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Cultura

Arqueologia ilegal

Congresso reúne na Alemanha 260 especialistas de todo o mundo em um debate sobre o comércio ilegal de antigüidades. "Resolução de Berlim" prevê a obrigatoriedade de "passaporte" para objetos antigos.

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Ruínas de Hatra, no Iraque, onde foram achadas valiosas esculturas gregas e romanas

A recente guerra no Iraque tornou evidente um problema que preocupa arqueólogos de todo o mundo: a procedência duvidosa de boa parte das antigüidades comercializadas hoje. Como prova da fragilidade das regras que regulamentam o mercado, apenas um mês após a tomada de Bagdá, a Christie's londrina já levava a leilão mais de uma centena de objetos cuja origem era descrita como "mesopotâmica".

Apesar de não haver dúvidas de que se tratava de peças oriundas do Iraque, as obras traziam meros selos com a descrição "pertencente a colecionador particular". Cerca de 260 arqueólogos, diretores de museus e especialistas do setor discutiram em Berlim os problemas que envolvem a "arqueologia ilegal" nos quatro continentes do planeta.

Riqueza e miséria - Os exemplos recentes não se resumem aos tesouros roubados em Bagdá. Do Afeganistão à Bósnia, mas até mesmo na Itália, Turquia, Grécia, Alemanha e Reino Unido, a herança cultural da humanidade é tratada com descaso. Durante o encontro em Berlim, o especialista Luca Giuliani, da Universidade de Munique, por exemplo, ressaltou que as regiões mais ricas em tesouros arqueológicos do mundo são com freqüência habitadas por populações miseráveis.

Isso, obviamente, leva à criminalidade e ao comércio ilegal de peças escavadas e enviadas ao exterior sem o aval de especialistas e dos governos locais. Na África, América do Sul e em alguns países orientais, arqueólogos correm muitas vezes até mesmo risco de vida, quando tentam salvar objetos escavados das mãos de bandos de comerciantes ilegais.

Certificado de origem - Para fazer frente à selvageria que rege o comércio de antigüidades, decidiu-se na chamada "Resolução de Berlim" pela criação de um certificado de origem para todas as peças comercializadas. Essa espécie de "passaporte" deverá informar sobre o local e a data da escavação, conter uma permissão para a exportação e fornecer dados sobre os proprietários anteriores e atuais dos objetos.

Como observa o especialista Wolfgang Frühwald, um intercâmbio mais estreito entre os museus de todo o mundo deveria ainda aplainar a concorrência entre as diversas instituições, possibilitando empréstimos de longo prazo entre as mesmas.

Testemunhos mudos - Os pesquisadores ressaltaram ainda em Berlim a tendência da pesquisa arqueológica, que vem nos últimos anos priorizando não apenas os objetos em si, mas principalmente toda a documentação sobre o processo de escavação. Uma escultura cuja referência é apenas o selo "origem desconhecida" pode continuar sendo uma bela peça, mas será um testemunho mudo da história, segundo os especialistas.

Apontar culpados nessa ciranda da ilegalidade não é tarefa das mais fáceis, pois mesmo os grandes museus fazem-se cúmplices dos roubos, ao comprarem objetos sem qualquer certificado de origem. Não é à toa que o comércio ilícito de antigüidades ocupa o terceiro lugar no ranking do crime organizado, atrás apenas do tráfico de drogas e armas.

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