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Mundo

Alemanha quer ONU mais forte

Países europeus e latino-americanos discutem reforma da Organização das Nações Unidas na conferência de Guadalajara. Alemães buscam apoio a uma vaga no Conselho de Segurança.

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Cúpula do México: novos impulsos para as Nações Unidas?

De depender da Alemanha, a terceira reunião de cúpula UE-América Latina deve dar um impulso importante ao debate sobre a reforma das Nações Unidas e ampliação do Conselho de Segurança da ONU. "A Europa e a América Latina querem impulsionar essa reforma conjuntamente. A ONU precisa tornar-se mais ativa e forte", disse o chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, no início da conferência, no México, nesta sexta-feira (28/05).

Schröder acredita que haverá um amplo consenso entre europeus e latino-americanos a respeito dessa questão. Ele lembrou que, na crise do Iraque, a Alemanha e a França já atuaram estreitamente unidas com países como o México, Brasil e Chile no Conselho de Segurança. "Esse trabalho de confiança mútua deve continuar", disse. Segundo o chanceler alemão, as grandes economias da Europa e América Latina estão decididas a estreitar a cooperação em todas as áreas.

O tema da reforma da ONU, empacotada na expressão "multilateralismo efetivo", já estava pautado para a cúpula de Guadalajara antes de os Estados Unidos e a Inglaterra apresentarem sua nova proposta de resolução sobre o Iraque, no início desta semana. A crise iraquiana, há um ano, mostrou que uma reestruturação da ONU é urgentemente necessária.

Na época, os EUA usaram antigas resoluções do Conselho de Segurança para legitimar a guerra contra o ditador Saddam Hussein. A maioria dos demais países-membros do Conselho de Segurança não partilhou essa opinião. O resultado foi um autobloqueio do órgão. Os EUA intervieram no Golfo com alguns aliados, sem esperar uma nova resolução da ONU.

Um "tigre de papel"

Isso praticamente amarrou as mãos da ONU, impedindo-a de vigiar sobre a guerra e a paz no mundo. "No final, o Conselho de Segurança parecia um tigre sem dentes. O órgão aprovara uma montanha de documentos, textos, declarações, mas não tinha o poder de impô-los aos EUA", disse um diplomata da ONU.

A cúpula UE-América Latina pretende ser pelo menos um contrapeso simbólico à dominação econômica, militar e política dos EUA e seu unilateralismo. "O caminho para a paz no século 21 tem que ser o caminho do multilateralismo e os conflitos, as diferenças entre nações, precisam ser resolvidos pelas Nações Unidas", afirmou o presidente mexicano Vicente Fox.

Desunião dos reformadores

Ainda não é possível prever se europeus e latino-americanos realmente chegarão a um consenso quanto à reestruturação das Nações Unidas. O principal ponto de divergência deverá ser a futura composição do Conselho de Segurança, que hoje ainda reflete as relações de poder do final da Segunda Guerra Mundial. Os membros permanentes — EUA, Rússia, China, Inglaterra e França — têm poder de veto para impedir qualquer resolução que contrarie seus interesses.

Há um consenso quanto à necessidade de fortelecer a representação das nações mais populosas da América Latina, África e Ásia na ONU, mas o problema está no detalhe. Várias potências regionais concorrem pelo privilégio de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança. É o caso do Brasil e da Argentina, que disputam o direito de representar a América Latina no mais alto grêmio das Nações Unidas. Mas também tradicionais financiadores da organização, como o Japão e a Alemanha, querem mais voz em troca do dinheiro.

Mais membros, mais vetos?

Quanto mais países tiverem direito a veto no Conselho de Segurança, mais improvável se tornará um consenso em situações de conflito. Por isso, pensa-se também em restringir esse direito. A questão de quem pode vetar o quê e quando é diplomaticamente explosiva. Afinal, as reformas têm de ser aprovadas pelo atual Conselho de Segurança.

Schröder não deixa dúvidas de que vai intensificar a pressão pela reforma da ONU. Berlim provavelmente iniciará ainda este ano uma campanha para obter uma vaga no Conselho de Segurança, o que depende do voto favorável da maioria de dois terços da Assembléia Geral das Nações Unidas e da aprovação unânime pelos atuais membros permanentes. Desde janeiro de 2003, a Alemanha integra o órgão na condição de membro não permanente. "Queremos assumir mais responsabilidade internacional", disse Schröder em discurso na Câmara de Indústria e Comércio teuto-mexicana.

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