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Brasil

Beija-Flor vence Carnaval com apoio de ditadura africana

Homenagem à Guiné Equatorial é alvo de críticas devido ao apoio do regime ditatorial do país, que teria investido 10 milhões de reais no desfile. Ditadura é uma das mais violentas da África.

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Desfile da Beija-Flor de Nilópolis, com o enredo sobre o pequeno país africano

Duramente criticada pelo patrocínio de uma ditadura africana, a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis foi a vencedora do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo homenageando a Guiné Equatorial. A decisão dos jurados foi anunciada nesta quarta-feira (18/02).

A Guiné Equatorial é um pequeno país da África Ocidental governado há 35 anos pelo ditador Teodoro Obiang, cujo regime é frequentemente apontado por organizações de direitos humanos como um dos mais violentos e repressivos do continente africano.

Há pelo menos uma década Obiang frequenta o Carnaval do Rio e assiste ao desfile das escolas de samba. Quando visita a cidade, ele se hospeda ou num apartamento luxuoso de Ipanema, que comprou à vista, ou na suíte mais cara do hotel Copacabana Palace.

Teodoro Obiang Nguema Präsident von Äquatorial Guinea

Obiang comanda Guiné Equatorial há 35 anos

Segundo o jornal O Globo, o governo africano teria apoiado o desfile com 10 milhões de reais, valor que não foi confirmado pela escola nem pelo governo da Guiné Equatorial. A Beija-Flor afirmou que o apoio tem viés estritamente cultural e não aborda o formato de governo do país.

A Beija-Flor seria a escola de samba favorita do regime, como indica o fato de Obiang reservar, já há quatro anos, um camarote para assistir aos desfiles do Grupo Especial, a elite do Carnaval do Rio. O ditador e uma comitiva de 40 pessoas acompanharam a apresentação deste ano.

Em declarações a O Globo, o diretor artístico de carnaval da Beija-Flor, Fran Sérgio Oliveira, considerou "uma bobagem" a polêmica sobre o enredo da Beija-Flor. "As pessoas juntam enredo com política, o que é uma grande bobagem. Além disso, o povo da Guiné Equatorial é apaixonado por seu presidente. É uma ditadura? É. Mas é benéfica para a população do país."

Em 2013, a Beija-Flor fez uma apresentação para a elite da Guiné Equatorial em uma festa no país africano, e as negociações para o patrocínio ao enredo deste ano teriam começado ali.

O patrocínio foi alvo de críticas de organizações de direitos humanos. A ONG SOS Brasil Racismo, que promove ações de igualdade racial, repudiou o apoio do governo da Guiné Equatorial.

"Nas questões de direitos humanos não há o que titubear, Teodoro Obiang é o ditador mais antigo num país africano e, apesar das riquezas e recursos da Guiné Equatorial, mais da metade de seus habitantes vivem na extrema miséria e sob um regime de terror", afirmou a organização.

AS/lusa/ap/dpa

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