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Alemanha

"Ben Wisch" falece aos 82 anos

Hans-Jürgen Wischnewski ocupou altos cargos da política nacional, mas será lembrado como "herói de Mogadíscio". Ele contribuiu enormemente para as relações entre a Alemanha, o mundo árabe e também a América Latina.

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Na Somália, Wischnewski ajudou a libertar 87 turistas alemães de um avião seqüestrado

Hans-Jürgen Wischnewski, um dos mais importantes políticos e estadistas alemães, faleceu nesta quinta-feira (24/02) aos 82 anos. "Ben Wisch", como era carinhosamente chamado pelos colegas de partido, faleceu no Hospital Universitário de Colônia, para onde fora levado devido a uma infecção.

A notícia de sua morte foi recebida com surpresa pela família. Após uma semana em coma, Wischnewski havia retomado a consciência na segunda-feira e médicos e parentes estavam confiantes de sua recuperação. O corpo será enterrado em Colônia.

Na sexta-feira, o Parlamento Alemão dedicou um minuto de silêncio em sua homenagem. O chanceler federal, Gerhard Schröder, lamentou a perda de "um grande homem de Estado e amigo pessoal". "Ele reconheceu cedo o significado estratégico das relações entre a Alemanha e o mundo árabe", disse Schröder.

"O trabalho está feito"

Hans-Jürgen Wischnewski gestorben

Wischnewski (d) ao lado do então premiê Helmut Schmidt, em 1977

Wischnewski será para sempre lembrado por sua estratégica negociação com terroristas árabes, que haviam seqüestrado um avião da Lufthansa com 87 turistas alemães a bordo, em outubro de 1977. Após cinco dias e diversas estações, o avião finalmente pousou no aeroporto de Mogadíscio, na Somália. Wischnewski, na época ministro do Estado, foi encarregado das negociações pelo chanceler Helmut Schmidt, ele próprio temendo perder seu cargo.

Com astúcia, Wischnewski deu a entender que aceitaria a condição imposta pelos terroristas de libertar 11 terroristas da Fração do Exército Vermelho (RAF), adiando o ultimato até o anoitecer, para que a polícia tivesse melhores chances de atacar. Após o sucesso da operação, Wischnewski telefonou ao premiê e disse: "O trabalho está feito".

"Tive medo pelas pessoas naquele avião, não por mim", disse o "herói de Mogadíscio", como ficou conhecido contra a sua vontade. Para ele, os verdadeiros heróis eram os policiais da unidade de resgate. Por isso, outros preferiam chamá-lo de "bombeiro da nação" ou "007 de Bonn".

Hans-Jürgen Wischnewski mit Jassir Arafat

Wischnewski com Yasser Arafat em 2000

Mas esse não foi nem seu primeiro, nem seu último mérito. Em 1970, colaborou ao lado de Yasser Arafat para a libertação de reféns seqüestrados por terroristas palestinos em Omã. Em 1981, lutou para encontrar uma solução política para a guerra civil em El Salvador e, em 1987, participou das negociações com os "contras" na Nicarágua, que levaram à primeira eleição popular após a revolução.

Em sua última viagem, Wischnewski participou do enterro do amigo pessoal e companheiro político Yasser Arafat em companhia do ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer.

Uma vida para a política

Nascido em julho de 1922, Wischnewski era filho de um funcionário de alfândega do Vale do Ruhr. Após o final da guerra, trabalhou como metalúrgico e, em 1946, já era secretário do sindicato em Colônia. No mesmo ano, ingressou no Partido Social Democrata (SPD).

Em 1957, foi eleito pela primeira vez ao Parlamento Alemão, onde atuou por mais de 30 anos. Em 1966, assumiu o posto de ministro da Cooperação Econômica, mas acabou desistindo da posição em 1968, ao tornar-se secretário-geral do partido, cuja presidência assumiu em 1970. Durante o governo de Helmut Schmidt, Wischnweski foi nomeado ministro de Estado e desde então vinha recebendo missões estratégicas.

Mesmo na velhice, Wischnewski nunca cansou de trabalhar. Com mais de 80 anos, o pai de três filhos ainda visitou o líder da Líbia, Muammar Kadafi, em Trípoli, que o aconselhou: "Claro que o senhor pode fumar aqui na minha tenda. Mas eu devo lhe advertir: fumar não faz bem à saúde".

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