Bento 16 pede mais liberdades para os cubanos e tem encontro com Fidel | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 29.03.2012
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América Latina

Bento 16 pede mais liberdades para os cubanos e tem encontro com Fidel

Papa critica embargo dos Estados Unidos a Cuba e volta a defender a ampliação do exercício das liberdades fundamentais aos cidadãos cubanos, incluindo a expressão religiosa.

Na etapa final da sua visita de três dias a Cuba, o papa Bento 16 pediu às autoridades locais que incentivem a liberdade religiosa no espaço público. O apelo foi feito durante uma grande missa ao ar livre, nesta quarta-feira (28/03), na Praça da Revolução de Havana, que reuniu de 300 mil pessoas.

A Igreja Católica quer recuperar o espaço perdido após a revolução. O Papa exortou o governo a deixá-la fazer um trabalho mais social e desempenhar um papel maior na educação. Os católicos representam cerca de 10% da população de Cuba, que possui cerca de 11 milhões de habitantes. O país foi oficialmente ateu durante quase quatro décadas, até a visita do papa João Paulo 2º, em 1998.

Durante a celebração, o Papa defendeu a busca por uma "autêntica liberdade" para criar uma sociedade mais aberta. "Há outros que interpretam mal essa busca pela verdade, o que os leva à irracionalidade e ao fanatismo, a fechar-se em 'sua verdade' e a tentar impô-la aos demais", disse.

Com a presença do presidente Raúl Castro, o Papa disse esperar que um dia "Cuba possa ser o lar de todos os cubanos, onde justiça e liberdade coexistam num clima sereno de fraternidade", possivelmente se referindo aos muitos exilados cubanos que vivem hoje nos Estados Unidos. "É necessário seguir em frente e desejo encorajar as instâncias governamentais da nação a reforçarem o que já foi garantido e avançarem no caminho de um autêntico serviço de bem comum para toda a sociedade cubana".

Papst Benedikt XVI. in Havanna

Papa chega para a missa ao ar livre em Havana

Encontro com Fidel

Logo após a missa, Bento 16 se encontrou por meia hora com Fidel Castro. O ícone revolucionário, de 85 anos, necessitou do apoio do filho para se locomover. De acordo com um porta-voz do Vaticano, Fidel perguntou ao Papa sobre mudanças litúrgicas e responsabilidades papais. O encontro foi solicitado por Fidel, que justificou o pedido afirmando estar convicto de que "marxistas e cristãos sinceros" devem lutar juntos pela justiça e pela paz.

Depois da grande missa e do encontro com o ex-líder cubano, o Papa fez sua última aparição no aeroporto de Cuba. O presidente Castro se despediu do pontífice e disse que a visita aconteceu num ambiente de respeito mútuo. "Sua santidade, nós achamos muitos pontos em comum, embora seja natural que não pensamos o mesmo sobre muitas questões", acrescentou o presidente.

A última mensagem do Papa foi direcionada aos Estados Unidos, na forma de uma crítica ao embargo econômico imposto à ilha comunista. Bento 16 disse que a Cuba tem condições de criar "uma sociedade de visão ampla, renovada e reconciliada, mas isso se torna mais difícil quando medidas econômicas restritas, impostas por outro país, injustamente prejudicam a população".

AKS/rtr/lusa/afp/dpa
Revisão: Alexandre Schossler

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