos ser um ícone alemão".

De fato, como destaca o historiador Lothar Gall, o Deutsche Bank tem um papel especial no imaginário coletivo alemão. Sua imagem ainda é vinculada ao contexto histórico de sua fundação, em 1870. O Deutsche Bank, praticamente concomitante à criação do Estado alemão, surgiu como instituição de apoio ao comércio exterior da jovem nação. Com a dissolução de uma rede de bancos e conglomerados industriais e a expansão internacional do investment banking, o perfil do Deutsche Bank mudou radicalmente, mas na percepção pública seu papel histórico se manteve inalterado.

Outros casos

Segundo o diário berlinense Tagesspiegel, o Deutsche Bank não é o único a apostar na estratégia de cortar empregos apesar do aumento de lucros. Diversas empresas alemãs cotadas na Bolsa de Frankfurt planejam o mesmo ou já estão praticando esta política. A seguradora Allianz, por exemplo, lucrou em 2004 três vezes mais do que no ano anterior, mas mesmo assim reduziu o quadro de funcionários em 17%. Após duplicar os lucros, o conglomerado energético RWE cortou mais de um quinto dos empregos. A Basf ganhou 63% mais, mas eliminou 15% dos postos de trabalho.

Segundo o Tagesspiegel, no entanto, há exceções. Após ter obtido o maior lucro de sua história, no ano passado, a montadora BMW empregou mais dois mil trabalhadores. O conglomerado de software SAP, por sua vez, pretende gerar mais três mil postos de trabalho no ano corrente, mesmo que na Alemanha sejam apenas 600.

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