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Economia

Briga pelos "mercados do sul"

Na conferência de Guadalajara, países latino-americanos exigem da UE a suspensão das subvenções agrícolas. É possível que até outubro próximo seja selado um acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul.

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Cúpula UE-América Latina: ainda muito a ser acertado

Embora 25% das exportações do Mercosul fluam em direção à União Européia e somente no Brasil estejam presentes nada menos que duas mil empresas alemãs, as relações comerciais entre UE e as nações do bloco sul-americano ainda estão longe de esgotar suas possbilidades.

No caso da Alemanha, por exemplo, os países do Mercosul ainda representam um papel secundário para o comércio internacional, comparados a outras regiões do planeta. O Brasil encabeça a lista das importações alemãs na América do Sul e o México a dos países latino-americanos para onde a Alemanha exporta. Mas anto um como outro ocupam a longínqua 26ª posição da balança comercial da Alemanha.

Em prol de uma melhoria nos mecanismos de cooperação econômica, o Terceiro Encontro de Cúpula UE-América Latina, que se realiza nesta sexta-feira e sábado (28 e 29/05) em Guadalajara, no México, tenta costurar novas formas de intercâmbio comercial nas regiões. Com a presença maciça de chefes de Estado e governo, bate-se mais uma vez na tecla das "parceiras estratégicas", anunciadas no primeiro encontro de cúpula realizado no Rio (1999) e reafirmado posteriormente em Madri (2002).

Acordo UE-Mercosul pode sair até outubro

EU Lateinamerika Gipfel in Mexiko Konferenz

Celso Amorim, Roberto Lavagna, Pascal Lamy e Franz Fishler

Pelo que parece, esta versão 2004 pode trazer alguns resultados mais concretos do que os encontros que a precederam. Segundo estimativas do comissário do Comércio da UE, Pascal Lamy, a conferência de Guadalajara pode “abrir caminho para uma última etapa nas negociações entre UE e Mercosul”. Depois que um acordo de livre comércio foi selado com México e Chile, a atual meta da UE é estabelecer regras semelhantes com o "mercado do sul": Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Lamy, Franz Fischler (comissário de Política Agrária da UE, o ministro brasileiro do Exterior, Celso Amorim, e o ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, mostraram-se, nesta sexta-feira (28), otimistas em relação ao acordo, que poderá ser selado até outubro próximo. Além disso, a UE visa um pacto de liberalização do comércio com os países andinos Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela e Peru.

As negociações incluem concessões no comércio de matérias-primas e produtos agrícolas. Angel Villalobos, representante do México, acredita que tal acordo poderia servir de exemplo para a ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas). "Se a questão agrícola com a União Européia for resolvida, isso amenizaria o conflito que existe entre o Mercosul e os EUA sobre o assunto", aponta Villalobos, na esperança de que os EUA possam vir a abrir mão de determinados quesitos, caso a UE o faça anteriormente.

Subenções agrícolas: tema delicado

Definitivamente, o tema mais delicado da cúpula de Guadalajara é o capítulo que se refere às subvenções agrícolas. Ao ressaltar que 45% das importações da UE de produtos agrícolas provêm de países latino-americanos, Gregor Kreuzhuber, porta-voz de Fischler, deixou transparecer que os países da UE não pretendem eliminar os subsídios agrícolas.

Isso leva a crer que um acordo sobre o assunto pode demorar ainda anos-luz até ser selado. A rejeição da UE de abolir taxas alfandegárias para produtos agrícolas e a resistência a suspender ou reduzir drasticamente as subvenções agrárias foi, inclusive, um dos tópicos que levaram ao fracasso da última rodada da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún (2003).

A cúpula européia-latino-americana pretende ser, mesmo que apenas no nível simbólico, um contraponto à hegemonia político-econômica norte-ameicana. A corrida pela parceira com os países latino-americanos parece ter começado: se o governo Bush pretende, até o início do próximo ano, fechar um acordo que concretize os domínios da ALCA (Associação de Livre Comércio das Américas), o objetivo da UE é selar um acordo de livre comércio com o Mercosul antes que isso aconteça.

Caso contrário, "a economia da UE pode perder o bonde", teme Heinz Mewes, diretor do Dresdner Bank América Latina, citado pelo diário berlinense taz.

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